A mulher tem sido uma
constante nos discursos do Papa Francisco. Tem manifestado, constantemente, o
valor da mulher para a Igreja e para o mundo atual.
1 - Presença das
mulheres no âmbito eclesial
«Estes novos espaços e
responsabilidades que se abriram, e que desejo profundamente que possam
ampliar-se ainda mais à presença e à atividade das mulheres, tanto no âmbito
eclesial como nos contextos civil e profissional, não podem fazer esquecer o
papel insubstituível da mulher na família.
Os dotes de delicadeza,
sensibilidade e ternura peculiares, que enriquecem o espírito feminino,
representam não apenas uma força genuína para a vida das famílias, para a
propagação de um clima de serenidade e de harmonia, mas uma realidade sem a
qual a vocação humana seria irrealizável. E isto é importante! Sem estas
atitudes, sem estes dotes da mulher, a vocação humana não consegue realizar-se!
Se no mundo do trabalho
e na esfera pública é importante uma contribuição mais incisiva do génio
feminino, contudo tal contributo permanece imprescindível no âmbito da família,
que para nós cristãos não é simplesmente um lugar particular, mas sim aquela
"Igreja doméstica", cujas saúde e prosperidade são as condições para
a saúde e a prosperidade da Igreja e da própria sociedade.» (...)
A este ponto é
espontâneo interrogar-se: como é possível crescer na presença eficaz, em tantos
contextos da esfera pública, no mundo do trabalho e nos lugares onde são
tomadas as decisões mais importantes e, ao mesmo tempo, manter uma presença e
uma atenção preferencial e totalmente especial na, e para a, família? Trata-se
do campo do discernimento que, além da reflexão sobre a realidade da mulher na
sociedade, pressupõe a oração assídua e perseverante.» (25.3.2013)
2 – Papel ativo na
comunidade eclesial
«Não reduzamos o empenho
das mulheres na Igreja; antes, pelo contrário, promovamos o seu papel ativo na
comunidade eclesial. Se a Igreja perde as mulheres, na sua dimensão global e
real, ela corre o risco da esterilidade.» (27.7.2013)
3 – Vocações femininas
«Faço votos a fim de que
os Institutos religiosos femininos possam continuar a ser, de modo adequado aos
nossos tempos, lugares privilegiados da afirmação e do crescimento humano e
espiritual das mulheres.
As religiosas estejam
prontas para enfrentar até as tarefas e missões mais difíceis e exigentes, que
valorizem as suas capacidades intelectuais, afetivas e espirituais, os seus
talentos e carismas pessoais. Oremos pelas vocações femininas, acompanhando com
estima as nossas irmãs, que muitas vezes no silêncio e no escondimento
despendem a sua vida pelo Senhor e pela Igreja, na oração, na pastoral e na
caridade.» (7.2.2014)
4 – As primeiras
testemunhas da Ressurreição
«As primeiras
testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a
missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos
netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou.
Mães e mulheres, ide em
frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos
abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Mas isto leva-nos a meditar
inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram
e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no
seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre
necessidade do olhar simples e profundo do amor.
Os apóstolos e os
discípulos têm dificuldade de acreditar. As mulheres não.» (3.4.2013)
5 – Qual é a presença da
mulher na Igreja?
«Muitas coisas podem
mudar, e com efeito mudaram, na evolução cultural e social, mas permanece um
dado: é a mulher que concebe, que traz no seu seio e que dá à luz os filhos dos
homens. E este não é simplesmente um dado biológico, mas encerra em si uma riqueza
de implicações quer para a própria mulher, em virtude do seu modo de ser, quer
para as suas relações, em função da sua maneira de se colocar em relação à vida
humana e à vida em geral. Chamando a mulher à maternidade, Deus confiou-lhe o
ser humano de forma inteiramente especial.
No entanto, aqui existem
dois perigos sempre presentes, dois extremos opostos que mortificam a mulher e
a sua vocação. O primeiro consiste em reduzir a maternidade a um papel social,
a uma tarefa, por mais nobre que seja, mas com efeito põe de lado a mulher com
as suas potencialidades e não a valoriza plenamente na construção da
comunidade. Isto tanto no âmbito civil, como no contexto eclesial. E, como
reação a este há outro perigo, em sentido oposto, que consiste em promover uma
espécie de emancipação que, para ocupar os espaços tirados ao masculino, chega
a abandonar o feminino, com os traços inestimáveis que o caracterizam.
E aqui, eu gostaria de
ressaltar que a mulher tem uma sensibilidade particular pelas «coisas de Deus»,
sobretudo para nos ajudar a compreender a misericórdia, a ternura e o amor que
Deus tem por nós. Gosto de pensar também que a Igreja não é «o» Igreja, mas «a»
Igreja. A Igreja é mulher, é mãe, e isto é bonito. Deveis pensar e aprofundar
isto. (...)
Também na Igreja é
importante perguntar-se: qual é a presença da mulher? Sofro — digo a verdade —
quando vejo na Igreja ou em determinadas organizações eclesiais que o papel de
serviço — que todos nós temos e devemos ter — da mulher diminui para uma função
de servidumbre. Não sei se se diz assim em italiano. Compreendeis-me? Servidão.
Quando vejo mulheres que desempenham tarefas de servidumbre, não se entende
qual é o papel que a mulher deve desempenhar. Qual é a presença da mulher na
Igreja? Pode ser valorizada em maior medida?» (12.10.2013)
6 – Verdadeiros
testemunho de fé
No Evangelho de hoje,
Jesus narra uma parábola sobre a necessidade de rezar sempre, sem se cansar. A
protagonista é uma viúva que, com a insistência da sua súplica a um juiz
desonesto, obtém que ele lhe faça justiça. E Jesus conclui: se a viúva
conseguiu convencer aquele juiz, julgais que Deus não nos ouve, se lhe
suplicarmos com insistência? A expressão de Jesus é muito forte: «Porventura
não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que clamam por Ele dia e noite?»
(Lucas 18, 7). (...)
Aprendamos da viúva do
Evangelho a rezar sempre, sem nos cansarmos. Esta viúva era forte! Sabia lutar
pelos seus filhos! E penso em tantas mulheres que lutam pela própria família,
que rezam, que nunca se cansam. Uma recordação hoje, da parte de todos nós, a
estas mulheres que com a sua atitude nos oferecem um verdadeiro testemunho de
fé e de coragem, um modelo de oração! Uma recordação a elas!» (20.10.2013)
7 – Solicitude feminina
«A Igreja reconhece a
indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma
intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias
das mulheres que dos homens. Por exemplo, a especial solicitude feminina pelos
outros, que se exprime de modo particular, mas não exclusivamente, na
maternidade.
Vejo, com prazer, como
muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os
sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e
prestam novas contribuições para a reflexão teológica. Mas ainda é preciso
ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja.» (A
alegria do Evangelho, 24.11.2013)
8 – Gestos de heroísmo
«Duplamente pobres são
as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque
frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos. E
todavia, também entre elas, encontramos continuamente os mais admiráveis gestos
de heroísmo quotidiano na defesa e cuidado da fragilidade das suas famílias.» (A
alegria do Evangelho, 24.11.2013)
9 – Sofrimento
«Não é opção
progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é
verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres
que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma
solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida
que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de
extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho
sofrimento?» (A alegria do Evangelho, 24.11.2013)
10 – Uma Igreja sem
religiosas?
«Pensemos um pouco no
que aconteceria se não houvesse religiosas nos hospitais, nas missões, nas
escolas. Mas considerai, uma Igreja sem religiosas! Não se pode imaginar: elas
são este dom, este fermento que leva em frente o Povo de Deus. São grandes estas
mulheres que consagram a sua vida a Deus, que levam em frente a mensagem de
Jesus!» (2.2.2014)
Fonte: ©SNPC

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