«Evangelizar é dar testemunho: eu vivo assim, porque creio em Jesus Cristo; e, desse modo, desperto nos outros a curiosidade»
A evangelização faz-se com o testemunho e depois com a palavra, prestando atenção para não cair na tentação de se reduzir a funcionários que dão passeios ou fazem proselitismo, foi a mensagem do Papa Francisco na missa em Santa Marta no dia 9 de setembro de 2016.
O Pontífice, referindo-se à primeira leitura proposta pela liturgia (1 Coríntios 9, 16-10.22-27), refletiu: «Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Corinto, começa assim o seu raciocínio: "Irmãos, o que é evangelizar? Anunciar o Evangelho não é para mim vanglória." Portanto, não nos enalteçamos "por ir evangelizar: vou fazer isto, vou fazer aquilo", como se evangelizar fosse "dar um passeio". Seria como "reduzir a evangelização a uma função: eu tenho esta função".» E «estou a falar» – observou o Papa – «de coisas que acontecem nalguma paróquia no mundo, quando o pároco tem sempre a porta fechada».
«Também pode acontecer», prosseguiu Francisco, que se encontrem «leigos que dizem "faço esta escola de catequese, faço isto e isto..."», reduzindo deste modo aquilo a que eles chamam evangelizar a uma função.» Talvez enaltecendo-se «ao dizer "eu desempenho esta função, sou um funcionário catequista, sou funcionário disto, daquilo... e depois continuo a minha vida".»
É precisamente esta a atitude de quem se vangloria, insistiu o Papa, «reduzir o Evangelho a uma função ou também a uma lisonja: “vou evangelizar e levei tantos para a Igreja”». E também «fazer proselitismo é vangloriar-se». Ao contrário, «evangelizar não significa fazer proselitismo». Mais: evangelizar nunca «é dar um passeio; reduzir o Evangelho a uma função; fazer proselitismo».
Que significa deveras evangelizar, explicou o Pontífice, repete-o eficazmente são Paulo: «Para mim anunciar o Evangelho não é um título de glória, é antes uma necessidade que se me impõe.» Com efeito, insistindo sobre as reflexões paulinas, o Papa afirmou que «um cristão tem a obrigação, mas com esta forma, como uma necessidade, de levar o nome de Jesus, mas do próprio coração.» E frisou as palavras claras do apóstolo: «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!»
A partir da admoestação «Ai de mim», advertiu Francisco: «Se dizes que és católico, que recebeste o batismo, que és crismado, deves ir além e levar o nome de Jesus: é uma obrigação!»
As indicações concretas de Paulo, prosseguiu Francisco, levam-nos a questionar-nos sobre qual deva ser o nosso «estilo de evangelização». Em síntese, «como posso ter a certeza que não estou a dar um passeio, ou a fazer proselitismo, ou a reduzir a evangelização a um funcionalismo? Como posso compreender qual é o estilo justo?»
É sempre Paulo quem responde: «Fiz-me tudo para todos.» Isto significa «ir e partilhar a vida dos outros, acompanhar no caminho da fé, fazer crescer no caminho da fé.» Por exemplo, «com os irmãos devemos por-nos na sua mesma condição e, se ele estiver doente, aproximar-nos, não o enfadar com conversas; estar próximo dele, assisti-lo, ajudá-lo».
Sintetizando, para responder à pergunta sobre o estilo que deve ser usado para anunciar o Evangelho, Francisco respondeu que se evangeliza precisamente «com esta atitude de misericórdia: fazer-se tudo em todos», na certeza de que «é o testemunho que leva a Palavra».
Portanto, «evangelizar é dar este testemunho: eu vivo assim, porque creio em Jesus Cristo; eu desperto em ti a curiosidade da pergunta “por que fazes estas coisas?”». E a resposta do cristão deve ser esta: «Porque creio em Jesus Cristo e anuncio Jesus Cristo, não só com a Palavra – devemos anunciá-lo com a Palavra –, mas sobretudo com a vida.»
O Pontífice afirmou ainda que «todos nós temos a obrigação de evangelizar, que não é bater à porta do vizinho e dizer: “Cristo ressuscitou!”.» É, antes de tudo, «viver a fé, falar dela com mansidão, com amor, sem vontade de convencer ninguém, mas de graça». Porque evangelizar «é dar de graça aquilo que Deus me deu de graça».

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