«Na atual cultura do individualismo e dos mínimos, Deus pede de nós o máximo e o melhor»


João Batista, conhecido como precursor do Salvador, aquele que preparou o caminho, fala justamente disso: «Preparai os caminhos do Senhor, aplainai as suas veredas; para isso, «convertei-vos, porque está próximo do reino dos Céus». 


João prega no deserto - que tem um simbolismo profundo: lugar para a conversão e fazer a experiência de Deus.

Reflexão baseada no comentário de P.e Ivo Pedro Oro a Mt 3,1-12, do 2.º Domingo de Advento.

A sua palavra e o seu batismo atraem pessoas desejosas de conversão, e também curiosos. Vão à procura de um caminho, de uma experiencia, de um saber, de uma causa que os levem a encontrar-se com Deus... porque querem reconhecer o Messias e estar com Ele. Este é o maior anseio do povo de Israel em tempos de João batista

Caminhos sem Deus
Hoje há muitos caminhos sem Deus. Os estilos de vida e as ondas culturais e ideológicas da atualidade instalam em nós uma atitude de indiferença religiosa, e com isso Deus desaparece do nosso horizonte. 

Vive-se uma vida superficial, medíocre, sem objetivos, sem compromissos, sem vontade de viver melhor nossa fé e sem sentirmos atração por Jesus e pelo seu Reino. Tudo muito aéreo, distante… A qualquer apelo de mudança de vida e de práticas religiosas, responde-se com um «Para quê?!… Não é preciso tanta coisa para ser católico!» ou «...para ser  boa pessoa!»

É a cultura do individualismo e «do mínimo», enquanto Deus pede de nós o máximo e o melhor. 

Continuamos a encher as nossas vidas de coisas e ficamos vazios por dentro. 

Vivemos informados acerca de tudo, mas nunca sabemos como orientar a nossa vida. Basta um infortúnio, e tudo desaba.

Achamos que somos a geração mais inteligentes e progressistas da história: comunicamos com qualquer pessoa, em qualquer ponto do planeta e até do espaço, mas não sabemos entrar no nosso coração para adorar ou dar graças a Deus, nosso criador.

Abrir um novo caminho
Preparar ou abrir o caminho para Jesus Cristo que vem é romper com as práticas rotineiras de ficar sempre voltados para o exterior, gastando a vida em fugas, distrações e divertimentos que o mundo oferece e nos faz engolir sem pensar.

É abandonar esse caminho velho, sinuoso, altivo ou rasteiro… Preparar a passagem de Deus é prepara o caminho para dentro de nós mesmos, é ir até ao mais profundo de nós mesmos e de cada pessoa. E aí, no silêncio do nosso interior, respondermos às perguntas que dão sentido à vida: Estou a gastar a minha vida em quê? Vale a pena continuar a viver oque estou a viver? Será que não estou a defraudar alguém, a roubar expectativas, a ser injusto, a ser apático(a), sem investir a minha vida na minha transformação e na transformação do mundo? Sinto necessidade de cultivar a amizade e o companheirismo com Jesus Cristo?

As nossas obras comprovam se nos convertemos
Não basta passar pelo ritual do batismo, é preciso viver a fé e o compromisso que ela supõe.
Não basta receber a comunhão, é preciso viver em comunhão com Jesus e seu projeto de salvação para toda a humanidade, e com os irmãos e as irmãs homens e mulheres, animais e plantas. 
Não basta ser lavado pela reconciliação, é preciso viver segundo o Espírito Santo de Deus que nos santifica.
Não basta o rito do matrimónio ou da ordenação, é preciso dizer não às propostas da sociedade materialista, consumista, egocêntrica e negadora da transcendência.
Não basta querer que Deus nos cure e aos outros as doenças físicas, emocionais e espirituais, temos de dizer que a vida tem valor em cada segundo e em cada condição, desde a conceção até à morte natural.

Quem marca encontro com Deus no advento produz boas obras
Faltando três semanas para o Natal de Jesus Cristo, vamos ao encontro de Jesus que vem ao nosso encontro por meio de ações de solidariedade (há tantas famílias e grupos, instituições e organizações que precisam de ajuda); de momentos mais longos de oração em família; da participação em encontros de grupos de reflexão; das celebrações dominicais na comunidade e, como pede o profeta João Batista, por meio da mudança de vida. 

Estes são alguns dos frutos de uma opção sincera e firme de trilhar o mesmo caminho do Senhor. Caso contrário, embora queiramos ter festas felizes, estaremos a caminhar na direção contrária à de Jesus.

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