Bom dia, Pai.
Obrigada Senhor por este novo dia! Obrigada porque é um dom podermos começa-lo todos juntos. Pedimos-Te Senhor pela vida de cada um, pelas circunstâncias que cada um vive e que só Tu conheces. Que saibamos estar unidos a Ti, que saibamos escutar a Tua voz durante este dia: no trânsito, durante o trabalho, nas pessoas com quem vamos estar, trabalhar, na nossa casa. Que este dia seja um dia em que nos possamos sentir próximos de Ti nas nossas dificuldades, nas nossas próprias tentações.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Ámen.
A Palavra de Deus (Mt 4,1-11)
Então, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães.» Respondeu-lhe Jesus: «Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.» Então, o diabo conduziu-o à cidade santa e, colocando-o sobre o pináculo do templo, disse-lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito: Dará a teu respeito ordens aos seus anjos; eles suster-te-ão nas suas mãos para que os teus pés não se firam nalguma pedra.» Disse-lhe Jesus: «Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!» Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: «Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» Então, o diabo deixou-o e chegaram os anjos e serviram-no
Pistas de oração
A leitura de hoje fala das tentações a que Jesus foi submetido e como Ele soube reagir a cada uma delas. A propósito desta Leitura o P.e Tolentino Mendonça no seu livro ‘Pai Nosso que estás no Céu’ diz que essencialmente estão três tentações em jogo: o materialismo, o providencialismo, o absolutismo e depois junta uma quarta tentação que é a soberba.
Quando olho para a minha vida, o que vejo?
Vivo demasiadamente focada(o) no material?
Vivo focada(o) no que tenho, no que quero ter, nas coisas que eu sinto que ‘preciso’ ter para ser mais ‘feliz’?
A tentação do materialismo
Esta época de crise profunda que o nosso país atravessa obrigou-nos de forma forçada a adotarmos um estilo de vida mais simples, menos ostensivo do que em anos anteriores. De qualquer maneira e talvez por isso mesmo, muitas vezes podemos focar-nos no que antigamente tínhamos e que deixamos de ter: o ordenado que tínhamos, as coisas que podíamos comprar, as viagens que podíamos fazer – enquanto agora parece que ganhamos cada vez menos e as despesas são maiores. O que quero dizer com isto é que apesar de na prática termos menor capacidade ou poder de compra nem por isso somos menos ‘materialistas’, porque mesmo que não possamos ou devamos por exemplo comprar alguma coisa nem por isso (ou por isso mesmo), a coisa ocupa menos tempo ou importância nos nossos pensamentos – e isso torna-nos materialistas (ainda que ‘ao contrário’).
E qual é a resposta que Jesus dá?
Ele diz ‘Está escrito: nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’.
E que resposta dou EU a esta frase de Jesus?
É verdade que a Palavra de Deus, a oração, a Fé em geral e quando vivida com sentido, dá verdadeiro sentido à nossa vida, permitindo-nos permanecer no que é essencial, nas relações interpessoais, na qualidade com que construo e mantenho as minhas relações, no quanto sou capaz de ‘dar’ de mim mesma sem esperar nada em troca…
A verdade é que mais frequentemente acabamos por cair nesta tentação de dar mais importância ao que temos do que ao que somos - enquanto seres humanos, em relação à qualidade com que amamos.
A tentação do providencialismo.
Quantas e quantas vezes colocamos nas mãos de Deus a responsabilidade de literalmente mover montanhas impossíveis de serem movidas?
Como se acreditássemos nalguma força extraterrestre ou fada madrinha que pudesse alterar drasticamente a realidade. Claro que há situações limite de doença grave, de situações dramáticas em que não nos resta alternativa nenhuma do que pedir a Deus o impossível… mas a verdade é que na maioria das situações pedimos, pedimos, pedimos e negligenciamos completamente a nossa própria responsabilidade nas situações – aquilo que nós temos e devemos fazer para que as coisas mudem. Se o meu casamento está a passar uma fase difícil eu bem posso pedir de forma incansável a Deus que salve o meu casamento – mas se eu continuar de costas voltadas para o meu marido, sem sequer pensar em dar o primeiro passo para o diálogo, para a reaproximação – então estou mesmo a enganar-me a mim própria e a relação que tenho com Deus é uma falsidade…
Diz Jesus: «Não tentarás o Senhor teu Deus!»
Os filhos de Israel tentaram o Senhor, quando, por exemplo, se queixaram da falta de água no deserto (Ex 17, 7), ao dizerem: «Está o Senhor no meio de nós, ou não?» Eles duvidaram, não só da Sua presença divina, mas também do Seu cuidado providencial por eles.
A terceira tentação é o absolutismo
– o acharmos que termos domínio sobre tudo e todos nos trará algum tipo de poder, algum tipo de felicidade.
Jesus reconhece de imediato o tipo de proposta que lhe está a ser feito e declina-a-de imediato.
E nós?
Quantas e quantas vezes não vendemos a nossa dignidade, a nossa moralidade, a nossa ética em troca de algum tipo de poder, de reconhecimento, de influência?
A única coisa que estamos chamados a ‘dominar’ é o sabermos amar mais e melhor a cada dia o nosso próximo. É só isso – tudo o resto são ilusões de grandeza, que é passageira e efémera.
Jesus responde: ‘Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto’. E nós prestamos culto a quem? A quê?
A quarta tentação: a soberba
Para além das três tentações de que nos fala a Leitura, o P.e Tolentino Mendonça também nos alerta para uma quarta tentação que é a da soberba. É aquela situação em que nós achamos que estamos a ser tão ‘certinhos’, tão moralmente corretos, tão irrepreensíveis – que isso nos faz achar que de alguma maneira somos superiores aos outros – e esta tentação é especialmente dissimulada e por isso mesmo mais prevalente do que muitas vezes gostaríamos de admitir.
Para além das três tentações de que nos fala a Leitura, o P.e Tolentino Mendonça também nos alerta para uma quarta tentação que é a da soberba. É aquela situação em que nós achamos que estamos a ser tão ‘certinhos’, tão moralmente corretos, tão irrepreensíveis – que isso nos faz achar que de alguma maneira somos superiores aos outros – e esta tentação é especialmente dissimulada e por isso mesmo mais prevalente do que muitas vezes gostaríamos de admitir.
Que ao longo deste dia possamos com confiança e transparência dialogar com o Senhor sobre estas tentações, sobre estas dificuldades que todos, todos sem exceção vivemos no nosso dia-a-dia, porque simplesmente fazem parte da natureza humana.
Que nos saibamos reconhecer pecadores.
Que saibamos pedir ao Senhor que transforme o nosso coração, que nos molde mais à Sua imagem, com a Sua capacidade de amar.
Que saibamos escutar a voz acolhedora e misericordiosa do Pai quando nos abraça e diz que somos os seus filhos muito amados – sempre.
"O pecado é a banalidade do mal. A santidade é a normalidade do bem".
Propostas
para viver o dia em oração
- Programar o dia de maneira a ter pelo menos 30-60 minutos de silêncio e de oração.
- Há alguma Igreja ou Capela perto de minha casa ou do meu trabalho? Porque não tentar passar lá um bocadinho à hora de almoço ou antes de ir para casa?
- Refletir com sinceridade com o Senhor sobre estas tentações que tão frequentemente nos assolam: o materialismo, o providencialismo, o absolutismo, a soberba. O objetivo não é culpabilizarmo-nos, mas antes olhar para as respostas que Jesus deu em cada uma das situações. Como posso aprender com Jesus a dar a mesma resposta? Como posso aprender a ser como Ele?
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