Escrito por uma mãe, este texto resume as dez coisas que não se devem dizer aos pais de uma criança portadora de qualquer deficiência.
1. “Coitadinho(a)”
Nenhum pai ou mãe quer que as pessoas sintam pena do seu filho ou filha especial. Eles querem que os filhos sintam carinho, consideração.
2. “A ‘doença’ do seu filho”
É importante cuidar dos termos que se usam: Portador de deficiência, esse é o termo correto. Usa-se, também, «com necessidades especiais» ou «criança especial», jamais doente. A não ser que a criança, nessa altura, esteja mesmo doente.
3. “Sinto muito”
Não é preciso que alguém sinta muito pesar ou dor, comiseração... Muitos pais e muitas mães são gratos pelos filhos especiais que têm, e não precisam que alguém lamente por elas. Para muitas famílias, é um período de aprendizado e crescimento.
4. “Eu não saberia lidar com uma situação dessas”
Ainda que alguém queira demonstrar grande admiração pela garra da mãe ou do pai, e mesmo dos irmãos ou outros familiares, não é correto verbalizar isso com palavras que soam a colocar-se noutro mundo. Na verdade, ninguém sabe como reagiria se tivesse um(a) filho(a) especial, o mais provável é que soubesse lidar com eles, porque na vida tudo se aprende, sobretudo quando o objetivo é melhorar a vida de um(a) filho(a).
5. “Ele parece tão normal”
As mães e os pais de crianças portadoras de deficiência têm que lidar com os conceitos “normal” e “diferente” sempre. Na verdade, na maioria das vezes, são os outros que lembram isso. Todavia, para os pais e família, todos os filhos merecem sempre e só a mesma coisa: amor incondicional. E esse amor permite, de facto, privilégios: crianças especiais merecem cuidados especiais. Se são exceção, merecem um cuidado excecional. Em suma, nenhum pai ou mãe quer que um (a) filho(a) pareça "“normal”. Cada qual é único. E só se quer que seja(m) feliz(es) tal como é(são).
6. “Nem percebi que ele tinha ‘alguma coisa’”
As boas intenções costumam "disfarçar". A maioria das famílias não se ofende quando as pessoas percebem a deficiência de um(a) filho(a). Mas podem ofender-se se lhes mentem querendo dar a entender o não terem percebido.
7. “Por que ele nasceu assim? De quem herdou a deficiência?”
Este é um campo perigoso de invadir. Muitas deficiências, acontecem por acidente genético. Isto significa que qualquer casal poderá ter um filho portador de deficiência. Pode acontecer também por acidente... É, pois, um assunto que poderá trazer à tona culpas das quais o pai ou a mãe estão a tentar livrar-se, apaziguar-se...
8. Usar o nome “retardado”
É um adjetivo bastante ofensivo para quem tem um filho com necessidades especiais. Na verdade, era melhor se fosse eliminado do vocabulário.
9. “Você vai arriscar outro filho?”
Porque não? Os filhos ditos “normais” até serão uma alegria na vida das crianças especiais.
10. Nada
Não dizer nada, não fazer perguntas soa como se a presença da criança não fizesse qualquer diferença, como se ela fosse invisível. Nenhuma mãe, nenhum pai, nenhum irmão, se ofende com perguntas educadas ou comentários gentis. Encontre-se algo positivo para falar e tudo estará bem.
Conselho simples
Agir naturalmente. Sorrir para a criança e os seus pais, perguntar o seu nome. Olhar para a criança. Não tentar desviar o olhar. É muito estranho ver uma pessoa a esforçar-se para não olhar uma criança com cuidados especiais ou, pior ainda, ver uma pessoa a olhá-la fixamente, como se nunca tivesse visto uma pessoa portadora de deficiência. Tudo o que é feito naturalmente e de boa vontade tende a funcionar bem.
Adaptação do texto de Erika Strassburger, em www.familia.com.br

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