«Estão em curso duas grandes guerras: a dos homens contra outros homens e a dos homens contra a Natureza»
Estão em curso duas grandes guerras: a dos homens contra outros
homens e a dos homens contra a Natureza. Aparentemente diferentes, combatidas
com armas diferentes, elas estão reunidas sob o mesmo objetivo: o domínio.
A primeira guerra continua até hoje de modo totalmente semelhante
ao passado; a diferença está nas armas utilizadas. Não mais apenas armas de
fogo; agora, com armas financeiras mais poderosas, capazes de colocar povos
inteiros de joelhos, fazê-los passar fome sem derramar sangue.
E há uma luta
contra a Natureza que tem data mais recente. Desde que o homem, tendo entrado
na Modernidade, imaginou ter que ser o proprietário do planeta que o gerou.
Enzo Scandurra, professor de desenvolvimento sustentável para o
ambiente e o território da Universidade de Roma "La Sapienza", em IlManifesto, 3.11.2016.
A segunda dessas
guerras terá um fim já marcado: a vitória da Natureza, porque é uma guerra
assimétrica, porque a criatura que destrói o ambiente destrói a si mesma; é
como cortar o galho da árvore sobre o qual estamos sentados. Não temos outro
planeta para emigrar: apenas este nos é dado.
Desde sempre, à Natureza
foi conferido um duplo nome: benigna, quando ela nos dá os seus frutos;
maligna, e agora "monstro", quando revela o seu rosto feroz.
Hoje, é hora de
luto e de silêncios. Queremos continuar a conviver com o "monstro" - que
já existia antes de nós, mas que estamos a alimentar com o nosso estilo de vida
–, como fizeram os nossos antepassados.
Sabemos que perder a própria casa, o próprio teto e a própria
terra é ficar órfãos para sempre, significa morrer órfãos.
Na relação entre pessoas e na relação com a Natureza, «conviver» é o verbo certo; dominar é a opção errada. A Modernidade confundiu os verbos.
Nas guerras, as pessoas reagem: tornam-se migrantes, refugiados…
Mas, onde estão os animais naqueles territórios devastados? Eles
também migraram?

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