Mas, como é verdade que «Deus todo-poderoso (...), sendo soberanamente bom, nunca permitiria que qualquer mal existisse nas suas obras se não fosse suficientemente poderoso e bom para do próprio mal, fazer surgir o bem» (Santo Agostinho), Ele mesmo enviou, na plenitude dos tempos, o seu Filho, para redimir não só o homem, mas também todas as suas relações, de que se sobressai a união entre o homem e a mulher. Elevando o matrimónio à dignidade de sacramento, Nosso Senhor fez da aliança conjugal um sinal de Seu amor pela Igreja e um meio para a santificação e o crescimento mútuo dos esposos.
Equipe Christo Nihil Praeponere em https://padrepauloricardo.org
Dicas para fazer da família uma Igreja doméstica
1. Ninguém pode saciar plenamente o coração
Muitas pessoas casam-se para “serem felizes”, com a esperança de que o esposo ou a esposa as completem e montem para elas um “pequeno paraíso” nesta terra. Após um tempo, quando elas caem em si e percebem que o paraíso prometido não veio - e nem virá -, sobrevém o desespero e a desilusão.
A família que entra nesta crise deve entender que nenhuma criatura pode saciar a sede de infinito do coração humano. Este só se realiza quando encontra o único Outro que o transcende: Deus.
Mais do que ser companheiro para uma pessoa do sexo oposto, o ser humano foi «constituído à altura de ‘companheiro do Absoluto’», como ensinou São João Paulo II. Mais do que um pacto matrimonial, a pessoa foi feita para uma aliança eterna com Deus.
2. Homens e mulheres são real e profundamente diferentes
Não se pode labutar pela harmonia entre homem e mulher negando as diferenças evidentes entre os sexos, nem classificando-os consoante critérios humanos: local de nascimento, riqueza, sabedoria, religião...
Nenhum deles pode reclamar propriedade sobre o outro nem exigir servilismo. Eles completam-se e servem-se segundo a lei do amor.
3. Amar-se mutuamente como Cristo amou a Igreja
O pacto matrimonial é uma aliança de sangue, pela qual os esposos dizem um ao outro: «Eu derramo o meu sangue, não desisto de ti.»
Para o bem da pessoa amada, na verdade, tanto o homem quanto a mulher devem fazer o que for preciso, mesmo que isso custe fazer o que não se quer. Muitas contendas entre os casais começam justamente porque um não é capaz de “dar o braço a torcer” em favor do outro. Sacrificam-se, então, a paz e a harmonia entre os dois, para satisfazer as próprias veleidades, ao invés de se sacrificar a própria vontade em favor do outro.
Também para o casamento vale o critério de Nosso Senhor: «Quem alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-Me.»
4. Deus deve ser o centro da vida e dos dias
Não adianta morrer um pelo outro se, primeiro, não se ama a Deus.
Para amar alguém, primeiro é preciso conhecê-lo. Uma vez conhecido o grande amor com que Deus nos amou, então, é preciso que o casal O ame de volta, mudando toda a sua rotina e a sua vida para colocá-Lo no primeiro lugar de tudo. Se de manhã se acordava correndo para ir ao trabalho, urge levantar um pouco mais cedo, para oferecer a Deus o que dia que começa - e, quem sabe, até participar da Santa Missa. Se à noite a família se reunia para assistir à TV e acabava vendo programas que não prestam - como são as novelas -, por que não começar a rezar o Santo Terço em família? Se o domingo tem sido tão somente o “feriado”, com passeios e viagens, está na hora de transformá-lo realmente em “dia do Senhor”, levando toda a família para um encontro com a melhor de todas as famílias, que é a Igreja.
5. O sexo não é um parque de diversões
A Igreja, ao mesmo tempo em que valoriza a sexualidade como um dom precioso do Criador, reconhece que “a sexualidade é fonte de alegria e prazer”. Com isso, ela não pretende dar aos seus filhos uma autorização para que, depois de casados, façam o que bem entenderem um com o outro, mas que vivam o sexo de forma equilibrada, mantendo-se, na expressão do Papa Pio XII, “dentro dos limites duma justa moderação”.
É preciso desmascarar a ideia, que alcançou sucesso com a Revolução Sexual, de que o sexo seria como um parque de diversões, o qual se buscaria tão somente para o prazer próprio e para a satisfação dos próprios caprichos. Isso não é o sexo, mas a sua perversão. A relação sexual foi concebida por Deus para unir os esposos, mas também para gerar vidas. Por isso, sexo significa, antes de qualquer coisa, família.
De facto, na família, todos vivem - ou deveriam viver - como numa “ilha de paz”, de modo a afastar do pensamento o adultério, o incesto, a pedofilia...
E, quando os cônjuges envelhecerem, por exemplo, vão-se embora com o tempo não só o vigor da juventude, como também os atrativos físicos do outro. Se o relacionamento está baseado só no sexo, essa é uma péssima notícia. Se desde o começo se treinou - como diz o Apóstolo - “o amor tudo suporta”, ganham novas dimensões as outras formas de amar, inclusive a continência sexual.
6. Estejam sempre abertos ao dom dos filhos
Quando um casal deliberadamente se fecha à transmissão da vida, inicia um círculo de egoísmo e morte que destrói pouco a pouco a si mesmo.
Para entender a imperiosidade deste ensinamento, basta olhar para a natureza do ato sexual, que foi concebido pelo Criador tanto para unir os esposos quanto para torná-los participantes de Seu poder criador, na geração dos filhos.
E, para quem argumenta que “filho dá despesa”, o Catecismo da Igreja Católica responde dizendo que “o filho não é uma dívida, é uma dádiva”.

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