Queridos amigos, nunca como na hora da morte emerge o grande
julgamento sobre a nossa vida: efémera ou eterna!
Confiar-se ao hoje significa construir sobre a areia, sobre
o efémero.
Sim ao hoje! Mas e o amanhã?
O efémero é o hoje vivido sem passado e sem futuro. É o aqui
e agora daqueles que não sabem que têm uma origem e que podem caminhar ao
encontro de uma meta. Porquê tenho de me comprometer se tudo é efémero?
A morte está diante de mim para me lembrar que eu tenho de
escolher entre confiar no efémero ou ter um projeto de vida que permanece e
nunca se apaga.
Quem me pode libertar do efémero?
Só o amor de Cristo!
Sem o amor de Cristo, sofreremos o desapontamento de uma
experiência de fé efémera, forte e agressiva, mas vazia quando, por trás dela,
não está Ele, o Senhor da história.
Esta Quaresma, dentro do Jubileu extraordinário da
Misericórdia, é um grande presente para cada um de nós. É o momento em que a
minha existência, como a de todos os batizados, se coloca na posição de não ter
medo daquilo que é efémero, mas de acolhê-lo e entregá-lo a Ele.
Sim, queridos amigos, a Quaresma é o tempo em que,
finalmente, eu não tenho que me esconder; é o tempo em que eu tenho que
descobrir que nosso Senhor preparou um novo projeto, uma nova estação, da qual
tantas vezes eu duvidei: talvez o efémero, no fim, seja mais gratificante e
mais novo…
Este é o dilema: a novidade do efémero ou a novidade da vida
em Cristo? Em outras palavras: vivo no hoje ou vivo na eternidade?
A Quaresma é o tempo em que o Senhor nos revela o que fez
por nós, para que possamos viver para sempre. É o hoje da plenitude da minha
existência, e não o hoje que passa.
E tu, queres passar ou queres permanecer?
Com Cristo, tu podes dizer: tudo passa, mas eu permaneço.
Sim, porque o efémero passa, mas o assinalado com o sinal da cruz – o batizado – não.
Queridos amigos, faço votos de que vivam o itinerário
quaresmal abrindo o seu coração e a sua mente à Palavra que nos comunica um
amor incomensurável, o amor d’Aquele que deu por vocês tudo o que tinha: a
própria vida.
Só Ele, Jesus Cristo – nos pode dar ouvidos para escutarmos
o Pai e olhos para vermos a vida com o mesmo amor – Espírito – com que Ele a
vê.
Carta de Quaresma de D. Lorenzo Leuzzi, bispo auxiliar de Roma, aos jovens universitários

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