Falar com uma criança não é o mesmo que falar com um adulto.
Falar com o próprio filho não é o mesmo que falar com o filho de outra pessoa.
Eis porque é importante os pais medirem as palavras quando conversam com os filhos.
Daniela Costa Teixeira, em Noticias ao minuto/lifestyle, 23 de janeiro de 2017
Os filhos devem ser mimados, mas devem também ser chamados à atenção.
Os filhos devem ser incentivados, mas devem também ser aconselhados.
Os filhos devem ser parte ativa das conversas em casa… mas há que ter atenção ao que se diz.
É tudo uma questão de equilíbrio e, sobretudo, de peso nas palavras.
Os pais devem ter uma especial atenção ao que dizem aos filhos, sob a pena da interpretação não ser a mais correta.
A psicóloga Maria Rueda enunciou ao jornal espanhol El Mundo, dez frases que os pais não devem dizer aos filhos:
1 - Aprende com o teu irmão.
As comparações não são saudáveis nem para as crianças, nem para os pais, uma vez que podem “gerar rivalidades na família”, algo que é prejudicial para todos os membros. Além disso, quando a comparação é depreciativa para uma das crianças, a probabilidade de afetar de forma negativa a auto-estima é grande.
2 - Vais deixar-me louco(a).
Diz a especialista espanhola que colocar a culpa na criança por uma "explosão de emoções" - que podem nada ter a ver com o menor e ser o resultado de uma série de fatores externos, como o trabalho ou o trânsito – tem um impacto muito nocivo na auto-estima e bem-estar da criança, pois esta não entende o porquê de ser a causa de tal fúria. A relação entre os pais e os filhos fica também a perder com o uso desta frase, assim como acontece quando o pai ou a mãe diz ‘estou farta de ti’. Estas duas frases são exemplos claros de como dizer algo ‘da boca para fora’ pode afetar muito a criança, deixando-a triste, ansiosa e pouco amada.
3 - Não tens vergonha de te comportares assim?
Promover a vergonha é também um erro comum, especialmente quando as críticas não são fundamentadas nem tão pouco explicadas aos filhos. Assim, dizer ‘não tens vergonha disso?’ é um dos erros mais comuns e que pode ser facilmente evitado quando usadas as palavras corretas: ‘não deves fazer isto, porque não é correto’.
4 - Se não fizeres isto, vou castigar-te.
É erro tanto castigar como recompensar com bens as boas ações. Segundo o psicólogo espanhol Álvaro Bilbao, «os castigos já se demonstraram pouco eficazes em muitos estudos.»
«As crianças simplesmente não aprendem bem através do castigo. Além disso, gera-se ansiedade e baixa autoestima na criança. Existem outras alternativas mais eficazes, como estabelecer limites, normas ou consequências naturais. Não obrigo os meus filhos a comerem fruta e verduras, mas temos uma regra: não podem comer bolachas ou doces até que comam frutas e verduras», diz o especialista.
5 - És mau/ És má.
É errado dizer a uma criança que é mau, porque ele vai pensar: «Ok, sou assim e não posso fazer nada para mudar», diz Rueda.
Os especialistas aconselham a ser específico ao explicar o que os filhos fizeram de errado e censurar as suas ações.
«Dizer-lhes que são maus é transmitir-lhes a ideia de que têm um defeito. É aconselhável centrar a atenção deles no que podem mudar no futuro para alcançar um resultado mais positivo.» São mais construtivas outras expressões, «Não gosto quando fazes...», para explicar porquê o seu comportamento não é aceitável e oferecer alternativas.
7 - Porque eu digo… e pronto.
Os adultos tendem a pensar que têm sempre a verdade absoluta
se o interlocutor é uma criança. E quando se chega a um ponto da discussão em
que estão cansados de argumentar, recorrem a esta frase para dá-la como
concluída. Mas o imperativo pelo imperativo não faz outra coisa senão corroer a
relação pais-filhos, se não for oferecida qualquer explicação acerca do porquê devem
estes fazer o que lhes foi pedido pelos pais.
8. Não chore, que
não é para tanto.
Muitas vezes, os
pais tendem a desvalorizar os sentimentos do filhos,
algo que pode dificultar a capacidade da criança em compreender os próprios
sentimentos. Pode ter sido uma briga com um amigo na
escola e ainda que isso seja de menor importância para os pais, para a criança têm
muito peso, e é missão dos pais ajudar a tirá-lo de cima.
Esta frase também é dita com a “boa intenção” de distrair os
filhos do que lhes dói, para que se sintam melhor, mas esse não é o caminho adequado
para ajudá-los. É melhor apoiá-los e consolá-los, de modo que, sempre que
passem por experiências más, saibam que podem contar com os pais, que estes
estão lá para os ajudar.
9. Deixa, que eu faço.
A mensagem que se passa com esta frase é clara: «Não és capaz
de o fazer.»
E se os pais acreditam nisso, o filho também vai assumir
como certo, e chega à conclusão: "Nem vale a pena esforçar-me da próxima
vez!»
Além disso, desta forma, os pais estão a impedir os filhos
de aprender por si mesmos, tornando-os dependentes e inseguros.
Outras frases semelhantes a esta são «tu não sabes fazer
nada bem» ou «não sei quando vais aprender».
São declarações pouco construtivas que «não valorizam o esforço,
mas apenas o resultado que se obtém», diz a presidente em Espanha da Associação Internacional pelo Direito
da Criança Brincar, Inma Marín.
10 - És um preguiçoso e assim não vais ser ninguém na vida
Os estudos e, em concreto, as notas são uma das principais
frentes de batalha pais/filhos quando se trata de adolescentes. A intenção dos
pais é que eles percebam que não haverá um futuro promissor se eles não fazem o
que se espera deles, e que chegará um momento em que eles irão arrepender-se de
ter feito más escolhas.
Todavia, em vez de causar uma reação positiva nos filhos, este tipo de frases
provoca-lhes frustração e desinteresse.

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