Doze conselhos de um sacerdote octogenário aos seus pares


1. Que a celebração da Eucaristia seja o sol de cada uma de tuas jornadas. Esforça-te por compreendê-la, degustá-la, vivê-la. Preside a cada celebração como se fosse a primeira, a única, a última de tua vida.

2. Lembra-te que a celebração eucarística melhor presidida e celebrada é a que for melhor preparada. Não sejas daqueles que passam das conversas mundanas à presidência do Santo Sacrifício sem preparar-se pela oração, sem nada meditar nem que fosse por meio de um pequeno parêntesis de recolhimento.

3. Que a celebração seja livre da rotina e do automatismo. O veneno que mata a celebração da Eucaristia é a rotina. A repetição traz rotina. Não repitas sempre a mesma Oração Eucarística, geralmente a mais curta. Necessário que troques de Prece de acordo com o sentido espiritual e pastoral de tantas orações que o Missal oferece. A primeira Oração Eucarística situa-se na grande tradição da Igreja Romana, pronunciada por muitos santos e apóstolos ao longo de dez séculos; a terceira é digna de veneração por sua antiguidade; a quarta apresenta um belo resumo da História da Salvação.

4. Que cada palavra que pronuncias seja um verdadeiro “anúncio” e cada rito que realizas seja um autêntico “sinal sagrado”. Transforma tua celebração em verdadeira vivência. A comunidade toda experimenta com alegria a presença do Senhor na Celebração Eucarística se a presides com devoção e com fé, pronunciando com cuidado cada palavra e executando com carinho cada gesto como quem fala a Alguém que está presente e a Quem se ama e se respeita imensamente.

5. Evita toda “correria” especialmente ao pronunciar a Oração Eucarística. Lembra-te das palavras do Cardeal Mercier: “Consagra uns minutos a mais para a tua missa.” Acontece que sabes de cor o texto das Orações Eucarísticas, sobretudo a segunda. Assim corres o risco de pronunciá-las depressa e a comunidade percebe facilmente teu descuido em presidir. Não temas em ser muito cuidadoso em pronunciar bem distintamente todas as frases, evidentemente sem exageros teatrais, mas com solenidade. A comunidade certamente te agradecerá.

6. Nunca improvises a tua celebração. Que nunca venha a acontecer que estejas aos pés do altar e nem saibas quais as leituras do dia e que festa se celebra. Seria um desrespeito inqualificável à ação mais importante da Igreja e de tua vida.

7. Nunca a causa de Deus, que é salvação de todo o género humano, está tão em tuas mãos quando fazes a homilia. Tu sabes muito bem que a homilia pode ser a única instrução e formação na fé que venha a receber tua comunidade. Tens que te convencer que fora da missa de domingo dificilmente o Povo de Deus recebe a Palavra. Serás interpelado pelo Senhor no dia de teu encontro definitivo com ele. Pensa sempre nas palavras da Escritura: “Pediram pão e não houve quem lhes desse”. Pensa bem em tua responsabilidade para que se cumpra em ti a promessa divina: “Os que tiverem conduzido a muitos para a justiça, brilharão como estrelas para sempre” (Dn 12,3).

8. Grava isto no fundo do teu coração: o mais importante de toda a jornada é a celebração da Eucaristia. A presidência da celebração eucarística, como a dos demais sacramentos, é a realidade mais valiosa do teu sacerdócio ministerial. Quando presides a Eucaristia, tu te encontras no ponto mais elevado da pirâmide humana e nesse momento há apenas um acima de ti: Deus. Não é lastimável que faças uma preparação tão sumária, e celebres tão distraidamente?

9. “Vive o que celebras e celebra o que praticas.” Estas palavras lembram o dia memorável da tua ordenação e convidam-te a oferecer-te diariamente como “hóstia vive e agradável a Deus” (Rm 12, 1). Lembra-te sempre, ao terminar a celebração, que a tua missa deve continuar durante toda a jornada. Por isso, põe em prática o conselho do Papa Pio XII: “Não deixes dia algum de fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento, o que será, por outro lado, exemplo para a tua comunidade.” Haverás de fazê-lo com amor pelo Senhor no sacrário com aquela intenção expressa pelo Beato Paulo VI: “Com agradecimento pelo dom da Eucaristia e como “graças” e uma preparação a mais para a celebração da missa.” Um sacerdote que preside santamente e visita com frequência o Santíssimo comete menos despropósitos do que outros.

10. A celebração da Liturgia das Horas é o melhor termómetro do teu ardor sacerdotal. Um sacerdote que entra em estado de tibieza abandona depressa a Oração das Horas. Ama teu Ofício como escudo da tua santidade. Não o consideres como carga pesada, mas como maravilhosa oportunidade de realizar o “mesmo ofício de Deus”, como o designava Santo Agostinho. É o momento de adorar o Senhor em nome de tantos os que não o fazem, de pedir perdão pelos teus pecados e pelos pecados dos outros, de render-Lhe graças por toda a humanidade e de enriquecer-te de maneira maravilhosa na tua vida interior.

11. Faz de sorte que as pessoas que te encontrem vejam em ti primeiro e antes de mais nada o sacerdote e sacerdote de Cristo.

12. Que te consideres sempre ao serviço e à disposição de todos. Deus queira que durante toda a tua vida possas repetir as palavras do Senhor: “Não vim para ser servido, mas para servir.” E que o Divino Redentor te conceda o que prometeu aos seus apóstolos e discípulos: “Se compreenderdes isso e o praticardes, sereis felizes” (Jo 13,17).

Frei Almir Guimarães, em revista Grande Sinal, nov-dez 2015, p. 737

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Seis pensamentos do Cura D’Ars sobre a oração
• Não há necessidade de falar muito. Temos certeza de que o Senhor está presente. Abrimos-lhe o coração e nos alegramos com sua presença. Esta é a melhor oração.

• A oração nada mais é do que união com Deus. Trata-se de uma doce amizade e de uma admirável intimidade.

• Aproxima-te de Deus, ele se aproxima de ti.

• A oração está para nossa alma como a chuva para a terra. Se falta a chuva tudo o que se faz não serve para nada.

• A alma que deixa de rezar morre de inanição.
• Quando rezo procuro ter diante de meus olhos Jesus rezando ao Pai.

• Toda oração feita sem preparação é oração mal feita.

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