A primeira leitura da liturgia do XVII domingo comum do ano C, Gen 18, 20-32, é sobre o valor da intercessão. Este é o mesmo tema do Evangelho (Lc 11, 1-13), em que Jesus ensina como rezar.
Na primeira leitura, o protagonista é Abraão em diálogo com Deus. Deus nunca escondeu nada a Abraão. Este foi a primeira pessoa a quem Deus revelou que iria julgar Sodoma e Gomorra.
Abraão, então, assumiu quatro atitudes:
(1) Permaneceu ainda na presença do Senhor (v. 22)
Quando consideramos alguém amigo, temos a liberdade de lhe pedir um favor e sentimos liberdade na presença dessa pessoa. Por isso, Abraão, que posteriormente foi chamado “amigo de Deus”, teve a ‘santa ousadia’ de orar ao Senhor e apresentar os seu pedido.
Só é possível agirmos assim, com liberdade na presença de Deus, quando crescemos no conhecimento Dele e percebemos o quanto Ele é misericordioso. Esse conhecimento, entretanto, só se dá quando há constância. Abraão não passeava na presença de Deus. Ele permaneceu. Ele persistiu. Ele prosseguiu. Não parou para olhar o quanto o pedido dele poderia ser ‘impossível’ aos olhos humanos. Por pior que fosse a situação, Abraão acreditou que Deus poderia mudá-la. Continuar a crero no caráter de Deus, na Sua misericórdia e amor, na capacidade Dele de resolver qualquer circunstância.
(2) Aproximou-se de Deus (v. 23)
Abraão não via o Senhor como um Juiz sem misericórdia, distante e iracundo. Ele tomou a atitude de se aproximar Dele.
Para muita gente, Deus é alguém que está tão afastado de nós, que é quase um estranho. Todavia, quando alguém vê Deus como Pai, como amigo e tem um relacionamento de comunhão com Ele, tal pessoa sente a liberdade de aproximar-se de Deus e fazer suas petições, sem constrangimento. Na prática, isso significa fazer a oração com fé.
Bíblia nos diz em Hebreus 11, 6, que o que nos leva a orar a Deus é crer que Ele dará uma resposta às nossas orações, ainda que não saibamos como será essa resposta . Os pensamentos de Deus são mais altos e Ele tem sempre a solução mais justa e amorosa possível, até quando não entendemos o porquê das coisas.
A Bíblia diz que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8, 28) e sabemos que Deus tomou a decisão de destruir aquela cidade, pois ela poderia acabar contaminando o resto da humanidade. É a velha história do “tomate podre” ou da amputação de um dedo para salvar o resto do corpo.
(3) Compreendeu melhor a mente de Deus
Não foi a oração de Abraão que fez Deus mudar de ideias, mas Deus, através da busca sincera do patriarca, pôde revelar-Se a ele e mudar os seus pensamentos. Abraão chegou a fazer o pedido, pois sabia o quanto misericordioso Deus era. No final da sua intercessão, Abraão percebeu que além de misericordioso, Deus era justo e bondoso.
As nossas orações não farão Deus mudar de ideias, mas poderão mudar os nossos pensamentos assim como as orações de Abraão mudaram os dele. A oração ajuda-nos a entender melhor a mente de Deus.
Deus não tem prazer em destruir as pessoas más, porém Ele precisa punir o pecado. Ele é tanto justo quanto misericordioso. Devemos expressar nossa gratidão a Deus, pois essa mesma misericórdia chegou até nós e nos alcançou através de Jesus.
Ele concedeu aos homens de Sodoma e Gomorra um teste justo. Ele não ignorava, nem ignorou, as práticas malignas dos habitantes da cidade, mas na sua justiça e paciência, Deus ofereceu ao povo de Sodoma uma última oportunidade de arrependimento. Ele ainda está à espera, dando às pessoas a oportunidade de se voltarem para Ele (2 Pe 3, 9).
(4) Entendeu que as respostas de Deus são provenientes da perspectiva do próprio Deus
Deus mostrou a Abraão que é permitido pedir qualquer coisa, desde que se tenha o entendimento de que as respostas de Deus virão do ponto de vista do próprio Deus. Nem sempre elas estarão de acordo com as nossas expectativas, pois somente Ele conhece toda a história.
Será que por vezes não nos apercebemos da resposta de Deus a alguma oração porque não considerámos qualquer resposta possível diferente da esperada?
Walquíria Paiva, em http://bloguinhocristao.blogspot.pt

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