Sem desfalecer: «Quando se tem razão, nunca desistir da oração e da labuta, reclamando justiça»


O padre albanês, Ernest Simoni, de 88 anos, que passou 28 anos na prisão durante a perseguição comunista na Albânia, figura entre os novos cardeais que o Papa Francisco escolheu para o Colégio Cardinalício, e que serão investidos nessa missão a 19 de novembro próximo. 

Quando se encontrou com o padre Ernest Simoni, na visita à Albânia em 2014, Francisco chorou ao abraçá-lo. Durante o seu tempo de prisão, torturas e trabalhos forçados, o padre Simoni celebrou missa e rezou “de cor” (sem livros nenhuns), pronunciando sempre palavras de perdão para os seus algozes. Questionado sobre a sua resistência, sorriu ao responder: «Mas eu nada fiz de extraordinário: sempre rezei a Jesus, sempre falei de Jesus.» 

A oração do padre Ernest Simoni é a oração que não desfalece, é a luta pela justiça que não é desejo de destruir quem faz o mal, mas desejo que o bem possa vencer.

Sem desfalecer
«Quando se tem razão, nunca desistir!» Esta é uma das frases dita pelos verdadeiros “campeões” na arte de reclamar.

O relato da insistência da viúva junto de um juiz iníquo (Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículos 1 a 8), e as mãos levantadas de Moisés que conduzem Josué e o seu pequeno exército à vitória (Livro do Êxodo, capítulo 17, versículos 8 a 13), são convite para não desistir da oração e da luta quando se reclama justiça. 

A oração é luta, estratégia de insistência, alicerçada na certeza de estar a pedir o que é justo. Porque, a responsabilidade do juiz - e de qualquer autoridade - não é dar-nos razão, é exercer a sua autoridade e aplicar a justiça.

Insistir, sempre
Se nos importa verdadeiramente a felicidade dos outros, mais do que o nosso êxito pessoal, não os abandonaremos facilmente. Por isso é preciso rever as motivações e as metas que guiam os nossos projectos: Que justiça pedimos e por que justiça vivemos?

Sabemos, que, muitas vezes, a justiça é atropelada pelos ricos que a compram ou pelos poderosos que a atrasam, mas há uma última palavra que só pertence a Deus, e é Ele que promete a quem clama e sofre “que lhes fará justiça bem depressa”. Deus faz justiça na Páscoa de Jesus e na vida transformada daqueles que d’Ele vivemos. Por isso, a justiça é dom de Deus e reclama o compromisso de a levar a todo o mundo, a todas as realidades humanas, a todos os sofrimentos evitáveis, a todas as periferias e corações. Escutamos melhor Deus quando escutamos todos os que sofrem injustamente e clamam: “Façam-nos justiça”!

Adaptação da reflexão de P.e Victor Gonçalves in Voz da Verdade16.10.2016

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