O que Zaqueu nos ensina acerca do força de um desejo


«Que força tem um desejo!» Por um desejo, Zaqueu procurou Jesus, teve a coragem de expor a sua imagem de chefe de cobrador de impostos e ladrão, e aceitou um convite que mudou radicalmente a sua vida.

Comentário de Maria Cristina Giani,
missionária de Cristo Ressuscitado,
ao Evangelho de S Lucas (Lc 19, 1-10)

Jesus tinha entrado em Jericó e atravessava a cidade. Havia aí um homem chamado Zaqueu: era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. Zaqueu desejava ver quem era Jesus, mas não o conseguia, por causa da multidão, pois ele era muito baixo. Então correu à frente e subiu numa figueira para ver, pois Jesus devia passar por aí.

O texto do evangelho dá-nos um dado fundamental de Zaqueu que o faz diferente talvez de outros chefes: desejava ver Jesus!

Paremos para nos perguntar: quais são os nossos desejos? Até onde eles nos conduzem? O que fazemos com eles?

Deus trabalha através dos desejos, suscitando atrações, movendo o nosso coração, impulsionando a nossa liberdade. Os desejos autênticos são, antes de tudo, graça, dons do Espírito. Tais desejos são autotranscendentes, isto é, conduzem-nos para fora de nós mesmos; nos impulsionam à busca, ao serviço, ao compromisso.

Agora, o surpreendente é o que Jesus faz e diz ao passar por baixo da figueira: «Olhou para cima, e disse: "Desce depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em tua casa”.»

Este gesto, acompanhado pelas palavras de Jesus, revela-nos, uma vez mais, que é Deus quem toma a iniciativa, que nos precede no amor, no desejo de Se encontrar com cada um, com cada uma.

Grande deve ter sido o susto de Zaqueu ao sentir-dr descoberto por Jesus, mas o susto dá lugar à alegria, ao experimentar a ternura do olhar do Mestre e ao acolher o seu convite sem demora!

Receber Jesus na sua própria casa é muito mais do que o chefe dos cobradores de impostos poderia imaginar! Deus age assim, a sua ação supera sempre o que somos capazes de desejar e até de pedir.

A presença de Jesus na vida de Zaqueu fez com que ele mudasse, se convertesse, por isso o evangelho narra que, de pé, em pleno uso de sua liberdade, dissesse: «A metade dos meus bens, Senhor, eu dou aos pobres; e, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais.»

É o encontro com olhar amoroso de Jesus o que possibilita e capacita para que mudemos de vida, para viver dia a dia convertendo-nos ao evangelho.

O “hoje” de Zaqueu estende-se até nós. “Hoje” Jesus olha-nos amorosamente, batendo à porta de nossa casa; se O acolhemos “hoje”, faz-nos partícipes da sua vida e salvação (cfr.Ap 3,21).

Despojamento
Eliminei o excesso de paisagem
simplifiquei toda a decoração
retirei quadro flores ornamentos
apaguei velas copos guardanapos
e a música
Bani a inutilidade do discurso
Na mesa de madeira
nua
apenas dois pratos
brancos
sem talheres
O banquete será tua presença

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