Uma das conversas mais frustrantes entre pais e filhos é aquela que acontece no carro, depois de um dia de escola, ou à mesa do jantar, quando a família está reunida. Muitos pais queixam-se de que as crianças não desenvolvem muito quando lhes perguntam "como é que foi o teu dia?" ou "como é que correu a escola?". O problema estará mesmo nas crianças?
Pense em qual é a sua resposta quando lhe fazem, a si, a mesma questão. A maior parte das pessoas responde "foi bom" ou diz que "correu tudo bem". Porquê que esperamos, então, um comportamento diferente por parte dos nossos filhos?
O problema está na pergunta, tantas vezes sentida como impessoal. Mas e se tentarmos outras vias, colocar diferentes questões? A Pumpkin deixa-lhe algumas ideias para tentar com a sua família.
Altos e baixos
1. Qual foi a coisa mais divertida que te aconteceu hoje?
2. Alguém fez algo muito querido por ti?
3. Qual foi a coisa mais querida que fizeste por alguém hoje?
4. Quem é que te fez sorrir hoje?
5. Houve alguém que se portou mal contigo?
6. O que é que aprendeste hoje nas aulas?
7. Qual foi a aula que achaste mais difícil hoje?
8. Qual foi o momento em que te sentiste mais orgulhoso de ti hoje?
9. Houve alguma regra da professora que tenhas sentido dificuldade em respeitar?
10. Numa escala de 1 a 10, como é que classificas o teu dia? Porquê?
Estas perguntas, sobre os melhores e piores momentos de cada dia, como são muito específicas, ajudam as crianças a articular os altos e baixos que viveram, mas não só: criam uma janela de oportunidade para tentar encontrar soluções de forma a que as coisas que correram menos bem possam ser ultrapassadas. Ao mesmo tempo, se os pais falarem também dos melhores e piores momentos do seu dia, este tempo de partilha promove a escuta e a atenção recíproca. Podem aproveitar para criar o exercício da felicidade: todos os dias, falem sobre o momento mais feliz que vos aconteceu, como encontrar uma amiga que não vêem há muito tempo ou receber um Muito Bom no teste de Português, e anotem esse acontecimento num pedaço de papel. Arranjem um Pote da Felicidade e escolham um dia do ano para o abrir e ler todas as memórias felizes. Podem fazê-lo a 1 de Janeiro, como forma de inspiraração para o novo ano!
Estimular a curiosidade e o interesse
11. O que é que comeste ao almoço? Era bom?
12. Qual dos teus professores era mais capaz de sobreviver a uma invasão de extraterrestres? Porquê?
13. Há algum colega de quem gostasses de ser amigo mas ainda não és? Porquê?
14. Se um dos teus professores pudesse ser o professor amanhã, qual é que preferias que fosse escolhido? Porquê?
15. E se fosses tu o professor amanhã, o que é que ensinavas aos teus colegas?
16. Tiveste aula de música/EVT hoje, não foi? Qual é o projecto no qual estás a trabalhar?
17. Se tivesses uma máquina do tempo que te permitisse andar para trás no tempo, mudavas alguma coisa no dia de hoje?
18. Qual é o teu colega mais divertido?
19. Houve algum colega mais triste hoje?
20. Qual é a auxiliar mais querida e o professor de que mais gostas?
Demonstre interesse pelas particularidades da vida escolar do seu filho. Quem é que o rodeia, quais as pessoas com a qual ele se identifica, quem são os amigos mais próximos: entre na sua realidade, conheça-a, pergunte e fique para ouvir a resposta. Estimule depois a curiosidade do seu filho, pedindo-lhe que faça perguntas semelhantes sobre si, o seu trabalho - esta é uma oportunidade única de descobrir as coisas que sempre quis saber!
Às vezes, fazer apenas uma destas perguntas já quebra o silêncio e o gelo e ajuda a estimular o diálogo. Conversa puxa conversa, sempre ouvimos dizer! Por isso, guarde as outras perguntas para outros dias... Fazem sempre falta!

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