O Papa Francisco quer que os padres sejam autênticos pastores, não funcionários do sagrado. Por isso, aproveita qualquer oportunidade para fustigar o vírus do clericalismo, que pode levar ao “narcisismo, a tentação mais perigosa”. Também pediu aos seminaristas do Pontifício Seminário Pio XI que saibam perdoar sempre e que recordem que, sem oração, não há caridade.
José Manuel Vidal, em Religión Digital, 10-12-2016. Tradução de André Langer.
Ao receber a comunidade do Pontifício Seminário Pio XI, da região italiana de Pulla, o Papa Francisco improvisou algumas palavras num clima familiar e cordial, anunciando que o discurso preparado ser-lhes-ia entregue (ver: DISCORSO DEL SANTO PADRE FRANCESCO ALLA COMUNITÀ DEL PONTIFICIO SEMINARIO REGIONALE PUGLIESE “PIO XI”).
Nesse texto, são recordadas as suas palavras à Assembleia dos Bispos da Itália, sobre a identidade e o ministério dos presbíteros.
Insistindo na tríplice pertença ao Senhor, à Igreja e ao Reino, o que «não se improvisa, nem nasce depois da ordenação”, mas que se forma nos anos de seminário, cultivando-a e desenvolvendo-a com atenção e senso de responsabilidade, o Papa destaca em primeiro lugar que a palavra pertença traz consigo a ideia de sentir-se parte de um todo: «Somente quando nos sentimos parte de Cristo, da Igreja e do Reino, poderemos caminhar bem nos anos de seminário. Para perceber o todo precisamos elevar o olhar, deixar de pensar que eu sou o todo da minha vida. O primeiro obstáculo que devemos superar é o narcisismo. É a tentação mais perigosa. Nem tudo começa e termina comigo; posso e devo olhar para além de mim mesmo, até perceber a beleza e a profundidade do mistério que me cerca, da vida que me supera, da fé em Deus que sustenta cada coisa e cada pessoa, também a minha.»
«Pertencer significa também saber entrar em relação. Devemos nos preparar para ser, sobretudo, homens que desenvolvem a relação» com Cristo, com os irmãos e com todas as pessoas, encoraja o Bispo de Roma. «Com Cristo, com os irmãos com os quais compartilhamos o ministério e a fé, com todas as pessoas que encontramos na vida. E no seminário começa-se a aprender a viver as relações... para que amanhã sejam sacerdotes que vivam no meio do povo santo de Deus, comecem sendo hoje jovens que sabem estar com todos, que sabem aprender algo de cada pessoa que encontram, com humildade e inteligência.»
Uma vez mais, Francisco exorta a colocar Cristo como fundamento de toda relação: «E como base de todas as suas relações esteja sempre a sua relação com Cristo: quanto mais O conhecerem e O escutarem, mais se unirão a Ele na confiança e no amor, façam com que o seu amor seja o de vocês, coloquem-no nas suas relações com os outros, sejam ‘canais’ do seu amor, mediante a sua maturidade relacional. O lugar em que cresce a relação com Cristo é a oração, e o fruto maduro da oração é sempre a caridade.»
Em seguida, o Santo Padre alerta contra a exclusão e o descarte que se opõem à pertença: «A pertença de vocês a Cristo pede-lhes que vão ao seu encontro, que O coloquem no centro, que O ajudem a sentir que também Ele faz parte da comunidade. Crescendo no seu sentido de pertença à Igreja poderão saborear a beleza da fraternidade, saibam conhecer a fadiga do perdão, nas coisas pequenas e grandes. Se nada na vida nos exclui do olhar misericordioso do Senhor, porquê o nosso olhar teria que excluir alguém?»

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