O terceiro domingo do Advento é o domingo da Alegria pela
proximidade com a festa de Natal. No evangelho de hoje (Mateus 11, 2-11) vamos
aprofundar os motivos da nossa alegria.
Maria Cristina Giani, Missionária de Cristo Ressuscitado,
comenta o Evangelho do terceiro Domingo do Advento, ano A.
O texto nos situa junto de João Batista, que se encontra
injustamente na prisão. Foi colocado ali por Herodes, porque a sua pregação
denunciava a irregularidade da vida do rei com Herodíade, a mulher do seu
irmão (Mc 6, 18-19).
Podemos perguntar: quais são os sentimentos do Batista na
prisão?
Nesse momento de escuridão que está a viver, uma luz de
esperança emerge: Jesus de Nazaré é o Messias esperado? E como precisa de uma
resposta certa, envia os seus discípulos para perguntarem: «És tu aquele que há
de vir, ou devemos esperar outro?»
Sem dúvida conhecemos pessoas que sofrem, como João,
diferentes tipos de prisões injustas e vivem na sua solidão um turbilhão de
sentimentos. Também emerge no horizonte do seu coração como promessa, como
possibilidade de mudança, de libertação.
Mas quem é esse Deus das promessas, esperado de todos os
tempos, e novamente esperado neste Natal?
Talvez sejam estas as perguntas cruciais que devemos fazer
neste tempo: que Deus eu espero e que Deus Jesus nos revela?
A resposta do Evangelho é clara: «Ide contar a João o que
vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os
surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E
bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo.»
Chama a atenção que a resposta de Jesus não é um discurso
vazio, mas são factos, são obras que testemunham a Palavra.
O Deus que Jesus nos manifesta com a sua vida é o Deus que
ama, cuida e liberta especialmente os mais necessitados. Com Jesus, o reino de
Deus se instaura para sempre no coração da história, da criação.
É o Deus da Presença, que “acampa no meio de nós”, que
caminha connosco para fazer com que os paralíticos, os cegos, os surdos, os
leprosos, os mortos de hoje tenham vida e a tenham em abundância.
Como disse o salmo 19: «Deus fez, lá no alto, uma tenda para
o Sol, donde ele sai, como um esposo do seu leito, percorrer alegremente o seu caminho, como um
herói. Sai de uma extremidade do céu e, no seu percurso, alcança a outra
extremidade. Nada escapa ao seu calor.»
E este é o motivo de nossa alegria! Ninguém está fora do
cálido abraço do amor de Deus.
Esta é nossa esperança, na situação que cada um de nós se
encontre: Jesus de Nazaré é o Messias esperado que neste Natal volta a nos oferecer
o Amor do Pai que dá sentido e nova vida à nossa existência.
Que também nós, por meio dos nossos gestos e palavras,
possamos ser motivo de alegria para os nossos irmãos e irmãs, sinal de
esperança neste tempo de espera.
Rezemos juntos a seguinte oração:
Semente do Reino
Como se arriscará
o camponês a semear
sem ver já todo o trigal
no punho apertado
cheio de sementes?
Como olhar a terra
com olhos de esperança
sem ver já o bosque
nas sementes aladas
de carvalho levadas
pelo vento?
Como sonhará
o jovem casal
sem sentir
já no embrião
todos os risos
e as brincadeiras
dos filhos?
Como entregar-se
pelo pequeno,
sem ver com olhos novos
a utopia do Reino
no brotar germinal
que apenas rompe
a casca do medo?
(Benjamín González Buelta, sj)

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