1) Não fui procurado
Essa desculpa clássica está nos lábios daqueles que veem
alguém precisando de algo bem debaixo de seus narizes, mas não estendem a mão
porque precisam ser comunicados como que “oficialmente”. A pessoa precisa
pedir, implorar. Precisa se humilhar. Precisa clamar. Mas a Bíblia diz o
contrário: “Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando na tua mão o
poder de fazê-lo” (Provérbios 3, 27).
2) Não receberei nada em troca
No mundo, muitas pessoas ajudam esperando algo em troca, é
uma troca de favores apenas. Porém, os verdadeiros discípulos de Cristo fazem sempre
pelo próximo aquilo que podem, sem esperar nada em troca, pois o “tesouro” vem
de Deus e não dos bens que a terra pode proporcionar.
3) Não sei como ajudar
Algumas pessoas até têm boa vontade, mas esbarram na
desculpa de não saberem como ajudar. O princípio da ajuda é que ofereçamos
aquilo que podemos e que temos em nossas mãos, ao nosso alcance: “Servi uns aos
outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4, 10). Se não sabemos, precisamos passar a
saber, o que não é tão difícil assim.
4) Não tenho tempo
Essa é a clássica desculpa que pouca gente ousa questionar.
O nosso tempo é valiosíssimo e, geralmente, não queremos usá-lo com o próximo,
a menos que tenhamos alguma vantagem nisso (esse é um pensamento de alguém
longe do evangelho). Quando alguém diz que não tem tempo para o próximo está
confessando que realmente está com a sua espiritualidade morta, pois só os
mortos não têm mais tempo para agir nessa vida. E, claro, a Bíblia diz
claramente que a fé sem obras é morta (Tiago 2, 26)
5) Acho que “ele” não merece
Julgar o merecimento de quem precisa de ajuda é outra
desculpa cruel. A julgar pelo merecimento, creio que nenhum de nós poderíamos
ser ajudados, pois todos temos os nossos erros, uns mais, outros menos. Com
relação a isso a Palavra de Deus é clara: “Pelo contrário, se o teu inimigo
tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber…” (Romanos 12, 20).
6) Não tenho condições
Outra desculpa clássica para encobrir o real motivo de
corações duros. É evidente que alguns tipos de ajudas não teremos condições de
prestar. Mas alguns fazem dessa desculpa uma resposta padrão que dão a todos
que clamam por ajuda. O facto é que todos temos algo a oferecer. E mais: Às
vezes o pouco feito de coração é muito diante de Deus: “Viu também certa viúva
pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que
esta viúva pobre deu mais do que todos” (Lucas 21, 2-3). Outro ponto importante
é que devemos focar no que temos, não no que não temos para oferecer: “Pedro,
porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou:
em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (Atos 3, 6).
7) Vai dar muito trabalho
A lei do menor esforço geralmente entra em ação quando o
assunto é ajudar ao próximo. Não visualizamos o bem do próximo, mas o cansaço
que a ajuda poderá nos trazer. Isso equivale a não ir fazer uma viajem dos
sonhos porque será cansativa em alguns momentos. Perdemos a bênção de fazer a
vontade de Deus e abençoar o próximo por preguiça.
8) Deus vai ajudá-lo
Mais uma daquelas desculpas clássicas que colocam aos ombros
de Deus aquilo que deveria ser feito por nós. É como aqueles que culpam a Deus
por todo o mal do mundo e não aos seres humanos que não seguem a vontade de
Deus e praticam o mal. Deus ajuda sim, mas os instrumentos de ajuda somos nós:
“Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do
alimento quotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos
e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o
proveito disso?” (Tiago 2, 15).
9) Cada um com seus problemas
Essa é uma frase que tem sido muito falada atualmente.
Interessante é que quando nós é que precisamos de alguma ajuda, geralmente não
achamos que é “cada um com seus problemas”, antes, queremos que alguém nos
estenda a mão. Uma hipocrisia grandiosa. Alguns problemas são sim particulares,
porém, a maioria deles oferecem sim espaço para que ajudemos de alguma forma
aquele que sofre.
10) “Ele” encontrará outra pessoa para ajudá-lo
Essa última desculpa equivale ao “lavar as mãos” que Pilatos
fez diante de Jesus e do povo. É se eximir, tirar o corpo fora baseado na
expectativa (talvez falsa) de que a pessoa achará outro alguém para lhe
estender a mão. Nem sempre isso acontece. Às vezes é a nossa mão que Deus quer
usar e não a de outra pessoa. Na parábola dos talentos, o Senhor cobra de cada
um que recebeu talentos que prestem contas do uso ou não uso dos talentos. Usar
o nosso ou nossos talentos é uma responsabilidade que cabe a nós, não ao outro.
“Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés,
também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” (Jesus Cristo em João 13, 14)
Presbítero André Sanchez, em https://www.esbocandoideias.com

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