Na linguagem da Bíblia, «ser justos» é «ajustar-se» ao modo de ser e de agir de Deus - meditação do Evangelho de Mateus Mateus 5, 17-37


Para entender o Evangelho de Hoje, há algumas curiosidades da cultura hebraica e bíblica que é preciso ter em conta:

1. Na linguagem da Bíblia, «ser justos» é «ajustar-se» ao modo de ser e de agir de Deus.

2. Segundo a mentalidade oriental, o «olho direito» é o olho consciente, é o olho que domina, avalia e julga, que quer vencer, e, às vezes, também matar, é o olhar do avarento que deseja possuir tudo.
Por sua vez, o «olho esquerdo» é o olho inconsciente, o olho feminino, que aceita, admira, que observa e percebe.

3. A «mão direita» é a mão do realizador, daquele que se julga capaz de conseguir tudo que deseja; 
a «mão esquerda», por sua vez, é a mão que recebe que é carinhosa, que toca e cura.

Diz Jesus: «Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um só dos teus olhos do que todo o corpo ser lançado na geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um só dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na geena.»

Leitura Orante do Evangelho do 6.º Domingo Comum: Mateus 5, 17-37

1 – O que diz a Palavra de Deus?
Jesus lembra sentenças da Lei e dos Profetas muito apreciadas pelos judeus fiéis a Moisés e faz-lhes uma interpretação radical em que desvenda o seu alcance genuino e sentido integral. Ele justifica a sua atitude dizendo: «Não vim anular, mas dar plenitude.» É assim que enumera os preceitos referentes ao homicídio, ao adultério, ao divórcio, ao juramento, à não violência e ao amor aos inimigos.

Jesus recorre ao contraste para realçar a novidade da vida dos discípulos.  «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento.»

A nova justiça é, antes de tudo, uma exigência de amor entre as pessoas: quando a Lei nos abre aos outros ela se revela carregada de humanismo e não de legalismo

A lei de Jesus faz com que as pessoas alarguem a sua capacidade de amar em direção a Deus e ao próximo. E isto é a verdadeira religião. Jesus não fala de domínio, nem de medo e nem de punição. Não está a ditar um código moral. Está a falar de um modo de vida.

2 – O que me diz a Palavra de Deus?
Na linguagem da Bíblia, «ser justos» é «ajustar-se» ao modo de ser e de agir de Deus.

A justiça adquire, então, um sentido muito mais profundo: a integridade do ser humano é o eco e o fruto da justiça soberana de Deus, da maravilhosa delicadeza com que Ele conduz o universo e cumula de dons as suas criaturas. 

A justiça de Deus coincide com misericórdia, bondade, santidade... 

Segundo os livros Sapienciais, a justiça é a sabedoria posta em prática. É a sabedoria que ensina a temperança, a prudência, a justiça e a coragem... A justiça divina é vista como “a mais sublime bondade” ou uma “força que salva”. A justiça de Deus, portanto, não é poder universal, mas amor aberto e libertador.

A justiça divina é vista como “a mais sublime bondade” ou uma “força que salva”.

A justiça de Deus, portanto, não é poder universal, mas amor aberto e libertador.

3 – O que a Palavra de Deus me leva a experimentar?
Aquele que não mata, cumpre a lei, mas se não arranca de seu coração a agressividade para com seu irmão, o desprezo ao outro, os insultos ou as vinganças, não se parece com Deus. 

Aquele que não comete adultério, cumpre a lei, mas se deseja egoisticamente a esposa de seu irmão, não se assemelha a Deus. 

Nestas pessoas reina a Lei, mas não Deus; são observantes, mas não sabem amar; vivem “corretamente”, mas não construirão um mundo mais humano.

Aquele que tem fome e sede de justiça não permanece imóvel, está “em busca”... e a busca da justiça não pode jamais  dar-se por terminada. 

4 – O que a Palavra me leva a dialogar com Deus e a viver?



Hino Ao Amor
(Padre Zezinho)

Se eu desvendasse os mistérios do universo
Mas não tivesse amor
Se o dom das línguas eu tivesse em prosa e verso
Mas não tivesse amor
Seria um sino barulhento e falador!

Se eu conhecesse umas quinhentas profecias
Mas não tivesse amor
Se eu conhecesse todas as teologias
Mas não tivesse amor
Teria tudo, menos Deus a meu favor!

Amor é graça, amor é força, amor é luz
Não é vaidoso, não derruba, não seduz
Não sente inveja, nem orgulho, nem rancor
Sabe perder, mas não se sente perdedor
Amor aplaude, mas educa o vencedor 
Amor perdoa, mas educa o pecador
Não atrapalha, não bloqueia: faz andar
Espera e crê, porque o amor sabe esperar

Vem do passado, mas não é ultrapassado
Tem seus limites, o saber e a religião
Mas o amor, aí, não acaba nunca, não 
Agora vemos por imagens ou sinais
Mas o amor, aí, o amor é bom demais!
Mas o amor, aí, o amor é muito mais 

Há mil verdades do outro lado da janela

Mas o amor é a maior de todas elas!...

FonteP.e Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.

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