No V domingo comum somos convidados a refletir acerca do sentido da vocação na vida de cada cristão


Continuamos, no V Domingo Comum, com o ministério de Jesus na Galileia. Agora, com a vocação dos seus primeiros discípulos, junto do lago de Tiberíades e a pronta resposta das duplas de irmãos. Como preparação desta cena lemos na primeira leitura a vocação profética de Isaias.
Textos: Is 6, 1-2a. 3-8; 1 Co 15, 1-11; Lc 5, 1-11

Comentário do P.e Antonio Rivero, L.C., 
Doutor em Teologia Espiritual, 
professor e diretor espiritual no seminário diocesano de São Paulo (Brasil)

Deus chama alguns para a vida consagrada ou sacerdotal. 
Quem chama? 
Deus nosso Senhor e Pai. 
Através de quê ou de quem chama? 
Através de causas segundas: um sacerdote, um amigo, uma leitura, um acidente, um retiro, uma decepção. 
A quem chama? 
A homens e mulheres normais, com virtudes e defeitos, mas que sentem no seu coração um chamado especial a dar a vida e energias a Deus mediante uma especial consagração.
Para quê chama pessoalmente?
Para se consagrar a Cristo no corpo e na alma, já seja como sacerdote, ou freira, ou religioso ou consagrado laico.
Porquê chama? 
Porque Deus é livre e chama quem Ele quer por amor e liberdade; não se viu obrigado a nos escolher por ser bons; nem sequer os nossos pecados impediram que Ele nos elegesse. 
Para que chama comunitariamente?
Para estar com Ele, estabelecer uma intimidade com Ele, conhecer os segredos do seu coração, e depois para ir e pregar e levar o seu nome e a sua mensagem de salvação a todas as partes do mundo. Onde chama? 
A uns chama na paróquia, a outros no colégio ou na universidade, a outros num hospital, e quem sabe se também através de sonhos ou depois de ter caído no posso escuro e lôbrego do pecado. 
Como chama? 
Com um grande respeito da nossa liberdade, mas com muito amor e confiança; às vezes com insistência, outras, suavemente.
O que pede? Deixar tudo e segui-lo, confiantes em Cristo que nos chama.
O que oferece? 
Aqui na terra, a sua amizade e companhia, a sua graça e consolo; e depois, a vida eterna. 
Qual deveria ser a resposta desse homem e dessa mulher?
A mesma dos profetas, apóstolos e tantos homens e mulheres de todos os séculos. “Eis-me aqui. O que queres de mim? Manda-me”. Porquê alguns e algumas dão negativas a Deus? 
Por causa do mistério da liberdade, porque para eles é custoso deixar tudo, como aconteceu com esse jovem rico, portanto, por apego a este mundo e as suas vaidades.

Deus chama outros para a vida matrimonial. Já escutamos tantas reflexões que os bispos pronunciaram durante o Sínodo da família. O matrimónio é um dom e um presente que Deus concede a uns homens e mulheres para ser sacramento do amor de Cristo com a sua Igreja, para ser sinais do amor esponsal de Cristo com a Igreja, para prolongar o amor fecundo de Deus em outros seres queridos, os filhos, trazidos ao banquete da vida por amor e no amor.
Nesse matrimónio não pode faltar nunca o vinho do amor, como aconteceu em Caná; e quando as talhas seja ameaçadas de ficar vazias, imploremos a Maria que interceda diante do seu Filho por esses matrimônios tentados, em crise, desajustados e em dificuldades normais, provocados por algum dos cônjuges e permitidos por Deus para amadurecerem na sua entrega.
Na vocação matrimonial também esposa e esposa e filhos estão chamados à santidade de vida, vivendo na fidelidade e na educação humana e cristã dos filhos, os quais Deus lhes presenteou. Por isso, urge reconquistar as práticas de piedade em família, como foi falado no Sínodo: missa dominical, oração antes das refeições, a reza do terço. O mundo quer ver hoje essas “igrejas domesticas” onde reina a união, a harmonia, a estima mútua. São já antessalas do céu. E os filhos aprenderão o valor da família. E como diz o padre Zezinho: “…e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor, e que os filhos conheçam a força que brota do amor. Abençoa, Senhor, as famílias. Amém”.

E Deus chama outros para uma vida de solteiros dedicados a uma causa nobre e digna, não por covardia nem por medo a uma vida matrimonial ou consagrada. 
É um facto que Deus não quer “solteirões” - basta reler o livro do Génesis -, mas pode pedir para alguns a vida de solteiro para se dedicar a uma missão específica que pede também a entrega de todo o ser e todas as energias. Aqui não estamos falando de quem tem alguma incapacidade permitida por Deus; já é bastante a cruz que leva em cima. Estamos a falar dos que estão no seu são juízo e com boa saúde. 
É lindo ver um filho ou uma filha cuidando do seu pai ou da sua mãe doentes. 
É edificante contemplar essa pessoa dedicada 24 horas a esses próximos que estão no hospital. Ou aquele professor ou professora felizes, direcionados completamente ao ensino dos meninos e das meninas nas escolas do interior ou nos colégios da cidade. Muito mérito tem também quem se consagra aos anciãos nos asilos ou geriátricos. Todas estas são causas nobres e dignas que exigem a totalidade da vida e das forças. Detrás destas vocações se esconde a força do amor, pois “se não tiver amor, não sou nada” (2 leitura).

Para refletir
Já descobri a vocação de Deus na minha vida? O que estou esperando para dar-lhe uma resposta com prontidão e amor? O que vou perder se deixar tudo e segui-lo? O que vou ganhar? Meditemos estas palavras de Santo Tomás: “Os que Deus escolhe para uma missão, dispõe-los e prepara de maneira que resultem idôneos para desempenhar a missão para a qual foram escolhidos” (Suma Teológica, 3, q.27, a. 4c).

Para rezar: Entoemos a famosa canção de Cesáreo Garabain:

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