O seminário é uma instituição conhecida historicamente, mas extremamente desconhecida pela opinião pública. Às vezes, fica-se por estereótipos quase infantis, como o de que um padre se faz como se faz a receita de um bolo: juntando um ingrediente aqui, outro ali, esperando o tempo necessário e, voilà!, forma-se um sacerdote perfeito.
Pensando nisso, seria possível elencar algumas verdades sobre a vida de seminário que poucas vezes são comentadas por aí, como as seguintes:
Formar não é colocar numa forma
A formação de um jovem - tanto para ser sacerdote como para ser leigo consagrado - é muito complexa. Em primeiro lugar, porque cada um tem uma história própria. Em segundo, porque a configuração com Jesus Cristo é um movimento muito mais interior do que exterior, e requer força de vontade, convicção, caráter e, sobretudo, fé. A maior parte deste processo depende da disposição do candidato em adequar-se ou não ao “molde” que é Jesus Cristo. Os formadores apenas dão diretrizes.
Há conflitos
O seminário é uma família de pessoas que não escolheram viver juntos, mas que Jesus Cristo juntou.
Os seminaristas levam consigo as virtudes e os defeitos da sociedade.
No seminário, aprendem a praticar os valores humanos e cristãos da vida em sociedade: o diálogo, o respeito, o perdão, a cooperação, etc., que mais tarde praticarão na paróquia ou instituição ao seu cuidado pastoral.
Não se passa o dia a rezar
Os seminaristas têm uma vida extremamente diversificada, ainda que disciplinada: rezam, estudam, jogam futebol, lavam a louça, fazem jogos, veem TV, cuidam da casa e do espaço envolvente, dão catequese, passeiam, vão ao cinema...
Normalmente a formação no seminario divide-se didaticamente em quatro dimensões: humano-afetiva, intelectual, espiritual e pastoral. Isto para que o futuro padre ou religioso saia do seminário com uma personalidade madura e capaz de cumprir a sua missão de lider religioso de uma comunidade de crentes .
Dizer sim a Deus todos os dias é mais difícil
No começo, há muitas expectativas e paixão: quer-se dar tudo a Cristo, até o sangue se fosse necessário. Com o tempo, assim como acontece num namoro, as coisas vão esfriando-se. É preciso renovar os laços da vocação cada dia.
Um padre não se faz no dia da ordenação
É necessário criar as rotinas da vida de um padre e de um religioso, como, por exemplo, a oração em diferentes momentos do dia; a participação na Eucaristia; a confissão sempre que se justifique; a criação de laços com os fiéis leigos das comunidades cristãs, a começar pelas da terra natal; o estudo contínuo e criativo; o diálogo com um diretor espiritual...
Estudar teologia não significa conhecer Cristo
Passar quatro anos estudando teologia sem criar uma relação de amizade com Cristo é como construir uma casa sobre a areia. Podemos ter “encontros com Cristo” na sala de aula, mas esses encontros de amizade crescem nos momentos de oração e da prática do amor ao próximo. A Teologia serve para esclarecer e aumentar o amor a Cristo.
Aprende-se a ter misericórdia
O tempo de seminário é um tempo essencialmente de prova. Cada dificuldade, cada desafio, cada tristeza tem de servir como lição para que um dia o padre e o religioso também se identifiquem com as fragilidades dos outros. Fica para sempre na memória dos seminaristas o abraço de misericórdia que Deus lhes estendeu numa situação difícil. É esse o abraço que o padre e o irmão religisos terão para oferecer ao mundo.
Se um não é ordenado, não significa que não atingiu a meta
A verdadeira missão do seminário é que cada um, com felicidade, descubra a sua vocação. O seminário é um espaço e uma experiência de discernimento. A uns Deus chama ao sacerdócio, outros à vida consagrada celibatária, outros ao matrimónio... O que importa é que cada um sinta a sua vocação como uma proposta de Deus, para que a sua vida seja um dom para os outros.
São felizes
Os seminaristas são felizes porque estão próximos Daquele com quem todos quereríam estar depois de O conhecer verdadeiramente: Jesus Cristo.
Claro que um seminarista pode estar mal-humorado, mas nunca poderá estar infeliz. Há nas suas vidas tristezas, desilusões, sofrimentos, mas aprendem a encontrar uma solução inspirada pela fé: «Concede-nos Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras.»
Renúncia não é ódio
Os seminaristas são celibatários por amor a Deus e ao Evangelho e para o serviço na Igreja, não por ódio às mulheres. Não desistem do amor, mas orientam-no, para amar todas as mulheres como se fossem suas mães, todas as jovens como se fossem suas irmãs, todos os homens como se fossem seus pais; e todos os jovens como se fossem seus irmãos.
Adaptado a partir de Seminário Maior de Brasília

Comentários
Enviar um comentário