O cardeal Reinhard Marx anunciou planos de permitir que leigos liderem paróquias na sua arquidiocese de Munique, onde não há sacerdotes. Ao fazer isso ele rejeitou fortemente a opção cada vez mais comum de lidar com a diminuição de ministros ordenados combinando ou "agrupando" paróquias.
Christa Pongratz-Lippitt, La Croix International, 27-03-2017. Tradução: Luísa Flores Somavilla
O cardeal de 63 anos é um dos principais assessores e conselheiros do Papa Francisco. Ele disse recentemente aos 180 membros do Conselho Diocesano de Munique - seu corpo de leigos mais importante - que era importante preservar paróquias individuais como forma de garantir a presença da Igreja em nível local.
Falando na assembleia plenária do Conselho em 18 de março, o cardeal disse que a arquidiocese de Munique introduziria um projeto piloto com novos modelos de liderança paroquial durante a temporada de outono. Especificamente, ele disse que equipas de leigos voluntários em tempo integral assumiriam as paróquias.
Ele reiterou a sua convicção de que criar entidades paroquiais cada vez maiores através do agrupamento de paróquias não era o melhor caminho.
«Estamos a passar por uma grande revolução na Igreja, no momento», disse o cardeal. Recordando que o Concílio Vaticano II (1962-5) havia discutido o «sacerdócio de todos os fiéis», lembrou que nem todas as possibilidades em relação a isso haviam sido pensadas adequadamente.
Ele disse estar convencido de que o trabalho pastoral deve estar alinhado aos recursos e carismas disponíveis localmente: «Milhares de pessoas me disseram que têm certeza de que vale a pena disponibilizar o seu tempo para participar e fazer o trabalho pastoral nas paróquias», acrescentando que agora seria necessário olhar mais de perto as vocações destes paroquianos comprometidos.
Marx disse que nas condições atuais da Alemanha, as paróquias locais teriam de ser reorganizadas. E mencionou que apenas um candidato ao sacerdócio tinha chegado à arquidiocese de Munique este ano. Portanto, além de reorganizar as paróquias, os atuais requisitos de admissão ao sacerdócio também teriam que ser discutidos. Ele disse que isso incluía a possibilidade de ordenar homens casados de virtude comprovada, ou, como diz o termo latino, viri probati.
O cardeal Marx disse que seu projeto piloto era realmente uma reação à falta de padres, «mas também ao facto de que nem todos os sacerdotes estão em posição para liderar paróquias». Ele considerou importante que os bispos auxiliares e vigários episcopais se reunissem com membros da paróquia nestas regiões e, depois de escolher o local e selecionar a equipe de líderes leigos, discutir as estruturas e a organização paroquial. Cada projeto teria acompanhamento regular.
O cardeal disse que as paróquias não devem lamentar o passado, mas concentrar-se no que podem fazer com os dons e talentos disponíveis localmente. Ele disse que os bispos também tinham de continuar a aprender.

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