Permiti que conte uma pequena história por aquilo que ela significa para mim:
«Era uma vez, um vizinho muito velho a cavar no seu jardim.
- O que fazes? – pergunta-lhe o seu vizinho.
- Estou a plantar romãzeiras - respondeu.
- Achas que conseguirás comer dos seus frutos?
- Não – respondeu – eu não vou durar o tempo suficiente, mas os outros sim. Olha, durante toda a minha vida saboreei as romãs que os outros tinham plantado. Este é o modo que encontrei para demonstrar o meu agradecimento» (Cónego José Paulo, Estórias e Pensamentos, 8).
Vamos plantar romãzeiras, isto é, fazer brotar e crescer vocações na nossa Igreja, para que, assim como nós saboreamos hoje os frutos do Evangelho, também outros os possam saborear.
D. Jorge Ortiga, homilia na Sé Catedral de Braga, 5 de abril de 2012
A primeira maravilha do sacerdócio é a fé! Por muito que nos custe admitir, o sacerdócio não é uma conquista pessoal mas um presente divino endereçado à nossa liberdade. «Aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado, fez de nós um reino de sacerdotes para Deus» (Ap 1, 6). Foi a fé que nos gerou para o ministério sacerdotal. Contudo, “a fé sem caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente!” (Bento XVI, Porta Fidei, 14)
A segunda maravilha do sacerdócio é a pobreza! Por vezes, corremos o risco de pensar que o cálice é um troféu. O n.º 8 da Presbyterorum Ordinis desafia os presbíteros a não se esquecerem da hospitalidade, a cultivarem a beneficência e a comunhão de bens. Porque «ninguém é simplesmente ordenado para si mesmo (…) e apenas para proveito próprio» (Youcat, 248). Mas além desta partilha, o presbítero é chamado a ser pobre, para assim distribuir pelos outros a riqueza da sua criatividade, paciência, escuta, caridade e tempo. A comunhão de bens materiais entre sacerdotes deveria acontecer espontaneamente, pois temos estruturas para o fazer.
A terceira maravilha do sacerdócio não poderia deixar de ser o celibato!
Porque a vida presbiteral é uma vida de relações humanas, o celibato torna os presbíteros mais disponíveis para se entregarem a todos e para se consagrarem inteiramente a uma missão. Numa célebre entrevista a um jornalista alemão, o Papa Bento XVI propunha: «Eu penso que o celibato ganha sentido, no seu simbolismo significante e principalmente também na sua vivência, quando são formadas comunidades sacerdotais» (Bento XVI, Luz do Mundo, 145).
A quarta maravilha do sacerdócio é a obediência!
Uma obediência a Cristo que se expressa na obediência ao seu Bispo. O presbítero e o bispo não são adversários, mas colaboradores na missão da Igreja (João Paulo II, Redemptoris Missio, 67). Uma obediência que não é sinónimo de ditadura, mas diálogo na diferença eclesial. Sem diálogo, a obediência esvai-se. Sem diálogo, o isolamento cresce. Sem diálogo, a crítica atenua-se. E sem diálogo, o bispo acaba por acarretar sempre todas as culpas das desilusões, angústias e tristezas presbiterais.
A quinta maravilha do sacerdócio é a alegria!
Na verdade, um dos nossos maiores pecados é a depreciação de nós próprios. Muitas vezes, perante os dilemas pastorais, achamos que não valemos nada, gostamos de nos vitimizar, de viver o complexo da inferioridade e até perdemos a vontade de dizer como o Salmista: “Senhor, cantarei eternamente a vossa vontade!”. Porém, estimado sacerdote: Deus escolheu-te por aquilo que tu és: com os teus defeitos e virtudes! Nunca deixes de acreditar em ti próprio, mesmo que as dificuldades e tentações continuem a desafiar-te.
Alegra-te porque a alegria é a medida do amor sacerdotal. A alegria é o melhor testemunho vocacional que podemos oferecer aos jovens. E, acredita, a alegria não pode estar somente nos frutos pastorais que produzimos, mas na qualidade da raiz, isto é, na ligação ao Senhor.
A sexta maravilha do sacerdócio é a oração!
É ela que fortalece a raiz do sacerdócio. A propósito, o patrono Cura d’Ars avisa-nos: «Os nossos olhos deveriam ser utilizados apenas para chorar, o nosso coração para amar e a nossa língua para rezar!» Portanto, alimenta a tua raiz com a oração, a Eucaristia, a Reconciliação e a Palavra de Deus. Não queiramos ser somente técnicos de pastoral ou promotores de eventos eclesiais, e deixemos que o Espírito faça a sua parte. Porque é Ele que te envia a anunciar a boa-nova, a proclamar a redenção e a restituir a liberdade aos oprimidos (Evangelho).
A sétima maravilha do sacerdócio é a unidade
A unidade geracional com a tradição que nos precede, a unidade espiritual com Cristo, sacerdote eterno, a unidade pastoral com a Igreja Arquidiocesana, a unidade cultural com o mundo que nos circunda, a unidade fraternal com os leigos, a unidade integral consigo próprio e, acima de tudo, a unidade presbiteral com os irmãos no sacerdócio. E porquê? Porque “o ministério presbiteral é, essencialmente, o ministério sacramental da unidade.

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