Retiro online de Quaresma, 1.º dia: desejo estar contigo, Jesus Cristo, para que me possas transformar em pessoa mais misericordiosa

As obras de misericórdia que estão referidas em Mt 25 e que o Papa Francisco propõe como vivência cristã concreta para a Quaresma, têm a sua génese na vida d’Aquele que é o nosso Mestre e Modelo, que foi enviado pelo Pai para nos ensinar a pô-las em prática. Muito mais do que “obrigação” de fazer “boas-obras”, tornam-se o modo de vida daqueles que se deixam cativar e transformar por Jesus.

É muito fácil vivermos alienados. 
Não só em relação às tragédias que se passam longe e cujas notícias nos chegam diariamente pelos meios de comunicação social, 

mas também em relação a tanta gente que está ao nosso lado, que são esses “irmãos mais pequeninos” de que fala o Evangelho, que podem estar doentes, sós, desanimados, na prisão, com fome e outras necessidades básicas. Pessoas muito perto de nós que vivem atormentadas, a quem esquecemos. 

Continuamos a viver a nossa vida
nas suas muitas ou poucas atividades, 

continuamos a gastar em coisas supérfluas
continuamos no nosso comodismo e parece que nada nos afecta. 

Somos dignos de compaixão, não porque Jesus nos vai mandar para o “fogo eterno” e chamar-nos “malditos”, mas porque vivemos alienados
porque não desenvolvemos a nossa capacidade de nos entregar aos outros, 
porque ainda estamos muito fechados no nosso egoísmo, só conseguimos dar a “conta-gotas”, e isso destrói-nos como pessoas já aqui nesta terra! 
Porque vivemos “deformados”. Não vivemos para aquilo que fomos feitos, que é ser amados e amar em plenitude.

O que seria preciso para me deixar afectar pela necessidade do outro? 

O que me faria partilhar mais com o outro, desinstalar-me do meu comodismo, pôr-me em movimento para o ir visitar, consolar, animar?

Penso que a engrenagem é um ciclo que pode ser vicioso ou virtuoso. 
Quanto mais auto-suficientes, convencidos de nós, cheios do nosso “poder”, das nossas imprescindíveis actividades, mais alienados estaremos. 

Pelo contrário, 
quanto mais nos damos conta da nossa pequenez, quanto mais percebemos as necessidades dos outros e contactamos com pessoas que sofrem, mais nos deixamos tocar, mais compassivo se torna o nosso coração, mais se comovem as nossas “entranhas”. 

No contacto com os mais carenciados tornamo-nos mais misericordiosos e a passagem hoje deu-me luz no porquê desta verdade: É o próprio Jesus que nos diz que Ele está em cada um desses “irmãos mais pequeninos”. Por isso, quando nos encontramos com um deles, encontramo-nos com Jesus. E esse encontro é transformador, é potenciador de misericórdia, porque no contacto verdadeiro com Jesus transformamo-nos naquilo que Ele é. 

Quantas vezes ao visitar amigos que estavam doentes me apercebi da riqueza desses momentos! E de como se experimentava ali a presença de Jesus!
Não admira que a Madre Teresa de Calcutá e tantas outras pessoas como ela, tenham procurado e continuem a procurar a companhia dos “mais pequeninos” pois neles descobrem Jesus e ao dar-se a eles, encontram a verdadeira felicidade. São pessoas que buscam a sabedoria e que não se deixam enganar pelas aparências.

Dizemos que somos cristãos, que somos buscadores de Jesus, que O queremos seguir. Mas procuramo-lo tantas vezes onde Ele não está!
Acordemos a nossa consciência adormecida perante tantos dramas, como diz o Papa, tornemo-nos “missionários da misericórdia” encarnando na nossa vida a compaixão e a misericórdia de Deus que vimos na vida de Jesus e no exemplo de tantos santos. Ponhamos em prática as obras de misericórdia. Elas são potenciadoras de uma transformação interior daquele que as pratica. E experimentaremos já aqui a alegria de escutar as palavras de Jesus: “Vinde benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo!”

Propostas para viver o dia em oração
- Tirar 30 minutos para fazer oração em silêncio, com o texto que me é proposto orar: (Mt 25, 31-45);
- Pedir luz ao Espírito Santo, porque Ele vem em meu auxílio, para me ajudar a rezar;
- Pensar nas minhas necessidades maiores neste momento. O que preciso deixar envolver na misericórdia de Deus? Fazer experiência concreta do Seu Amor naquilo que mais preciso;
- Pensar em alguém próximo que está a viver momentos difíceis, por solidão, doença, necessidades materiais, desânimo, ou outro motivo. O que tenho feito por ele/a? Como me tenho aproximado? 
- O que posso fazer de concreto para o/a ajudar? Pedir luz a Deus.
- Pôr em prática ao longo da semana aquilo que foram as luzes desta oração.
- Agradecer o momento de oração.

Para completar o retiro:
Pistas para o segundo dia de retiro online de Quaresma:
Retiro online de Quaresma, 2.º dia: As três tentações de Jesus e uma quarta tentação, minha


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