Os sete pecados capitais foram criados no século IV, originalmente como instrumento de gestão para guiar os monges no Egito


Sabia que os sete pecados capitais foram criados originalmente no século IV como instrumento de gestão para guiar os monges no Egito?


Paula Brito, em Dinheiro Vivo11.02.2016

“Ao contrário do que se pensa, os pecados não aparecem explicitamente na Bíblia, sendo uma aquisição posterior veiculada pela Igreja como o mais poderoso instrumento de orientação do comportamento humano”, explica Luís Sítima, um dos autores do livro “A Corporação Invisível”, com Hugo V. Costa.

Assumidos pela Igreja, estes pecados serviram para educar, proteger ou mesmo controlar milhões de crentes ao longo dos tempos. “De tal forma reais, acabaram por se enraizar na nossa cultura e no nosso quotidiano. Daí a ideia de os considerar o instrumento de gestão mais poderoso da nossa História”, reforça Luís Sítima.

“Ou a palavra management (gestão) não fosse oriunda do latim manus (mão). Gerir significa literalmente ter na mão ou… controlar”, diz o autor do livro que desenvolveu um modelo de gestão para ajudar a desenvolver líderes e a implementar a mudança com sucesso.

1. Avareza: Ambição egoísta

Facto: as 85 pessoas mais ricas do mundo têm a mesma riqueza que as 3,5 mil milhões mais pobres. Revela-se num ambiente de trabalho onde a preocupação excessiva com o ganho individual se sobrepõe ao ganho coletivo, dificultando a criação de relações de confiança, a transparência e o compromisso com todos aqueles que nos rodeiam.

Frase chave: “O que é que eu ganho com isto?”

2. Soberba: Armadilha do Ego

Facto: a esperança média de vida de uma organização do S&P 500 em 1960 era 60 anos. Hoje são 12,5 anos. Surge num ambiente de trabalho onde prevalece um sentimento de superioridade e arrogância face aos demais, que limita a objetividade na compreensão da realidade que nos rodeia e a humildade por reconhecer a necessidade de mudar, aprender e melhorar.

Frase chave: “Somos bons, somos líderes”

3. Cobiça: O dilema do “Nós” e do “Eles”

Facto: 75% dos colaboradores nas empresas afirmam já ter sido alvo ou ter assistido com frequência a situações de inveja no local de trabalho. É habitual num ambiente de trabalho onde o espírito competitivo excessivo prevalece sobre a colaboração e a cooperação com os demais, limitando o ganho coletivo do trabalho em equipa, a partilha de recursos e conhecimento e a sinergia entre as áreas.

Frase chave: “Nós contra Eles”

4. Luxúria: A pressão do curto prazo

 Facto: 85% das equipas de gestão passam menos de 1 hora por mês a discutir a estratégia da organização. Acontece onde as pressões de curto prazo sistematicamente se sobrepõem ao pensamento estratégico de longo prazo, limitando a clareza de visão, o compromisso com o futuro e a coerência e sustentabilidade dos planos e ações.

Frase chave: “A longo prazo estamos todos mortos

5. Gula: A tentação dos recursos

Facto: 60% das organizações não liga o orçamento à estratégia. Ambiente de trabalho onde o consumismo de recursos – financeiros, humanos e tempo – prevalece sobre a disciplina na criação de valor, gerando desperdício, falta de foco e perdas progressivas de produtividade.

Frase chave: “Preciso de mais recursos


6. Preguiça: O conforto do “sempre foi assim”

Facto: 50% das funções nos EUA poderão desaparecer nas próximas duas ou três décadas. Gera um ambiente de trabalho onde a passividade, a rotina e a estabilidade prevalecem sobre o sentido de urgência, a iniciativa e a mudança, resultando frequentemente em situações de inércia, negligência, desresponsabilização, burocracia, morosidade e acomodação.

Frase chave: “Sempre foi assim

7. Ira: A penalização da diferença

Facto: apenas 50% das pessoas se sentem valorizadas no local de trabalho e 30% planeia sair da empresa nos próximos dois anos. Próprio de um ambiente de trabalho onde a crítica e a penalização prevalecem sobre a valorização e o reconhecimento, gerando intolerância, medo, falta de franqueza e limitando o potencial criativo das pessoas e das equipas.


Frase chave: “Quem é o culpado!”

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