Retiro online de Quaresma, 3.º dia: o verdadeiro jejum é...


Bom dia, Pai. Obrigada por nos dizeres: "Aqui estou!".
Obrigada pela Tua Misericórdia, que é isto mesmo, o quereres estar connosco, sempre, independentemente daquilo que vivemos, queremos e escolhemos. Só porque sim!
Queremos seguir-Te e viver o Teu Amor. A sério!
Queremos aprender de Ti, Jesus, a ser rosto de Misericórdia do Pai.
Queremos fazer a Tua vontade, viver como Teus filhos que somos, realizar o sonho que sonhaste para cada um de nós.
Por isso Te pedimos que nos carregues em Teus braços e que saibamos permanecer sempre aí, para que possamos chegar onde Tu nos queres levar.




 A Palavra de Deus (Is 58, 3b-11)
“Dizem-me: «Para quê jejuar, se vós não fazeis caso?
Para quê humilhar-nos, se não prestais atenção?»
É porque no dia do vosso jejum só cuidais dos vossos negócios
e oprimis todos os vossos empregados.
Jejuais entre rixas e disputas, dando bofetadas sem dó nem piedade.
Não jejueis como tendes feito até hoje,
se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto.
Acaso é esse o jejum que me agrada,
no dia em que o homem se mortifica?
Curvar a cabeça como um junco, deitar-se sobre saco e cinza?
Podeis chamar a isto jejum e dia agradável ao Senhor?
O jejum que me agrada é este:
libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas,
pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão,
repartir o teu pão com os esfomeados,
dar abrigo aos infelizes sem casa,
atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.
Então, a tua luz surgirá como a aurora,
e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se.
A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti.
Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá,
pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!»
Se retirares da tua vida toda a opressão,
o gesto ameaçador e o falar ofensivo,
se repartires o teu pão com o faminto e matares a fome ao pobre,
a tua luz brilhará na tua escuridão,
e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia.
O Senhor te guiará constantemente,
saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos.
Serás como um jardim bem regado,
como uma fonte de águas inesgotáveis.”

Pistas de Oração
O convite neste retiro é a ser “Misericordiosos como o Pai”. A viver e a ser essa Misericórdia, não apenas na Quaresma mas em todos os dias da nossa vida. Este é o caminho que o Senhor nos convida a viver, o caminho de chegar a ser, como Jesus, “rosto da Misericórdia do Pai”.

Hoje, queremos dizer-Lhe “Sim!”
Sim, Senhor, queremos seguir-Te e viver o Teu Amor que, neste ano, chamamos de Misericórdia. Queremos aceitar o Teu convite e pedir-Te que nos ajudes a descobrir a Tua vontade para as nossas vidas. Onde, como, com quem me pedes que seja misericordioso? O que precises que mude no meu dia-a-dia, para espelhar melhor a Tua Misericórdia? E afinal de contas, o que significa ser “Misericordioso como o Pai”?

A leitura de Isaías é muito, muito, bonita. E muito, muito, concreta.
E fala-nos muito de Misericórdia, desse estilo de vida explicitado em gestos, olhares, palavras, escolhas, etc., sustentado no Amor do Pai.

Isaías começa por nos falar do jejum, jejum que somos convidados a viver na Quaresma, mas que sabemos ser um estilo de vida e não apenas um parêntesis de 40 dias no resto do nosso ano. E descreve-nos o verdadeiro jejum, aquele que é isto mesmo: ser Misericórdia.

Assim, Isaías diz-nos : “(…) no dia do vosso jejum só cuidais dos vossos negócios e oprimis todos os vossos empregados”  e, mais à frente fala em “gesto ameaçador” e “falar ofensivo”…
Quais são os meus “negócios”?
Quais são as minhas preocupações?
Que critérios sigo nas minhas opções?
Que peso, que importância real, tem o outro?

Sinto que ao responder a estas perguntas só encontro uma palavra: Eu!

Eu... a quem oprimo? A quem culpo? A quem castigo com as minhas atitudes ou omissões, ainda que tacitamente? 
Para com quem tenho gestos ameaçadores (às vezes, é só aquela “boquinha” indirecta, meio a rir, mas, no fundo, bem venenosa…)? 
A quem ofendo? Como falo com os outros, especialmente com os mais próximos, aqueles tão mais sujeitos ao nosso mau feitio e/ou mudanças de humor?

Depois, Isaías escreve-nos: “Não jejueis como tendes feito até hoje, se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto. Acaso é esse o jejum que Me agrada, no dia em que o Homem se mortifica?”

A mim, este versículo ajuda-me a perceber como é importante dar sentido àquilo que fazemos, às opções que tomamos. Não só quando optamos por este ou por aquele jejum. Mas em tudo aquilo que vivemos. 
Não é jejuar porque sim. É jejuar para mais e melhor amar.
Não é desligar a televisão por puro sacrifício, mas porque dormir e descansar me ajudar amar-me mais a mim mesma e aos outros…

Por meio de Isaías, Deus fala-nos: “O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.”

E então, como me liberto? Como posso libertar o meu próximo?
Não sei se tenho de ir à prisão, até porque não posso objectivamente libertar ninguém, mas sei que posso não julgar e sei que conheço quem se encontre completamente encurralado na sua timidez ou no seu medo. Sei que há quem se sinta oprimido com a minha facilidade em “dar sentenças” e que às vezes exijo dos meus filhos como uma verdadeira tirana. Sei que sou economicamente privilegiada e cada vez há mais pessoas a precisarem de ajuda (seja nos campos de refugiados, seja aquele amigo mesmo aqui ao lado). E sei que é muito fácil desprezar, e às vezes nem disso nos damos conta, principalmente daqueles que seguem caminhos tão diferentes dos nossos – porque nós somos donos da verdade, não é?

Os sete prefixos da misericórdia
A Misericórdia de Deus, tornada visível em Jesus, tem sete prefixos:

Res-peitar o outro (dar-lhe acolhimento no peito) como um “pecador público” (dar a todos o respeito e a dignidade que merecem, pelo simples facto de serem filhos de Deus);
Des-culpar (retirar a culpa; não acusar);
Per-doar (dar com totalidade o que o outro necessita, mesmo quando a pessoa não o merece, para além da minha mágoa)
Re-conciliar (voltar a juntar; unir; criar harmonia)
Em-patizar (Deus é o Amor que quer criar laços de empatia, de partilha, de cumplicidade, de pertença, de construção de um caminho juntos)
Sacri-ficar (tornar sagrado o sacrificar-se pelos demais, dar a vida por Deus, pelo nosso melhor amigo, e dar a vida pelos nossos inimigo, em gestos muito corriqueiros, como um telefone sem tempo cronometrado, e nos momentos em que a vida se joga, como quando o outro “meteu mesmo o pé na poça”)
Com-união = comunhão - de Amor («Se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor» 1 Jo 4, 12).




Propostas para viver o dia em oração
- Programar o dia de maneira a ter, pelo menos, 30 a 60 minutos de silêncio e de oração.

- Senhor, o que me queres dizer hoje, com este retiro e com aquilo que já vivi até esta hora? O que é que nesta Leitura e nestas Pistas mais me chama a atenção? Por onde intuo, Senhor, que me chamas?

- Refletir com Senhor sobre esta Misericórdia, com que sou amada e convidada a amar, e tomar decisões: a quem tenho de salvar, libertar, desculpar, perdoar, ajudar, facilitar, alimentar; onde tenho que unir, recuperar, dar a vida, calar, etc... Concretizar e atuar!


Para completar o retiro:
Pistas para o primeiro dia de retiro online de Quaresma:

Pistas para o segundo dia de retiro online de Quaresma:

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