As comunidades católicas e a Igreja em geral têm de estar atentas às famílias em “situações dramáticas”, afirmou D. José Ornelas de Carvalho, bispo de Setúbal, na missa que encerrou a Peregrinação Internacional Aniversária de setembro, em Fátima: «Maria convida-nos a olhar para as pessoas e para os casais nestas situações dramáticas de rutura, de violência, de manipulação, de abusos, não em postura de julgamento, para condenar e estigmatizar, mas em atitude fraterna, para compreender”, declarou D. José Ornelas de Carvalho, na homilia da Missa oficial da Peregrinação Internacional Aniversária de setembro, que termina hoje na Cova da Iria e assinala a quinta aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos.
Fonte: http://www.fatima.pt
O prelado disse aos peregrinos que devem imitar a atitude da Virgem Maria e olhar “com solidariedade e misericórdia” para as famílias “em rutura”, por falta de meios económicos e, sobretudo, “por falta de amor”.
As palavras do bispo de Setúbal desafiaram os peregrinos presentes a serem capazes de, com as suas atitudes, construir uma sociedade nova, baseada em relações humanas “carinhosas e misericordiosas”, no âmbito da família, da Igreja e da sociedade ao invés de uma sociedade de fachada e de fingimento.
“Este é o caminho que a Igreja está a tentar percorrer e que, nestes últimos anos, o Papa Francisco nos vem recomendando, no seguimento da reflexão do último sínodo” sobre a família, assinalou D. José Ornelas de Carvalho.
O bispo de Setúbal referiu-se, em particular, às situações que terminam com a separação e com o divórcio, citando o Papa na Encíclica pós sinodal A Alegria do Amor para sublinhar que estes católicos “não estão excomungados”.
“Aprendamos, antes de mais, e demos espaço ao acolhimento, à solidariedade e ao encorajamento à vida e à ternura nas nossas famílias, nas suas horas felizes e, sobretudo, quando sentem o peso das dificuldades e das crises”, apelou ainda elogiando, por outro lado, o amor dos que até ao fim da vida “renovam, com carinho, a alegre partilha do amor que guiou a sua existência”.
D. José Ornelas convidou a uma mudança de relacionamentos, na família, na sociedade e na Igreja, onde “tantas vezes falta o vinho do amor, da ternura, da solidariedade”.
“A esta Igreja que, tantas vezes, organiza solenes celebrações, ritualmente perfeitas, mas onde falta o vinho da cordialidade, da atenção aos que sofrem a fome, a negligência e o abandono. Também para esta nossa Igreja, Maria olha com carinho preocupado, para nós que a constituímos. O seu olhar de mãe atenta e misericordiosa soa como desafio e encorajamento”, afirmou o bispo de Setúbal.
“Não é uma receita rápida, nem uma aplicação simples para telemóvel. Tem a ver com o coração, com a atitude de vida, a começar pelo modo de olhar e terminando na conjugação do verbo amar. É um segredo que só se aprende fazendo”, precisou.
A “receita” apresentada é válida para cada família doméstica, que enfrenta problemas, mas também para a Igreja que “ é chamada a ser família de solidariedade e de atenção aos mais carenciados, desiludidos e feridos”, adiantou ainda.
Na homilia referiu-se ao exemplo de santidade de Teresa de Calcutá, “mulher simples, mulher peregrina do mundo e das culturas” numa “autêntica atenção aos mais pobres”.
Destacando que uma peregrinação a Fátima é sempre um “convite a olhar para a nossa vida pessoal, familiar e eclesial, ajudados pela Palavra de Deus e pelo olhar lúcido e carinhoso de Maria” também hoje somos desafiados a olhar “com atenção para o jogo dos nossos relacionamentos, na família, na escola ou no trabalho, na vida social ou da comunidade cristã, deixando-nos iluminar pelo relacionamento fundamental com Deus, fonte da vida, da felicidade e da esperança”.
“Que nesta peregrinação, Maria, nossa Mãe e Mãe da Igreja, nos ajude a conjugar na vida, sobretudo nas nossas relações familiares e nas nossas comunidades cristãs, o verbo do amor, da misericórdia, do vinho novo que dá vida, alegria e esperança”, concluiu.

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