«Vem Jesus; tenho os pés sujos. Faz-te servo por mim. Deita água na bacia. Vem lavar-me os pés.»


Ó bom Jesus!
Para nos exercitar no amor tomaste a resolução de permanecer sempre entre nós… no entanto, já pressentias a sorte que Te esperava entre os homens, as injurias e ultrajes que terias de sofrer.

Ó eterno Pai,
como pudeste permitir que o Teu filho permanecesse no meio de nós para sofrer, dia após dia, um novo género de injúrias? Ó, meu Deus! Que excesso de amor naquele filho! E que excesso também em Ti, Pai!

Ó Espírito Santo, eterno Amor! Como aceitaste que o Filho ficasse em mãos tao inimigas como as nossas? É possível que a tua ternura permita que esteja exposto a tão maus tratos? Porque é que há-de ser todo o nosso bem a sua custa?

Ó Pai santo que estás no Céu, se o Teu filho divino não deixou nenhuma coisa por fazer para nos dar a nós a plenitude da vida, e, se pelo Teu Espirito Santo nos concedes o dom de fazer memória da sua oblação nos sacramentos,
Hoje, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação, dar-vos graças sempre e em todas a parte.
Ele, verdadeiro e eterno sacerdote, 
ofereceu-Se como vitima de salvação,
instituiu a Eucaristia, o sacrifício da nova aliança, e mandou que a celebrássemos em sua memoria,
para que,
tomando o pão da vida, que é o seu corpo, neste banquete sagrado, 
e bebendo o vinho, que é o seu sangue,
imitemos a sua vida
anunciemos a sua morte,
e esperemos em alegre e ativa esperança a sua vinda gloriosa.

Concedei senhor que deste tao grande mistério possamos haurir a plenitude do amor e da vida.

«Vem Jesus; tenho os pés sujos.
Faz-te servo por mim.
Deita água na bacia. Vem lavar-me os pés.
Bem sei que é uma temeridade o que te digo, 
mas temo a ameaça das tuas palavras: «Se não te lavar os pés, não terás parte comigo».
Lava-me, pois, os pés, para que tenha parte contigo. 
Mas, que digo? Lava-me os pés? Isto pode dizê-lo Pedro que não precisava de lavar senão os pés, porque estava limpo.
Eu, pelo contrário, depois de lavado, preciso desse outro batismo de que tu falar, senhor: «Tenho que passar por um batismo».
Preciso de participar na tua paixão e morte para poder ter parte contigo para sempre.»
(Orígenes, século III)

Texto adaptado a partir de Hélder Gonçalves, iluminareaquecer.blogspot.pt/quinta-feira-santa

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