Que catequese queremos?


Vejo os ortodoxos a seguirem as regras da Ortodoxia. Vejo os anglicanos a seguirem as regras do Anglicanismo. Vejo os muçulmanos a seguirem as regras do Islão. Vejo os budistas a seguirem as regras de Buda. Vejo os judeus a seguirem as regras do Judaísmo.

Fonte: Zelo da Casa do Senhor, 14 de fevereiro de 2017

Entro na minha igreja e só vejo contestação às regras. Católicos que querem para padrinhos de baptismo dos seus filhos pessoas que não estão de acordo com o que está estabelecido e é possível, muitas vezes pretendem para padrinhos pessoas que não são baptizadas, ou se dizem ateias. Escolher para garante da fé de uma criança uma pessoa que não tem fé e o proclama? As coisas têm que fazer sentido, antes das regras e da Doutrina, devemos ter bom senso. Escuto católicos exigirem ver o cartório da sua paróquia a funcionar como se de uma repartição pública se tratasse, sem se preocuparem se os fiéis que trabalham no cartório paroquial recebem alguma remuneração. Deparo-me com católicos que não aceitam a autoridade do papa, afligem-me católicos que ficam indecisos perante o aborto e a eutanásia, ou defendem mesmo essas práticas.

Como é possível um católico querer que o seu filho receba o sacramento da Comunhão, mas declare que a criança não tem tempo para a catequese porque tem “outras” actividades? Como é que um casal católico pode afirmar que é católico, mas que não obriga os filhos a irem à catequese, eles só vão se quiserem e enquanto quiserem, porque obrigar não é maneira de educar?

A catequese é um caminho que a Igreja disponibiliza aos fiéis para encontro e comunhão com Jesus, para aprofundamento do conhecimento da Palavra de Deus e para a tornar viva dentro dos seus corações.

A Igreja, através dos seus ministros, especialmente os bispos, presbíteros e catequistas anuncia o Reino dos Céus revelado por Jesus. Mas só é catequese se for mesmo o Reino anunciado por Jesus e não aquele que quem quer que seja imagine.

Quando a paróquia, através dos catequistas ou do pároco, realiza um encontro com as famílias das crianças da catequese é para lhes oferecer aquele Jesus que recebeu, através da Tradição da Igreja, conservada ao longo dos tempos. Se os pais contestam o terço, a missa, o desperdício de tempo para participar em actividades pastorais… provavelmente enganaram-se no que procuram para os seus filhos.

Se querem mesmo que os seus filhos sejam instruídos nas verdades da Fé, talvez devam começar por ter uma atitude de mansidão, de acolhimento, de escuta. Do outro lado, os agentes evangelizadores, catequistas, padres e outros, certamente estarão disponíveis para os escutar e dialogar, mas não para perder tempo pondo em causa o que Jesus ensinou, a base da catequese.

Alguns pais reclamam dos catequistas que cativem os seus filhos.

Eu sou catequista, mas não me esforço por cativar. Sigo as palavras do Patriarca José Policarpo. Quando eu pertenci ao Conselho Pastoral do Patriarcado de Lisboa, numa sessão, alguém queria que se cativassem mais os jovens. E falaram, falaram. O Patriarca encerrou o assunto e expôs a sua sensibilidade acerca da matéria, mais ou menos por estas palavras:

– Eu não estou disponível para cativar os jovens, nem o vou fazer. Mas em relação àqueles jovens que quiserem seguir Jesus, podem contar comigo para seguir na sua frente e para os guiar, sacrificando-me por eles e com eles.

É tempo de pôr as pessoas a pensarem se querem alguma coisa da Igreja e da catequese e o que querem, para saberem onde devem procurar e encontrar o que querem.

Estas palavras são duras, mas mais duro é assistir a catequistas a esmorecerem ao verem os pais a levarem as crianças logo que recebem a Primeira Comunhão, porque já não têm tempo para mais catequese, mais duro é andar dez anos a transmitir a Boa Nova e ao fim desse tempo observar a facilidade com que muitos do grupo fazem uma opção por um qualquer meio de vida que nada tem a ver com a santidade a que Deus nos chama.

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