«Quem nos abrirá o livro misterioso do Coração de Jesus Cristo? Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus!», exclamava S. Daniel Comboni
Quem, então, nos abrirá o livro misterioso do Coração de Jesus Cristo? Qual será a chave bendita que nos abra a Sua porta?... Pois bem, sequemo-nos as lágrimas, caríssimos filhos, enxuguemos o pranto, consolemo-nos... Porque a bela filha do rei David, Maria, Virgem Imaculada, tem nas suas mãos essa preciosa chave; e mais, ela é a mística chave do adorável Coração de seu Filho Jesus. Sim, Maria abre esse Coração e nada O pode fechar; fecha-o e ninguém o pode abrir. Ela abre esse divino Coração a quem quer, como quer e quando quer. Dispõe dos tesouros infinitos desse divino Coração como lhe apraz e em favor de quem lhe apraz. Mas porque é que Maria pode tanto sobre o adorabilíssimo Coração de Jesus? Porque é a Bem-Aventurada Mãe de Jesus Cristo e, portanto, Rainha e Senhora do Coração de Jesus. Este nome inefável é mel na boca, melodia nos ouvidos, júbilo no coração.
É um nome que fez brilhar a bondade do Coração de Jesus Cristo nestes tempos calamitosos, para iluminar e consolar a todos, confortar a quantos a Ela recorrem. Porque agrada-lhe ser invocada como Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus; título com o qual é proclamada despenseira generosa de todos os imensos tesouros e de todas as graças do Sacratíssimo Coração do seu divino Filho Jesus. É proclamada a mãe mais terna e amorosa de todas as mães; a advogada mais eloquente que todos os anjos e todos os santos; a esperança dos pecadores; a consoladora dos aflitos; a luz dos peregrinos; o porto dos que correm perigo; é saudada como a mulher sem mancha, a sede da sabedoria, o prodígio do infinito amor de Deus, o perpétuo panegírico de todos os séculos, o elogio universal de todos os seres, a harmonia pública e geral de todas as criaturas, o milagre da omnipotência divina.
Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus!! Oh, quantas glórias encerra este augusto nome! Quanto valor e grandeza contém em si! Por isso, este bendito nome soa nos lábios de muitos milhões de fiéis.
Invocam-na de todos os cantos do mundo justos e pecadores, sacerdotes e leigos, príncipes e vassalos, grandes e pequenos: todos...
Sim, todos aqueles a quem chegou este nome dulcíssimo o saúdam, clamam por ele, invocam-no e todos experimentam efeitos salvíficos, obtendo copiosas graças espirituais e temporais desta piedosíssima mãe! Daí que todos os dias de todos os pontos do orbe católico se eleve ao Céu uma melodia celestial de infinitas vozes, as quais bendizem a Senhora do S. Coração de Jesus por tantas graças impetradas por Ela!
E o Coração de Jesus como se compraz em ver Aquela a quem tanto ama tão honrada e glorificada aqui na Terra! Por isso, do Céu faz chover cada vez mais as suas bênçãos sobre os seus adoradores e os admiradores de sua Mãe. E a todos diz Jesus: se quereis entrar em Meu coração e participar das graças e das Minhas bênçãos, recorrei a Maria e, por Ela, tereis acesso a Mim. Invocai-a como Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus, que ela vos consolará. Sim, dilectíssimos filhos, vinde ver as obras do Senhor. Vinde contemplar este prodígio da graça de Deus, Nossa Senhora do Sagrado Coração adorável de seu filho Jesus. Ela pode tanto que por excelência se denomina «a advogada das causas mais difíceis e desesperadas». E Santo Efrém chama-a “a esperança dos desesperados”. E São Bernardo a “omnipotência suplicante”.
Se Nossa Senhora é a chave mística do Coração de Jesus, não quererá ela dar acesso aos infinitos tesouros desse Coração adorável? Se Maria, assim invocada, não sabe negar graças a ninguém, quererá e poderá ela negar-se a socorrer-nos em nossas grandes tribulações, no nosso laboriosíssimo e difícil apostolado, em todas as nossas necessidades?
Não, não, não... Jamais se ouviu de ninguém que, após invocar Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus em suas necessidades, não tenha sido por ela escutada.
Reavivemos a fé, filhos dilectíssimos; reavivemos a fé. A divina Mãe profetizou que todas as gentes a chamariam bem-aventurada (Lc 1,48).
Daniel Comboni, Escritos, n.ºs 3990-3997

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