O encantamento mágico de ser pai




A 19 de março celebra-se o Dia do Pai. A Audácia (revista missionaria infantojuvenil), em parceria com a comunidade evangelizadora na Internet iMissio, convidou 31 pais a partilhar a sua experiência de paternidade.

O motor desta iniciativa é a certeza de que o testemunho é a melhor forma de educar e a partilha é uma das melhores estratégias de enriquecimento mútuo.

Foi sugerido que cada pai dissesse o que é ser pai na sua perspetiva; relatasse uma experiência marcante enquanto pai e deixasse uma mensagem de esperança para todos os pais ou que desejem sê-lo.

De 1 a 31 de março serão publicados os testemunhos, um por dia, na página de Internet da Audácia: www.audacia.org, e do iMissio: www.imissio.net e nas páginas de Facebook: Audácia –revista missionária infantojuvenil e iMissio.

Hoje, o escritor e filósofo José Luís Nunes Martins assina o primeiro texto:

Fonte: Audácia e iMissio

Talvez a família seja uma casa com paredes duplas: pai e mãe

Com humildade, cumpre-nos deixar que os mais novos cresçam... aprendendo a partir de si mesmos.

Cuidar da nossa própria vida levará os outros a seguirem-nos nesse gesto de verdade, humildade e dignidade. Educa-se pelo exemplo, não pelo conselho.

Quantos pais são capazes de contar aos seus filhos aquelas suas estórias de meninos bem comportados e alegres, sem joelhos esfolados nem lábios beijados... com muitos castigos épicos, suportados sempre com particular heroísmo, por faltas de educação sempre mínimas... será que não se dão conta que estarão a ensinar os seus filhos a mentir?

Podemos chamar os nossos filhos hoje mesmo e contar-lhes, atendendo às suas idades, a maior e mais bela série de aventuras e desventuras que conhecemos: as verdadeiras histórias das nossas férias.

No nosso país há sol e ar puro, montanhas e mar... há espaço e tempo de sobra para que uma criança faça o seu caminho e nele aprenda a fazer-se feliz. É preciso deixá-la em paz... promover a sua autonomia. Encararmos, todos (a começar por nós mesmos), as dependências como algo mau. Não se trata pois de lhes oferecer banhos em piscinas de cinco estrelas ou brinquedos de alta tecnologia... trata-se, sim, de lhes dar o que de mais valioso há: a vida deles... inserindo-os numa família onde há verdade... onde todos são de carne e osso. Um porto onde serão sempre bem-vindos com todas as suas epopeias, descobrimentos e naufrágios…

Talvez a família seja uma casa com paredes duplas. A mãe é a parede interior que inspira e orienta a interioridade. O pai é a parede exterior que protege e garante a sobrevivência... no entanto, perante a falta do outro, uma mãe é capaz de quase tudo; um pai, também.

Os filhos não devem ser nunca a segunda oportunidade para os insucessos dos pais. Acabam sim por replicar, tantas vezes, os (nossos) mesmos erros... talvez porque nunca houve coragem para lhos contarmos enquanto tal.

É assim que o verdadeiro amor se materializa... dando espaço, tempo e verdade para que o outro se possa construir... para que se faça feliz.

Uma das lições mais importantes dos bons tempos é a de que inevitavelmente chega a hora do adeus, sempre com angústias, sonhos, promessas e certezas... algumas vezes, para nunca mais voltarmos ali; outras, sim, voltaremos, porque afinal as voltas da vida escondem segredos de infinitas surpresas.

Obrigado pai por um dia ter tido a coragem de me contar os seus primeiros beijos e amores, obrigado por toda a liberdade e verdade que me ofereceu... obrigado pai por me ter ensinado com a sua vida e morte que amar também é deixar ir... obrigado a si, pai, pelo que sou. A sua neta, sorrindo, segue o caminho dela... também por si.

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