Cinco pontos-chave do novo acordo do clima




É o primeiro pacto universal contra o aquecimento global. O Acordo de Paris entra esta sexta-feira em vigor – 94 países, dos 192 signatários, já o ratificaram –, menos de um ano após ser adotado, mas há um longo caminho a percorrer até à sua aplicação.

Do chamado COP21 saiu uma decisão com 19 páginas que enquadra o Acordo de Paris, composto por 11 páginas e 29 artigos. O acordo entra em vigor em 2020, mas permite continuar a travar as alterações climáticas depois disso, na base de contributos nacionais e financiamento aos países mais pobres. E sobe a fasquia na limitação do aumento da temperatura.

O principal objetivo do Acordo de Paris é limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

Os cientistas avisam que, ao ritmo atual, o mundo ficará quatro graus mais quente, ou três graus, se os países cumprirem as metas autoimpostas de redução das emissões nacionais.

Segunda-feira, 7 de novembro, começa em Marraquexe (Marrocos), a 22.ª Conferência do Clima da ONU (COP22).

José Pedro Frazão, em Renascença, 12 de dezembro de 2015

Os cinco pontos-chave do Acordo

1. Nova meta de aumento de temperaturas
O compromisso é manter as temperaturas médias globais bem abaixo dos 2 graus centígrados face aos níveis pré-industriais. O acordo fala em “perseguir esforços” para limitar o aumento da temperatura em 1,5 graus celsius. É esta fasquia que torna o Acordo de Paris politicamente ambicioso. Neste momento as contribuições nacionais ficam muito longe sequer da fasquia dos dois graus. Essa preocupação ficou bem expressa num dos artigos das conclusões da Conferência de Paris. Não há metas por países.

2. Cumprimento e força legal
Os países vão apresentar resultados de 5 em 5 anos sobre a implementação do acordo de Paris, com uma primeira grande avaliação em 2023. Antes, em 2018, haverá conversações para avaliar o progresso no sentido das metas de aumento da temperatura. O Painel Intergovernamental da ONU, com cientistas de todo o mundo, vai preparar um relatório em 2018 sobre o impacto de um aquecimento global de mais 1,5 graus.
Sem metas definidas para redução de emissões e excluída a possibilidade de compensações dos ricos por danos causados pelo clima nos países mais pobres, ficam por detalhar os mecanismos de verificação dos progressos e contribuições. Ou seja, até que ponto países como a China ou os Estados Unidos vão ser forçados a pormenorizar os seus planos a submeter na avaliação do cumprimento das metas.

3. Diferentes responsabilidades
O acordo será implementado "de forma a refletir equidade e o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas e respetivas capacidades, à luz das diferentes circunstâncias nacionais”. Este ponto do acordo de Paris tenta responder à necessidade de distinguir entre a capacidade dos países desenvolvidos e os que estão em desenvolvimento, quer na mobilização de recursos quer também na responsabilidade real na emissão de CO2.

4. Perdas e Danos
O acordo de Paris travou expressamente a ideia de que os países ricos devem compensar os mais pobres pelo danos causados pelas alterações climáticas. O texto reafirma o chamado Mecanismo de Varsóvia, acordado em 2013 na capital polaca e que prevê a cooperação entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento na partilha de informação, conhecimentos e apoios técnicos. Mas de Paris sai uma ressalva imposta pelos países ricos - “não envolve ou providencia uma base para qualquer compensação financeira”.

5. Financiamento

Os países desenvolvidos vão continuar a providenciar financiamento até 2025 a um ritmo não inferior a 100 mil milhões de dólares por ano. No entanto fica o apelo para que os países mais ricos subam esse valor depois dessa data. Há o compromisso de manter essa fasquia mínima para mitigação e adaptação, pelo menos até 2020, ano em que entra em vigor o Acordo de Paris.

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