A Intenção do Papa para este mês é «para que as famílias em dificuldade recebam os apoios necessários e as crianças possam crescer em ambientes saudáveis e serenos»


Foto: Apostolado da Oração

A dificuldade de conciliar a vida pessoal e profissional tornou-se um drama para muitos pais, nomeadamente mães, e um dos principais motivos para ter menos filhos, adiar a maternidade ou até desistir dela.
Teresa Tomé Ribeiro, professora da Escola Superior de Enfermagem do Porto, doutorada em Bioética e mãe de oito filhos, admite que, nos dias de hoje, «não é fácil ter tempo e meios para ter filhos» num país sem políticas de apoio efetivo à natalidade e à família.


Numa entrevista centrada na Intenção do Papa para este mês – “Para que as famílias em dificuldade recebam os apoios necessários e as crianças possam crescer em ambientes saudáveis e serenos” – a investigadora sustenta que «as mães deviam ter direitos diferentes por serem mães. Não por serem mulheres. Nem simplesmente por serem mães, mas porque os filhos precisam. É fundamental uma legislação diferente para as mulheres-mães, até porque a natalidade é uma questão do interesse de todos».

Por outro lado, acrescenta, as mães deviam ter mais férias e poderem ajustá-las às pausas escolares. «Eu trabalho com comportamentos de risco na adolescência – na área da sexualidade, bullying, consumos de álcool, drogas etc. – e muitos dos problemas que surgem com as crianças e jovens, terríveis e muitas vezes irreversíveis, surgem nos períodos de férias, até nos mais curtos. As férias são períodos críticos», realça, notando que os planos de atividades para períodos de férias deviam ser muito mais acessíveis e enriquecidos.

O que acontece é que as crianças ficam muito livres e muito expostas durante estes períodos e os pais ansiosos, porque a maioria não tem possibilidade de colocar os filhos, sobretudo quando têm mais que um filho, em planos de férias pagas. É muito caro e por vezes desajustado, aponta a investigadora.

A gestão de horários laborais devia ser conforme as necessidades da família. O país não tem que funcionar das 9h00 às 17h00, sustenta a especialista, considerando que o horário laboral das mães nos primeiros anos da criança devia ser mais reduzido. Regra geral, as crianças vão muito pequeninas para as creches e ficam constantemente doentes. Depois, a mãe tem de gerir o trabalho, as faltas, a doença, o cansaço e o sentimento de penalização da criança, «o que é absurdo».

Do ponto de vista fiscal, há um conjunto de incentivos que fariam toda a diferença na vida das famílias sem prejudicar as empresas e as instituições empregadoras. Teresa Tomé Ribeiro defende que as empresas, instituições e serviços públicos que têm mulheres-mães, com filhos até à idade do terceiro ciclo, deviam ter mais benefícios fiscais. Está provado que a mulher-mãe é tão produtiva como qualquer outro colaborador.

Em termos de benefícios fiscais para as famílias, devia ser possível eleger muitas mais despesas em sede de IRS. Por exemplo, numa casa com filhos pequenos, uma empregada é essencial. Não é um luxo é uma necessidade, e essa despesa devia ser dedutível em IRS, para além de que é um posto de trabalho que se cria. Assim como alargar o teto de despesas de supermercado elegíveis no caso de famílias com filhos. São apenas pequenas mudanças, mas que teriam um enorme impacto na segurança e na sustentabilidade das famílias.

E como é que as crianças podem crescer num ambiente saudável e sereno? Teresa Tomé Ribeiro explica num interessante artigo para ler na íntegra na revista Mensageiro de Março, em «Reabilitar casas, mudar vidas». 

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