Jesus Cristo escreve na terra uma nova Lei, a última Lei: a Lei do amor - comentário ao evangelho do V domingo da Quaresma
É impossível temer um olhar cheio de amor. Quantos homens e mulheres se sentiram amados por Jesus Cristo, quando expostos ao seu olhar! Jesus ama o pecador, faz com que se levante, oferecendo-lhe uma nova
oportunidade.
Referências bíblicas
1ª leitura: Isaías 43,16-21 - «Eis que farei coisas novas,
darei de beber a meu povo»
Salmo: Sl 125(126) - Maravilhas fez connosco o Senhor,
exultemos de alegria!
2ª leitura: Filipenses 3,8-14 – «Por causa de Cristo, eu
perdi tudo, tornando-me semelhante a ele na sua morte»
Evangelho: João 8,1-11 - «Quem dentre vós não tiver pecado
seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra»
P.e Marcel Domergue, SJ (+1922-2015), no sítio Croire
«Vou realizar algo de
novo, que já está a aparecer: não o notais?»
Esta expressão, retirada da primeira leitura, combina bem
com as últimas linhas da segunda, em que Paulo diz: «Esquecendo-me daquilo que
está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta,
para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus.»
O que havia Paulo deixado
para trás?
O que tinha vivido até ali. E, em particular, como podemos
ler no início desta passagem: uma vida centrada na «obediência à Lei de Moisés».
O que vem à frente de
Paulo?
A fé em Cristo e a justiça que Ele nos traz.
A lei e o Autor da
lei
Com Paulo aprendemos a deixar de obedecer à letra, para
passar a viver uma comunhão pessoal com Cristo.
E isto que traduz o que é o amor: não se trata de um dever,
mas de uma comunhão.
«Escreveu com o dedo»
No relato bíblico, vemos Jesus inclinar-se para
"escrever com o dedo sobre a terra" (tradução literal).
Deus inclina-se sobre nós, sobre a terra de onde viemos e
para onde haveremos de voltar. E escreve: “Escreve com o dedo.”
A expressão "escreve com o dedo" aparece somente outras
três vezes nas Escrituras.
A primeira, em Êxodo 31, 18: o dedo de Deus escreveu a Lei
sobre as tábuas de pedra.
Deuteronómio 9, 10 repete a mesma cena.
Daniel 5 mostra a mão de Deus a escrever no muro do palácio
real as três palavras que significam a condenação do rei Baltazar, em nome da
Lei de Deus.
Agora, Jesus escreve sobre a terra uma nova Lei, a última
Lei: a Lei do amor
A nova Lei
A mulher adúltera está sozinha…
Mas a Lei de Moisés prescreve também ao homem a condução à
morte (Levítico 20, 10)...
As palavras de Jesus transferem o foco da mulher para os que
a querem lapidar. E são eles mesmos confrontados com a Lei de Moisés: «Quem
dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.»
Mas Jesus, o único ali que não tem pecado – talvez também
estivesse a Sua Mãe na mesma condição – não move a mão para atirar uma pedra.
Ele mexe as areias para escrever a nova Lei, a lei do perdão por amor.
Os nossos adultérios
O povo hebreu é admoestado muitas vezes por adultério na
forma de abandono: abandona Deus para seguir
outros deuses.
Atualmente, são muitos os nosso adultérios na forma de
outras idolatrias: idolatria do dinheiro, da notoriedade, do consumo, do poder,
do dinheiro…
E há a idolatria da "justiça", no sentido de que
desejamos e até mesmo exigimos que os culpados sejam punidos.
A sentença final
Teremos de descobrir que só condena quem é tão pecador
quanto o julgado.
Saboreemos a ternura tranquila do diálogo final entre Jesus
e a mulher, que lhe restitui a dignidade de pessoa.
Saíamos dos domínios do justo e do injusto, para penetrarmos
no Paraíso do amor verdadeiro: o do perdão por amor.

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