Leitura orante do 24 domingo comum: «Hino ao amor e à misericórdia de Deus»


A Liturgia da Palavra deste Domingo é um hino ao amor e à misericórdia de Deus.

1.
Introdução
A Liturgia da Palavra deste Domingo é um hino ao amor e à misericórdia de Deus. É uma descrição profunda da lógica do amor de Deus pelas suas criaturas: um amor gratuito e misericordioso. Atinge o profundo do ser humano. Se nos afastamos, Ele procura-nos. Se estamos feridos, ele cura-nos. Se desanimamos, Ele dá-nos coragem. O Seu amor e misericórdia saem sempre vencedores.
A primeira leitura diz-nos que o pecado e a aliança são incompatíveis, mas Deus arrepende-se e torna-se, outra vez, amigo do homem. Na segunda leitura S. Paulo dá-nos o testemunho desse amor. O Evangelho mostra-nos o ‘Deus misericórdia’ através das três parábolas (Lc 15).

2. 
1.ª Leitura: Êxodo 32, 7-11.13-14
Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés, dizendo: «Desce depressa, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egipto, corrompeu-se. Não tardaram em desviar-se do caminho que lhes tracei. Fizeram um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: ‘Este é o teu Deus, Israel, que te fez sair da terra do Egipto’». O Senhor disse ainda a Moisés: «Tenho observado este povo: é um povo de dura cerviz. Agora deixa que a minha indignação se inflame contra eles e os destrua. De ti farei uma grande nação». Então Moisés procurou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo: (…) «Lembrai-Vos dos vossos servos Abraão, Isaac e Israel, a quem jurastes pelo vosso nome, dizendo: ‘Farei a vossa descendência tão numerosa como as estrelas do céu e dar-lhe-ei para sempre em herança toda a terra que vos prometi’».

Pedido de Moisés
Moisés, chefe carismático, intercede pelo povo, apoiado na história de Israel, e Deus escuta-o. A infidelidade à Aliança transforma-se no pacto de amor.

3.
Salmo 116 (117)
É a oração penitencial por excelência; exprime os sentimentos do pecador que invoca humildemente a misericórdia divina e experimenta os efeitos benéficos do perdão. 
Mas o protagonista do salmo não é o pecador, mas sim o Senhor, grande no amor e infinitamente misericordioso (v. 3), que «lava» toda a iniquidade (v. 4), «cria» um coração puro (v. 12) e concede a alegria da salvação (G. Cesarin).

4.
2.ª Leitura 1 Timóteo 1, 12-17
Caríssimo: Dou graças Àquele que me deu força, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que me julgou digno de confiança e me chamou ao seu serviço, a mim que tinha sido blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, quando ainda era descrente. A graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus. É digna de fé esta palavra e merecedora de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles. Mas alcancei misericórdia, para que, em mim primeiramente, Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade, como exemplo para os que hão de acreditar n’Ele, para a vida eterna. Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Ámen.

Testemunho de amor
O primeiro dado que nos chama a atenção é o facto de Paulo acenar ao seu passado como homem frágil que passou de perseguidor a seguidor de Cristo. Ao sentir-se chamado, Paulo testemunha o amor, a misericórdia que Deus exerceu sobre ele. Paulo não se importa de se rebaixar. O que pretende é a glória do Senhor. O final das suas palavras é exuberante: “Ao Rei dos séculos…” 

5.
Evangelho Lucas 15, 1-10
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».

Finalidade das parábolas da misericórdia
Acolher os publicanos e pecadores, e rejeitar a atitude dos fariseus e escribas. Deus aparece-nos deslumbrante diante de nós. Nunca O imaginávamos assim. Não procura soluções: Ele é sentido único: misericórdia. A parábola do filho pródigo é um best-seller da literatura mundial. 

6.
Meditação
“Que Deus trago dentro de mim? Um Deus desdenhoso, distante, para o qual me viro receoso para receber um veredicto de absolvição ou de condenação? Ou o Deus sorridente, muito próximo, que me enche as mãos de dons? O Deus do tribunal ou o Deus da festa? O Pai da parábola não pronuncia veredictos, não condena e não absolve, não lhe interessa julgar, porque o primeiro olhar de Deus nunca se poisa no nosso pecado, mas poisa-se sempre no nosso sofrimento, para o curar” (Esperança que nasce da Palavra).

7.
Oração
Só o Teu amor misericordioso de Pai transforma os momentos presentes em momentos eternos. Que eu aprenda a acolher-te como a árvore e a erva do campo recebe os raios solares. Como a pomba e a lua, que eu leve em mim este pedaço de credo divino que sempre cintila de brancura. Que eu vença o mal, Senhor, misericórdia.

8.
Contemplação
Vem, então, Senhor,
procurar a tua ovelha,
Não por meio de criados,
nem de mercenários;
Vem tu próprio.
Leva-me sobre a cruz,
salutar para os errantes,
repousante para os fatigados,
Vivificadora para os moribundos.
Vem, e haverá salvação na terra
e alegria no céu.

S.to Ambrósio de Milão (339-397)
Poema – A beleza é dom
O Senhor desistiu do mal
Com que tinha ameaçado o seu povo (Ex32,14).
Compadecei-vos de mim,
Apagai os meus pecados (Sl. 51,1)

Deus se arrepende pelo dom oferecido,
O homem se arrepende de seu pecado;
Deus por tudo o que é bem não recebido,
O homem pela dor do mal realizado.

A força do amor brinca no parque,
Cerejas ondulam num vai-e-vem.
O sorriso de ambos se faz arte
Com sombras, magia, sonhos de aquém.

Beleza é diálogo, é o vento em busca,
Deixa perfume em seu peregrinar.
É ceara madura pão fresco no altar,
Amor puro nas parábolas de Lucas.

Deus oferece a beleza que não morre;
Pelo ser humano celebra Sua Páscoa.
Com a imolação de Seu Filho o socorre
Ofertando a sua vida, na eterna noite.


P.e Rui Alberto, em edisal.salesianos.pt

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