5 mitos sobre a educação dos filhos


Po Bronson e Ashley Merryman, no livro «Filhos – Novas Ideias sobre Educação», reuniram pesquisas, feitas em maioria nos Estados Unidos e Canadá, que contradizem várias práticas do senso comum na educação das crianças:

Elogiar pode tornar a criança menos confiante 
Elogiar a criança a todo tempo pode ser um tiro que sai pela culatra. Segundo uma pesquisa realizada ao longo de 10 anos por um grupo da Universidade de Columbia, crianças que são elogiadas demais por sua inteligência tendem a desistir mais fácil quando se deparam com um desafio. Segundo os autores explicam em "Filhos: Novas Ideias Sobre Educação", o melhor é elogiar a criança por seu esforço em resolver um problema - e não por sua inteligência, o que a deixaria mais preocupada em "manter" o status de inteligente do que em tentar encarar novidades fora de sua zona de conforto.

Dormir uma hora a menos faz muito mal às crianças 
Muitos pais preferem colocar as crianças na cama um pouco mais tarde, até mesmo para poderem conviver um pouco mais de tempo com elas quando chegam tarde do trabalho. Meia horinha a menos não faz diferença, costumam pensar. Mas não é bem assim. "Como o cérebro se desenvolve até os 21 anos de idade, e porque muito desse processo ocorre durante o sono, essa hora perdida aparentemente tem um impacto exponencial em crianças e jovens, o que não ocorre com um adulto", explicam os autores no livro.
Ignorar uma mentira falada pela criança a estimula a mentir mais 

Até mais ou menos os quatro anos de idade, a criança não diferencia fantasia e realidade - portanto, quando mente, não é preciso repreendê-la.
Certo? Não. As pesquisas reunidas no livro mostram que ignorar as 'mentirinhas' das crianças menores só as leva a manter o padrão pelo resto da infância - e, às vezes, pelo resto da vida. "(...) Em menos de 1% dos casos um dos pais aproveita a oportunidade para ensinar que não se deve mentir. Em geral, o pai ou a mãe censura a falta cometida, mas não o fato do filho tentar acobertá-la. Do ponto de vista da criança, sua tentativa de mentir não implica nada", alertam Po e Ashley no livro.
Para os pesquisadores, o importante é mostrar às crianças o mal que as mentiras fazem - e não só ensiná-las que serão punidas se disserem mentiras, pois assim elas não deixam de mentir - apenas passam a mentir com mais eficiência, para não serem apanhadas.

A rivalidade entre irmãos não é motivada pela disputa da atenção dos pais 
Segundo as pesquisas reunidas por Po e Ashley, os irmãos são uma espécie de prisão sem saída para as crianças. Elas tratam bem os amigos porque sabem que dependem disso para manter a amizade, mas entendem que os irmãos sempre estarão lá - e assim podem se acostumar a tratá-los de forma inadequada, provavelmente porque são obrigados a dividir suas coisas com eles. A diferença de idade, ao contrário do que se imagina, tampouco acirra as disputas.

Filhos adolescentes de pais mais liberais não mentem menos 
Adolescentes mentem para evitar desapontar seus pais. "Sonegando informações sobre suas vidas, os adolescentes delimitam seu domínio social e criam uma identidade própria, independente dos pais ou de outro adulto que represente autoridade", dizem os autores em capítulo do livro. Portanto, quando tomam a iniciativa de serem sinceros - mesmo sabendo que isso pode trazer problemas - os adolescentes estão respeitando os pais e estabelecendo uma relação construtiva com eles.

Clarissa Passos, iG São Paulo | 4.6.2010

Comentários