Porquê a maioria dos jovens deveria entrar no seminário?

Quem deveria entrar num seminário ou numa casa de formação de um instituto feminino? Somente os jovens que têm 100 por cento de certeza de que vão ser padres? Ou as jovens que queres ser freiras? Ou será que todos os jovens poderiam “fazer a prova” e passar um ano ou dois no seminário, mesmo se a decisão final não é ser padre nem freira?

Quando os jovens com dúvidas acerca da sua vocação pensam na possibilidade de entrar no seminário, é comum os amigos e parentes perguntarem-lhe «mas tens a certeza de que queres ser padre?», ou, no caso das jovens, «tens a certeza de que queres ser freira?».

Por pressão social ou outros fatores, o certo é que muitos jovens lidam com a dúvida durante anos e nunca entram no seminário, porque lhes falta o suporte dos amigos e parentes – que tendem a exagerar nas renúncias que tal decisão pode significar (não casar, não ter filhos, por exemplo), e nunca chegam a estar absolutamente certos de que Deus os poderia chamar a esse caminho.

Todavia, o seminário não é uma «fábrica de sacerdotes ou freiras», na qual só entram jovens que não têm dúvida alguma nem medo nenhum e que, magicamente, saem ordenados padres ou fazem votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência no final de uma linha de produção.

É verdade que a razão de ser dos seminários e casas de formação femininos é educar os candidatos a sacerdotes e freiras para as tarefas que irão desempenhar. Mas o seminários e as casas de formação são, igualmente, espaços de formação humana, intelectual e espiritual. E esta formação tanto beneficia os que serão padres e freiras, como todos os outros jovens em qualquer vocação a que Deus os chame.

É por isso que a maioria dos jovens poderia – e ser-lhes-ia proveitoso – entrar no seminário ou casa de formação. Porque no seminário há tempo para estudar, mas também para rezar; para viver em equipa e criar laços de empatia, solidariedade, cooperação – o desporto, os trabalhos ocupacionais de cuidado da casa, do espaço envolvente (jardim e horta, por exemplo, ou biblioteca, ou capela aberta à comunidade), o trabalho civil e de catequese em favor da comunidade local –; existe um formador ou uma formadora, a quem se recorre quando há dúvidas ou crises; e existe o ambiente propício para o jovem e a jovem se interrogarem a si mesmos e crescerem enquanto pessoas, na procura de imitarem o exemplo supremo de vida, que e Jesus Cristo.

A humanidade precisa de mulheres e homens capazes de ser lideres, honrados, bondosos, com aqueles traços que fazem da sua vida um exemplo de positividade e esperança.
Um bom seminário e uma boa casa de formação fornece com excelência a formação necessária para isso, mesmo quando grande parte dos seminaristas e das jovens em formação acabam por descobrir que o seu caminho não é, de facto, nem o sacerdócio, nem ser fereia, mas casar ou permanecer solteiros, e exercer uma profissão.
E o que faz a experiência do seminário e da casa de formação serem excelentes é cada qual ficar com os ideias de vida bem claros na sua cabeça e no seu coração: «Sim, é a isto Que Deus me chama; sim, é isto que eu quero; sim, é nisto que eu vou ser feliz e por meio do qual vou fazer os outros felizes.

«Terão passado pelos seminários portugueses, ao longo do século XX, mais de 100 mil adolescentes e jovens. Destes, 10 000 são padres diocesanos e 5000 são padres em institutos religiosos», segundo dados da União das Associações de Antigos Alunos dos Seminários Portugueses (UAAASP),

       O testemunho de Philip Kosloski (em aleteia.org)
«Há quem me pergunte se eu me arrependo dos três anos que “perdi” no seminário quando, na verdade, Deus me chamava à vocação matrimonial. Não me arrependo nem lamento de modo algum! Eu sabia que tinha de “experimentar” por mim mesmo, na plena confiança de que Deus me mostraria qual era a minha vocação e que o tempo vivido no seminário seria um extraordinário investimento no meu discernimento pessoal quanto ao propósito da minha vida. Se fosse o sacerdócio, ótimo; se não fosse, igualmente ótimo, pois eu teria mais certeza!

Eu olho para os meus anos no seminário e vejo neles a preparação perfeita para me tornar um forte, sólido, consciente e capacitado líder espiritual e humano dentro da minha família e na sociedade em que vivo e atuo.

Para ser franco, se eu não tivesse entrado no seminário, não sei o que estaria a fazer hoje. É bem provável que eu ainda fosse o menino tímido que jogava videojogos todo o dia e que não tinha ideia do que queria na vida. Além disso, quase com certeza não teria desenvolvido o hábito diário da oração e da Missa, que tornam os meus dias infinitamente mais ricos de sentido, significado e realização!

É surpreendente ver como um bom seminário pode transformar um menino num homem, dando-lhe as ferramentas necessárias para se tornar forte diante dos maiores desafios – e não me refiro apenas a desafios pontuais, mas ao maior de todos os desafios.

Acredito firmemente que o futuro da nossa cultura exige que muitos homens passem por essa experiência esclarecedora não apenas para se tornarem santos sacerdotes de Cristo, mas também santos maridos, pais, empreendedores, políticos etc. Em suma, líderes com clareza moral.

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