S. José, padroeiro da Igreja e dos pais. Como se afirmou a devoção na História e a palavra dos papas recentes

Estátua de S. José que está no quarto do Papa Francisco

A figura de São José, “padroeiro da Igreja”, cuja festa se celebra no dia 19 de março, foi “descoberta” pela própria Igreja com certa lentidão. Não há vestígios sobre o seu culto nos calendários litúrgicos ou nos martirológios antes do século IX. No Ocidente, o culto aparece formalmente no século XI: dedicou-se a ele um oratório na catedral de Parma (em 1074) e construiu-se uma igreja em sua honra em Bolonha (1129).

Andrea Tornielli, em Vatican Insider, 17-03-2016.

No final do século XIV, difundiu-se a festa de 19 de março dedicada ao santo, que se converteu num preceito em 1621 por decisão do Papa Gregório XV. Em 1870, o Papa Pio IX proclamou São José padroeiro da Igreja, e no ano seguinte atribuiu-lhe o direito a um culto superior aos demais santos. O Papa Francisco, com um decreto da Congregação para o Culto Divino, de 1 de maio de 2013, incluiu uma menção de São José no cânone da missa, na oração eucarística, imediatamente depois do nome de Maria e antes dos nomes dos apóstolos.

O Evangelho de Mateus

Segundo o direito hebraico Jesus pertence a uma estirpe, a davídica, por ser filho de José. O primeiro dos dois Evangelhos da infância, o de São Mateus, ocupa-se inteiramente da figura do pai adotivo de Jesus para destacar que o Menino pertence à estirpe do rei David. Nele assume uma importância particular quando o carpinteiro aceita que o menino, filho da sua jovem e prometida esposa, não é seu. José é mencionado somente nos poucos parágrafos dos Evangelhos da infância, e nunca são citadas palavras suas.

O nome «José» significa «Ele Deus] acrescentará» ou «Ele [Deus] reunirá».

A tradição idealizou a imagem de José como se fosse idoso. Baseou-se na sua completa ausência quando Jesus começa a pregação pública, aos 30 anos, deduzindo que nessa época já não estaria vivo. 
Outra razão de representar José idoso seria para evitar qualquer insinuação sobre a castidade e sobre a virgindade da sua esposa Maria.
A iconografia clássica apresenta-o, pois, bastante idoso e com um bastão.

Migrante e refugiado
José, com Maria e depois com o pequeno Jesus, foi um migrante e um refugiado. Migrante devido ao censo que o obrigou a ir de Nazaré a Belém, onde nasceu o menino nas condições precárias descritas por São Lucas. Depois refugiado, porque se viu obrigado a fugir para o Egito, atravessando a fronteira de um país tradicionalmente acolhedor, para fugir da espada dos soldados de Herodes, que tinham recebido a ordem de matar todas as crianças pequenas de Belém.

O carpinteiro

Qual era a profissão de José? No Evangelho de São Mateus (13, 55) lê-se esta definição de Jesus: «Não é este, por acaso, o filho do carpinteiro?» O próprio Cristo é definido pelo evangelista São Marcos (6, 3) como «carpinteiro». 
No Evangelho, a palavra grega usada é tékton, que, na época, indicava um operário que trabalhava com materiais duros, portanto não apenas madeira, mas também pedras, e que sabia fazer de tudo.

“Era justo”

São Mateus usa uma expressão para definir José: «Era justo.» O termo hebraico sadiq - explicam os estudiosos - significa «homem exemplar», que respeita a Palavra do Senhor.
A mesma expressão serve a São Mateus para descrever São José como «homem justo e misericordioso». Isso fica patente quando toma conhecimento da gravidez de Maria e, antes de receber a mensagem de Deus num sonho, decide repudiar a esposa, mas em segredo, para não a sujeitar à morte por apedrejamento. Não a repudia em público, não divulga a notícia da gravidez “ilegítima”. O anjo, que lhe aparece num sonho, com o seu anúncio, resolve a situação.

As palavras de Bento XVI

Numa homilia pronunciada no convento em que mora no Vaticano, o Papa emérito Bento XVI traçou um “perfil” de São José: «Por que  escolheu Deus a José? Porque José era um homem justo, piedoso. Mas também porque José era um homem prático. Além disso, necessitava-se de um homem prático para organizar a fuga para o Egito, mas também para organizar a viagem para Belém por ocasião do censo e para satisfazer todas as necessidades práticas de Jesus.»

Antes , em 19 de março de 2006, o Papa Ratzinger ressaltou a sua missão na casa de Nazaré: exerce uma paternidade plena e completa. Como pai, é servidor da vida e do crescimento. Por Jesus Cristo, experimenta a perseguição, o exílio e a pobreza, e teve de estabelecer-se num lugar diferente da sua aldeia. A sua única recompensa foi a de estar com Cristo.

O “perfil” de Francisco

No dia 19 de março de 2013, o Papa Francisco celebrou a missa para o início do seu Pontificado. Na homilia, apresentou São José como modelo de educador, que protege e acompanha humildemente Jesus no seu crescimento: «José é protetor porque saber escutar Deus, deixa-se guiar pela Sua vontade e, justamente por isso, é mais sensível às pessoas que se confiam a ele, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento ao que o rodeia e sabe tomar as decisões mais sábias. Nele vemos como se responde à vocação de Deus – com disponibilidade, com prontidão, mas também vemos qual é o centro da vocação cristã: Cristo! Protejamos Cristo na nossa vida para proteger os outros, para proteger a Criação!»

O “documento de identidade” do protetor

Com tudo o que foi dito anteriormente, é possível concluir citando algumas características do “perfil” de São José:
É um homem justo e misericordioso, capaz de ver além das convenções sociais. 
É um homem silencioso e humilde.
Está aberto às “surpresas” de Deus, aos seus planos, embora alterem a sua vida quotidiana.
É um protetor da vida, permite que Deus se faça homem, um menino inerme, «completamente dependente dos cuidados de um pai e de uma mãe» (como disso o Papa Wojtyla em Belém, em março de 2000); permite que cresça. É capaz de ser pai de um filho que não era seu. É um homem prático, capaz de ouvir a voz de Deus e de colocá-la em prática, para tomar as melhores decisões pelo bem de sua família.

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