«Se criaste laços, se causaste alegria a alguém, se levaste a tua comunhão, então fizeste a mais bela profissão de fé em Deus Trindade»
Quando, no princípio, o Criador diz: «Façamos o homem à
nossa imagem e semelhança», se observarmos bem, vemos que Adão não é feito à
imagem do Deus que cria; não à imagem do Espírito que pairava sobre as águas
dos abismos; não à imagem do Verbo que desde o princípio estava junto de Deus.
Muito mais, Adão e Eva são feitos à imagem da Trindade, à
semelhança, portanto, daquela comunhão, daquela ligação de amor, da partilha.
Aqui está a nossa identidade mais profunda, o cromossoma divino em nós. No
princípio é colocada a relação. No princípio de tudo, a ligação.
No fim de um dia podes nunca ter pensado em Deus, nunca
teres pronunciado o seu nome. Mas se criaste laços, se causaste alegria a
alguém, se levaste a tua comunhão, então fizeste a mais bela profissão de fé na
Trindade.
O verdadeiro ateu é aquele que não trabalha para criar
laços, comunhão acolhimento, Quem espalha gelo em torno de si. Quem não entra
na dança das relações ainda não entrou em Deus, o Deus que é Trindade, que não
é uma complicada fórmula matemática em que o uno e o trino têm de coincidir:
«Se vês o amor, vês a Trindade» (Santo Agostinho).
Então compreendo porque é que a solidão me pesa tanto e me
faz medo: porque é contra a minha natureza. Então compreendo porque é que
quando estou com quem me quer bem, quando acolho e sou acolhido por alguém,
estou tão bem: porque realizo a minha vocação.

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