«Quem vive nas fronteiras e dialoga com o diferente, apercebe-se e valoriza o positivo que há no outro, mesmo que pense de modo diferente ou defenda outros credos», considera o padre Miguel Almeida em artigo publicado este sábado no jornal digital Observador.
O religioso da Companhia de Jesus salienta que, «por vezes», habitar a fronteira tem como consequências «incompreensões dentro da Igreja, levando alguns a acusar os Jesuítas de infidelidade ou laxismo moral ou doutrinal».
Rui Jorge Martins, em Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, 03.10.2016
«Viver no centro é mais “seguro” do que viver na periferia» e a Companhia de Jesus tem «tentado assumir verdadeiramente um lugar de fronteira», já que a identidade da congregação passa por se colocar «inteiramente à disposição do papa», e os últimos pontificados têm «renovado a missão do diálogo com outras religiões, com o ateísmo e com todos os que vivem nas periferias, geográficas ou existenciais».
Depois de recordar que o papa Francisco é jesuíta, o padre Miguel Almeida evoca «a sua insistência numa “Igreja em saída”», que implica a «preocupação com quem anda fora da Igreja, com o efetivo diálogo com as outras Igrejas cristãs e com as outras religiões».
«E talvez seja mais fácil compreender o desconforto que esta atitude provoca a muitos que estão “demasiado dentro” da Igreja, apenas preocupando-se com o manter da estrutura e do “statu quo”, comenta o religioso.

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