Os cinco silêncios de São José

O nome “José”, traduzido, livremente, significa “o acréscimo de Deus”. Deus acrescenta algo mais ao que já foi dito, pedido, prometido e anunciado a Maria, no dia da anunciação.

Há silêncio que não é ausência de comunicação e nem indiferença, mas plenitude, quando é ativo, fecundo, comunicativo, mistério e revelação. Assim foram os cinco silêncios de São José.

Primeiro, o silêncio de uma noite de repouso. Num quarto de dormir, em Nazaré, São José desvendo o mistério escondido no coração da sua esposa: “José, seu marido, era justo, e não querendo denunciá-la, resolveu abandoná-la em segredo” (Mt 1,19), ou seja, em silêncio. É no silêncio que este homem bom, justo e de fé decide não abandonar Maria para não lhe causar constrangimentos e danos morais. Será que sabemos silenciar para salvar vidas, proteger pessoas, defender causas?

Segundo, o silêncio da reflexão: “Enquanto pensava nisso...” (Mt 1,20). A reflexão fez São José adquirir a iluminação que precisava para curar as feridas interiores da alma e compreender a vontade Deus de Deus a seu respeito. Deus se revela a São José enquanto pensa, reflete e reza. Maria, sua esposa, também guardava todas essas coisas no seu coração (cf. Lc 2,19.51). Será que somos capazes de pensar, refletir e, silenciosamente, rezar, para entender, antes de agir, não levados pela emoção e sentimentos de revolta e de vingança?

Terceiro, o silêncio do sono da noite. Por meio do Anjo, Deus se revela a São José, consagra-o e capacita-o para a missão de tutor de Jesus: “Apareceu em sonho o anjo e disse-lhe: José não tenha medo de receber Maria com sua esposa” (Mt 1,20b). O sono na bíblia, diferente da nossa compreensão, tem valor e estado de revelação. Deus se revela no sono e, através dele, se comunica com as suas criaturas. Será que ainda sabemos sonhar e interpretar os sonhos reveladores de Deus ou perdemos a capacidade de sonhar?

Quarto, o silêncio, no qual assume o compromisso de dar nome a Jesus: “Maria dará à luz a Jesus e tu lhe darás o nome de Jesus” (Mt 1,21). Dar nome ao filho era a função jurídica do pai. A mãe dava à luz; o pai dava o nome. Assim os dois participavam, em pé de igualdade, da maternidade e da paternidade do seu filho. Além disto, o nome para o semita, diferente dos nossos, é o destino e a missão da pessoa. Aqui se revela a eloquência e a fecundidade do sonho de São José: “Jesus = Yeshuá = Deus nos salva dos nossos pecados”. São José, o primeiro a ser chamado a dar nome a Jesus, torna-se o apóstolo do evangelho. A função do missionário é dar, gravar o nome a Jesus no coração da humanidade. “Ao nome de Jesus todo joelho se dobra no céu, na terra e no inferno, e toda língua proclama: Jesus é o Senhor para a glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11). Sao José é, portanto, o primeiro anunciador, comunicador e evangelizador do santo nome de Jesus. Será que estamos dando ou tirando a oportunidade de quem ainda não crê suficientemente receber de presente o nome de Jesus?

Quinto, o silêncio que acolhe a revelação: “José, quando acordou do sono, fez como o anjo o havia mandado” (Mt 1,24). Maria, sua esposa, também disse: “façam tudo o que ele disser” (Jo 2,5). Será que somos dóceis ao Anjo e ao Espírito quando nos falam e nos orientam nos caminhos da vida? Ou não lhes estamos dando ouvidos?

Quais destes silêncios eu pratico ou tenho dificuldade de praticar?

Silenciar, ouvir Deus e agir foi o que fez São José, eis a nossa missão. Eis o que disse o Papa Francisco: “Eu gosto muito de São José porque é um homem forte e de silêncio. No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo, ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, escrevo-o num papelzinho e coloco-o debaixo de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema.”


Dom Pedro Brito Guimarães, em arquidiocese de Palmas

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