Porquê orar: «Senhor eu creio, mas aumenta a minha fé!»?


Agir pela fé é lutar contra o medo que nos paralisa e nos impede de ir à luta!

Jesus repreendeu os seus apóstolos várias vezes pela falta de fé deles. Ora, se eles, com Jesus presente, tiveram falta de fé, então, para nós também não é fácil; por isso precisamos pedir sempre: «Senhor, eu creio, mas aumenta-me a fé!»

Comentário de Prof. Filipe Aquino, em http://cleofas.com.br


A Palavra de Deus diz que «o justo viverá pela fé» (Hab 2, 4; Rm 1, 17); e que «sem fé é impossível agradar a Deus» (Heb 11, 6).

A vida na fé é um abandono nas mãos de Deus, é o que Deus mais quer de nós. O Pai ama saber que o filho confia nele.  Sem fé é impossível fazer a vontade de Deus; uma coisa depende da outra. E sem fazer a vontade de Deus não Lhe agradamos.

Viver pela fé não é algo fácil, só é possível pela graça de Deus e muita perseverança na oração.

Viver pela fé é um exercício continuo de se confiar a Deus, especialmente nas horas mais difíceis. Especialmente nessas horas sentimos a nossa fraqueza, então, a fé nos socorre. Como a S. paulo, Deus diz-nos: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela toda a minha força» (2 Cor 12,7-9). E, tal como o apóstolo, ao experimentar o socorro da graça, poderemos exclamar: «Tudo posso naquele que me sustenta» (Fl 4, 13).

A Palavra de Deus apresenta-nos muitos “ícones da fé”: a Virgem Maria, Abraão, Job... Maria entregou a sua vida a Deus como alguém que entregue um cheque em branco assinado ao credor: «Faça-se em mim segundo a Tua vontade.»
Abraão pôs-se a caminho para uma terra desconhecida (Gn 12).
Job e a sua esposa responderam a Deus na linguagem da fé: «Aceitamos a felicidade da mão de Deus; não devemos também aceitar a infelicidade?» (Jo 2,10). Ou ainda, quando perdeu todos os seus filhos e todos os seus bens, manteve-se fiel a Deus: «Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!» (Jo 1,21).

Caminhar pela fé, abandonar-se em Deus, é crer e aceitar de bom grado a vontade de Deus para a nossa vida. As barreiras mais difíceis de nossa santificação podem ser vencidas pela fé e pela paciência. «Tudo é possível ao que crê» (Mc 9, 23), garantiu Jesus.

Diante das dificuldades – que na verdade são momentos de crescimento e santificação – São Paulo recomendava: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!… O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças» (Fl 4, 4-6).

A alegria cristã é uma das manifestações da fé. Essa alegria brota no coração daquele que conseguiu, pela fé, “descansar” em Deus, mesmo diante das dificuldades. Saber superar as horas difíceis no “combate da fé” nos faz mais santos. São João nos lembra que «e esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé» (1 Jo 5, 4).
Pelo contrário, a alma perturbada e amedrontada não consegue meditar, não consegue rezar e torna-se fraca, dizia são Francisco de Sales.
São Paulo recomendou aos efésios: «Sobretudo, empenhai o escudo da fé» (Ef 6, 16). É preciso, com o escudo da fé resistir a tudo o que nos amedronta.

Muitas vezes encontramos na Bíblia a expressão: «Não temas!»  Para afugentar o medo, o Apóstolo lembra aos romanos: «Se Deus é por nós, quem será contra nós?» (Rm 8, 31).
O salmista afugenta o medo de sua alma cantando: «O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor da minha vida, de quem terei medo? Se todo um exército se acampar contra mim, não temerá meu coração. Se se travar contra mim uma batalha, mesmo assim terei confiança» (Sl 26, 1-3).

O medo será sempre a pior resposta às dificuldades. Temos que implorar ao Senhor a graça de nada temer. O Salmo 91 é a mais bela oração de um coração para afastar para longe o medo e se refugiar sob as asas de Deus. É preciso  repeti-lo muitas vezes, até  de memória , para rezá-lo a qualquer momento. É a oração da Confiança!:

DEUS É O MEU AMPARO
1Aquele que habita sob a protecção do Altíssimo
e mora à sombra do Omnipotente,
2*pode exclamar: "SENHOR, Tu és o meu refúgio,
a minha cidadela, o meu Deus, em quem confio!"
3*Ele há-de livrar-te da armadilha do caçador
e do flagelo maligno.
4*Ele te cobrirá com as suas penas;
debaixo das suas asas encontrarás refúgio;
a sua fidelidade é escudo e couraça.
5Não temerás o terror da noite,
nem da seta que voa de dia,
6nem da peste que alastra nas trevas,
nem do flagelo que mata em pleno dia.
7Podem cair mil à tua esquerda
e dez mil à tua direita,
mas tu não serás atingido.
8Basta abrires os olhos,
para veres a recompensa dos ímpios.
9Pois disseste: "O SENHOR é o meu único refúgio!"
Fizeste do Altíssimo o teu auxílio.
10Por isso, nenhum mal te acontecerá,
nenhuma epidemia chegará à tua tenda.
11*É que Ele deu ordens aos seus anjos,
para que te guardem em todos os teus caminhos.
12Eles hão-de elevar-te na palma das mãos,
para que não tropeces em nenhuma pedra.
13Poderás caminhar sobre serpentes e víboras,
calcar aos pés leões e dragões.
14"Porque acreditou em mim, hei-de salvá-lo;
hei-de defendê-lo, porque conheceu o meu nome.
15Quando me invocar, hei-de responder-lhe;
estarei a seu lado na tribulação,
para o salvar e encher de honras.
16Hei-de recompensá-lo com longos dias
e mostrar-lhe a minha salvação."

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