Continuamos, no V Domingo Comum, com o ministério de Jesus na Galileia. Agora, com a vocação dos seus primeiros discípulos, junto do lago
de Tiberíades e a pronta resposta das duplas de irmãos. Como preparação desta
cena lemos na primeira leitura a vocação profética de Isaias.
Textos: Is 6, 1-2a. 3-8; 1 Co 15, 1-11; Lc 5, 1-11
Deus chama alguns para a vida consagrada ou sacerdotal.
Quem chama?
Deus nosso
Senhor e Pai.
Através de quê ou de quem chama?
Através de causas segundas: um
sacerdote, um amigo, uma leitura, um acidente, um retiro, uma decepção.
A quem
chama?
A homens e mulheres normais, com virtudes e defeitos, mas que sentem no
seu coração um chamado especial a dar a vida e energias a Deus mediante uma
especial consagração.
Para quê chama pessoalmente?
Para se consagrar a Cristo no corpo e na
alma, já seja como sacerdote, ou freira, ou religioso ou consagrado laico.
Porquê chama?
Porque Deus é livre e chama quem Ele quer por amor e liberdade; não
se viu obrigado a nos escolher por ser bons; nem sequer os nossos pecados
impediram que Ele nos elegesse.
Para que chama comunitariamente?
Para estar com Ele, estabelecer
uma intimidade com Ele, conhecer os segredos do seu coração, e depois para ir e
pregar e levar o seu nome e a sua mensagem de salvação a todas as partes do
mundo. Onde chama?
A uns chama na paróquia, a outros no colégio ou na universidade, a outros num hospital, e quem sabe se também através de sonhos ou depois de ter
caído no posso escuro e lôbrego do pecado.
Como chama?
Com um grande respeito
da nossa liberdade, mas com muito amor e confiança; às vezes com insistência,
outras, suavemente.
O que pede? Deixar tudo e segui-lo, confiantes em Cristo
que nos chama.
O que oferece?
Aqui na terra, a sua amizade e companhia, a sua
graça e consolo; e depois, a vida eterna.
Qual deveria ser a resposta desse
homem e dessa mulher?
A mesma dos profetas, apóstolos e tantos homens e
mulheres de todos os séculos. “Eis-me aqui. O que queres de mim? Manda-me”. Porquê alguns e algumas dão negativas a Deus?
Por causa do mistério da liberdade,
porque para eles é custoso deixar tudo, como aconteceu com esse jovem rico,
portanto, por apego a este mundo e as suas vaidades.
Deus chama outros para a vida matrimonial. Já escutamos tantas reflexões que os
bispos pronunciaram durante o Sínodo da família. O matrimónio é um dom e um
presente que Deus concede a uns homens e mulheres para ser sacramento do amor
de Cristo com a sua Igreja, para ser sinais do amor esponsal de Cristo com a
Igreja, para prolongar o amor fecundo de Deus em outros seres queridos, os
filhos, trazidos ao banquete da vida por amor e no amor.
Nesse matrimónio não
pode faltar nunca o vinho do amor, como aconteceu em Caná; e quando as talhas
seja ameaçadas de ficar vazias, imploremos a Maria que interceda diante do seu
Filho por esses matrimônios tentados, em crise, desajustados e em dificuldades
normais, provocados por algum dos cônjuges e permitidos por Deus para
amadurecerem na sua entrega.
Na vocação matrimonial também esposa e esposa e
filhos estão chamados à santidade de vida, vivendo na fidelidade e na educação
humana e cristã dos filhos, os quais Deus lhes presenteou. Por isso, urge
reconquistar as práticas de piedade em família, como foi falado no Sínodo:
missa dominical, oração antes das refeições, a reza do terço. O mundo quer ver
hoje essas “igrejas domesticas” onde reina a união, a harmonia, a estima mútua.
São já antessalas do céu. E os filhos aprenderão o valor da família. E como diz
o padre Zezinho: “…e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a mulher
seja um céu de ternura, aconchego e calor, e que os filhos conheçam a força que
brota do amor. Abençoa, Senhor, as famílias. Amém”.
E Deus chama outros para uma vida de solteiros dedicados a uma
causa nobre e digna, não por covardia nem por medo a uma vida matrimonial ou
consagrada.
É um facto que Deus não quer “solteirões” - basta reler o livro do
Génesis -, mas pode pedir para alguns a vida de solteiro para se dedicar a uma
missão específica que pede também a entrega de todo o ser e todas as energias.
Aqui não estamos falando de quem tem alguma incapacidade permitida por Deus; já
é bastante a cruz que leva em cima. Estamos a falar dos que estão no seu são
juízo e com boa saúde.
É lindo ver um filho ou uma filha cuidando do seu pai ou
da sua mãe doentes.
É edificante contemplar essa pessoa dedicada 24 horas a esses
próximos que estão no hospital. Ou aquele professor ou professora felizes,
direcionados completamente ao ensino dos meninos e das meninas nas escolas do
interior ou nos colégios da cidade. Muito mérito tem também quem se consagra
aos anciãos nos asilos ou geriátricos. Todas estas são causas nobres e dignas
que exigem a totalidade da vida e das forças. Detrás destas vocações se esconde
a força do amor, pois “se não tiver amor, não sou nada” (2 leitura).
Para refletir
Já descobri a vocação de Deus na minha vida?
O que estou esperando para dar-lhe uma resposta com prontidão e amor? O que vou
perder se deixar tudo e segui-lo? O que vou ganhar? Meditemos estas palavras de
Santo Tomás: “Os que Deus escolhe para uma missão, dispõe-los e prepara de
maneira que resultem idôneos para desempenhar a missão para a qual foram
escolhidos” (Suma Teológica, 3, q.27, a. 4c).
Para rezar: Entoemos a famosa canção de Cesáreo Garabain:

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