«O demónio tem duas armas potentíssimas para destruir a Igreja: as divisões e o dinheiro», diz Papa Francisco


«Peço-vos que façais todo o possível para não destruir a Igreja com as divisões, quer sejam elas ideológicas, de cobiça, de ambição ou ciúmes». Foi o forte apelo lançado pelo Papa Francisco na missa celebrada na manhã de segunda-feira, 12 de setembro, na capela da Casa de Santa Marta.

O demónio, explicou, «tem duas armas potentíssimas para destruir a Igreja: as divisões e o dinheiro».

A este propósito o Pontífice recordou as lutas que, entre «divisões ideológicas, teológicas, dilaceravam a Igreja: o demónio semeia ciúmes, ambições, ideias, mas para dividir! Ou semeia avidez: pensemos em Ananias e Safira, nos primeiros tempos». Porque, frisou, «desde os primeiros tempos as divisões existiram e o que provoca a divisão na Igreja é a destruição: as divisões destroem, como uma guerra: depois de uma guerra tudo fica destruído e o demónio vai embora contente».

Mas «nós, ingénuos, fazemos o jogo dele» afirmou Francisco, acrescentando: «E diria mais: é um guerra suja a das divisões, é como um terrorismo. Mas quero dar um exemplo claro: quando numa comunidade cristã – seja ela paróquia, colégio ou instituição – se mexerica, lança-se uma bomba para destruir o próximo»; deste modo «o outro é destruído, eu estou bem e sobressaio: é o terrorismo dos mexericos!». Também o apóstolo Tiago, prosseguiu o Papa, «já afirmava: a língua mata; assim, lança a bomba, destrói e permaneçe».

«Há divisões entre vós»: Francisco reiterou estas palavras de Paulo aos fiéis de Coríntio. E, prosseguiu, «as divisões na Igreja não deixam que o reino de Deus cresça; não deixam que o Senhor se mostre bem, como é». Ao contrário, «as divisões fazem com que se veja uma parte contra a outra: sempre contra, não há o óleo da unidade, o bálsamo da unidade».

«Mas o demónio vai além» admoestou Francisco, especificando: «Não só na comunidade cristã, vai mesmo à raiz da unidade cristã». É o que «acontece, na cidade de Corinto, aos Coríntios: Paulo repreende-os porque as divisões chegam precisamente à raiz da unidade, ou seja, à celebração eucarística». Neste caso «os ricos trazem algo para comer, para festejar; os pobres não, um pouco de pão e nada mais na própria celebração». O apóstolo escreve: «Não tendes, por acaso, as vossas casas para comer e para beber? Ou quereis lançar desprezo sobre a Igreja de Deus e humilhar quem não possui nada?».

Ora, afirmou Francisco, «a raiz da unidade encontra-se na celebração eucarística», em que «o Senhor rezou ao Pai para que “fossem um, como nós”, rezou pela unidade». Mas «o demónio tenta destruir até ali».

Concluindo Francisco pediu, na oração, «ao Senhor a unidade da Igreja, para que não haja divisões». E «a unidade também na raiz da Igreja, que é precisamente o sacrifício de Cristo, que todos os dias celebramos».

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