Enzo Bianchi fundou a Comunidade Ecuménica de Bose, nas
periferias de Milão (Itália). Tem membros católicos, protestantes e ortodoxos.
Homens e mulheres. Os monges e as monjas optam por um estilo de vida simples
assente na oração, no trabalho, no acolhimento, na fraternidade.
Entrevista por P.e Tony Neves (CCSP). Texto conjunto da Missão Press*, em março de 2016
Como nasceu a comunidade ecuménica de Bose?
Este nascimento não tem nada de extraordinário. No final
dos meus estudos universitários, eu tinha já traçado uma carreira política,
assumindo responsabilidades de secretário num partido político italiano – a
democracia cristã. Três meses com o Abbé Pierre e a leitura das regras de S.
Basílio foram acontecimentos que marcaram a grande viragem da minha vida, com o
abandono da política ativa. Também foi importante o facto de, na universidade,
reunir um grupo de jovens universitários protestantes, católicos e ortodoxos, o
que me deu oportunidade de ter uma atenção especial ao ecumenismo. Então eu
senti que a minha vocação era a vida monástica, mas, sinceramente, não tinha
nenhuma experiência de vida monástica. Nunca tinha estado num mosteiro, mas
conhecia o suficiente da vida monástica especialmente de S. Basílio e S. Bento.
Em Bose, fiquei três anos sozinho até que, no verão de
1968, um jovem italiano, um jovem suíço e uma jovem italiana vieram ter comigo
e me disseram que podiam viver comigo e fazer comunidade. Levamos uma vida
pobre, sem electricidade (chegou em 1978). Em Novembro de 1968, começámos 4 e,
pouco a pouco, foram chegando outros. Passados cinco anos, em 1973, fizemos os
votos de profissão monástica baseados na regra que eu tinha escrito e tínhamos
adoptado como regra de comunidade. E a partir daí fomos crescendo
extraordinariamente, pois outras pessoas foram chegando e integrando a
comunidade. Actualmente, somos 95 membros. Além de Bose, temos quatro
fraternidades.
Como é o dia a dia da comunidade?
Vivemos do trabalho, temos o ofício de leitura, como os
monges. Quanto à vida comunitária, o que é mais particular é que somos homens e
mulheres que vivem lado a lado. Partilhamos a mesma oração, mas temos espaços
de habitação diferentes. Fazemos apenas uma ou duas refeições em conjunto
durante a semana. Existe pois uma estrutura paralela entre homens e mulheres,
mas autónoma. E a comunidade é constituída de católicos, protestantes e
ortodoxos. Penso que será a única comunidade monástica com estas
características. Estamos sempre de portas abertas para acolher quem chega.
O que melhor vos caracteriza?
A nossa regra assenta no celibato e na vida de comunhão,
até morrer. Claro que na comunidade os bens são comuns e partilhados por todos
e fazemos o voto de obediência à comunidade, à regra de vida, ao prior. Por
isso, fazemos uma vida em comum com a mesma regra, o mesmo envolvimento. Não
temos iniciativas pastorais, fazemos a Lectio
Divina, acolhemos quem chega. O que verdadeiramente é importante para nós é
a humanidade simples partilhada pelo trabalho, trabalhando com os outros e
acolhendo quem nos visita. O que ganhamos é o fruto do nosso trabalho manual.
Quanto às fraternidades fora de Bose, todas elas estão inseridas na diocese
local, pois não queremos fazer nada que vá contra a hierarquia.
* Formam a Missão
Press:
Além Mar e Audácia (Missionários Combonianos)
Boa Nova e Voz da Missão (Sociedade Missionária da Boa Nova)
Fátima Missionária (Missionários da Consolata)
Evangelizar Hoje (Irmãs Missionárias Combonianas)
Ecos das Missões (Irmãs Missionárias de S. Pedro Claver)
Missão OMP (Obras Missionárias Pontifícias)
Ação Missionária (Congregação do Espírito Santo)
Folha dos Valentes (Congregação dos Sacerdotes do Sagrado
Coração de Jesus - Dehonianos)
Contacto SVD (Missionários do Verbo Divino)
Igrejas Lusófonas (Fundação Fé e Cooperação)


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