1. Que a celebração da Eucaristia seja o sol de
cada uma de tuas jornadas. Esforça-te por compreendê-la, degustá-la, vivê-la.
Preside a cada celebração como se fosse a primeira, a única, a última de tua
vida.
2. Lembra-te que a celebração eucarística melhor
presidida e celebrada é a que for melhor preparada. Não sejas daqueles que
passam das conversas mundanas à presidência do Santo Sacrifício sem preparar-se
pela oração, sem nada meditar nem que fosse por meio de um pequeno parêntesis
de recolhimento.
3. Que a celebração seja livre da rotina e do
automatismo. O veneno que mata a celebração da Eucaristia é a rotina. A
repetição traz rotina. Não repitas sempre a mesma Oração Eucarística,
geralmente a mais curta. Necessário que troques de Prece de acordo com o
sentido espiritual e pastoral de tantas orações que o Missal oferece. A
primeira Oração Eucarística situa-se na grande tradição da Igreja Romana, pronunciada
por muitos santos e apóstolos ao longo de dez séculos; a terceira é digna de
veneração por sua antiguidade; a quarta apresenta um belo resumo da História da
Salvação.
4. Que cada palavra que pronuncias seja um
verdadeiro “anúncio” e cada rito que realizas seja um autêntico “sinal
sagrado”. Transforma tua celebração em verdadeira vivência. A comunidade toda
experimenta com alegria a presença do Senhor na Celebração Eucarística se a
presides com devoção e com fé, pronunciando com cuidado cada palavra e
executando com carinho cada gesto como quem fala a Alguém que está presente e a
Quem se ama e se respeita imensamente.
5. Evita toda “correria” especialmente ao
pronunciar a Oração Eucarística. Lembra-te das palavras do Cardeal Mercier:
“Consagra uns minutos a mais para a tua missa.” Acontece que sabes de cor o
texto das Orações Eucarísticas, sobretudo a segunda. Assim corres o risco de
pronunciá-las depressa e a comunidade percebe facilmente teu descuido em
presidir. Não temas em ser muito cuidadoso em pronunciar bem distintamente
todas as frases, evidentemente sem exageros teatrais, mas com solenidade. A
comunidade certamente te agradecerá.
6. Nunca improvises a tua celebração. Que nunca venha
a acontecer que estejas aos pés do altar e nem saibas quais as leituras do dia
e que festa se celebra. Seria um desrespeito inqualificável à ação mais
importante da Igreja e de tua vida.
7. Nunca a causa de Deus, que é salvação de todo o
género humano, está tão em tuas mãos quando fazes a homilia. Tu sabes muito bem
que a homilia pode ser a única instrução e formação na fé que venha a receber
tua comunidade. Tens que te convencer que fora da missa de domingo dificilmente
o Povo de Deus recebe a Palavra. Serás interpelado pelo Senhor no dia de teu
encontro definitivo com ele. Pensa sempre nas palavras da Escritura: “Pediram
pão e não houve quem lhes desse”. Pensa bem em tua responsabilidade para que se
cumpra em ti a promessa divina: “Os que tiverem conduzido a muitos para a
justiça, brilharão como estrelas para sempre” (Dn 12,3).
8. Grava isto no fundo do teu coração: o mais
importante de toda a jornada é a celebração da Eucaristia. A presidência
da celebração eucarística, como a dos demais sacramentos, é a realidade mais
valiosa do teu sacerdócio ministerial. Quando presides a Eucaristia, tu te
encontras no ponto mais elevado da pirâmide humana e nesse momento há apenas um
acima de ti: Deus. Não é lastimável que faças uma preparação tão sumária, e
celebres tão distraidamente?
9. “Vive o que celebras e celebra o que praticas.” Estas palavras lembram o dia memorável da tua ordenação e convidam-te a
oferecer-te diariamente como “hóstia vive e agradável a Deus” (Rm 12, 1).
Lembra-te sempre, ao terminar a celebração, que a tua missa deve continuar
durante toda a jornada. Por isso, põe em prática o conselho do Papa Pio XII:
“Não deixes dia algum de fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento, o que será,
por outro lado, exemplo para a tua comunidade.” Haverás de fazê-lo com amor pelo
Senhor no sacrário com aquela intenção expressa pelo Beato Paulo VI: “Com
agradecimento pelo dom da Eucaristia e como “graças” e uma preparação a mais
para a celebração da missa.” Um sacerdote que preside santamente e visita com
frequência o Santíssimo comete menos despropósitos do que outros.
10. A celebração da Liturgia das Horas é o melhor termómetro do teu ardor sacerdotal. Um sacerdote que entra em estado de tibieza abandona depressa a Oração das Horas. Ama teu Ofício como escudo da tua santidade.
Não o consideres como carga pesada, mas como maravilhosa oportunidade de realizar
o “mesmo ofício de Deus”, como o designava Santo Agostinho. É o momento de
adorar o Senhor em nome de tantos os que não o fazem, de pedir perdão pelos teus
pecados e pelos pecados dos outros, de render-Lhe graças por toda a humanidade
e de enriquecer-te de maneira maravilhosa na tua vida interior.
11. Faz de sorte que as pessoas que te encontrem
vejam em ti primeiro e antes de mais nada o sacerdote e sacerdote de Cristo.
12. Que te consideres sempre ao serviço e à
disposição de todos. Deus queira que durante toda a tua vida possas repetir as palavras
do Senhor: “Não vim para ser servido, mas para servir.” E que o Divino Redentor te conceda o que prometeu aos seus apóstolos e discípulos: “Se compreenderdes
isso e o praticardes, sereis felizes” (Jo 13,17).
Frei Almir Guimarães, em revista Grande Sinal, nov-dez 2015, p. 737
e no sítio www.franciscanos.org.br).
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Seis pensamentos do Cura D’Ars
sobre a oração
• Não há necessidade de falar muito. Temos certeza
de que o Senhor está presente. Abrimos-lhe o coração e nos alegramos com sua
presença. Esta é a melhor oração.
• A oração nada mais é do que união com Deus.
Trata-se de uma doce amizade e de uma admirável intimidade.
• Aproxima-te de Deus, ele se aproxima de ti.
• A oração está para nossa alma como a chuva para a
terra. Se falta a chuva tudo o que se faz não serve para nada.
• A alma que deixa de rezar morre de inanição.
• Quando rezo procuro ter diante de meus olhos
Jesus rezando ao Pai.
• Toda oração feita sem preparação é oração mal
feita.

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