Infidelidade financeira: «Quando falamos de dinheiro em casal, as dificuldades em lidar com este tema parece que se multiplicam.»
O campo financeiro da nossa vida tem uma capacidade fora de
vulgar de interferir com todos os outros. O dinheiro é motivo de perturbação na
área profissional, social, familiar e até psicológica. Então quando falamos de dinheiro em casal, as dificuldades em lidar com este tema parece que se multiplicam.
Para garantir que tem uma vida familiar estável é essencial
que os temas
financeiros sejam conversados com transparência
e sem preconceitos.
Infelizmente, damos uma importância ao dinheiro como se
fosse dele que viesse o nosso valor ou o nosso estatuto. Tenho encontrado situações
em que a vida financeira de um casal é de tal forma vivida em segredo, que um
deles chega a estar com dificuldades com os credores sem que a outra parte
saiba. Não é raro pedir ajuda para renegociar cartões de crédito, mas
sem que o cônjuge saiba, pois o mesmo não
faz ideia da existência desses cartões. As situações de infidelidade, regra
geral, partem de uma incapacidade de comunicação.
O dinheiro (ou a falta dele) costuma ser tema de tensão e muitas
pessoas preferem enterrar a cabeça na areia. O que não resolve nada. Deixar perpetuar
situações de dificuldade não é boa opção, pois quando “estoira” os custos são muito maiores e não é raro que termine em divórcio
ou quebras fortes na confiança.
Para garantir que a vida financeira
é motivo de
fortalecimento do casal, e não o contrário,
o que sugiro é que se faça um orçamento
em família.
Mesmo que cada um utilize a sua própria conta bancária, ajuda muito
a solidificar as relações que o tema seja tratado em conjunto.
Qual
o sentido de um estar a passar por dificuldades
(penhoras e afins) e o outro
desconhecer essa realidade?
Nas dificuldades podemos ficar mais próximos
daqueles
com quem partilhamos a vida.
Se a vergonha perante as dificuldades
fala mais alto, então acabamos por nos afastar e, em muitos casos, um afastamento
sem retorno.
JOÃO RAPOSO, joao.raposo@reorganiza.pt, em DESTAK, 24-03-2017
Ler também:
Para que Serve o Orçamento Familiar
Neste artigo mostramos-lhe as principais valias de fazer um orçamento familiar. Verá que no final, se cumprir, conseguirá poupar algum dinheiro todos os meses:
Tomar Consciência da Nossa Situação Atual
Há famílias que nos dizem, por exemplo, que não fazem Orçamento Familiar para não ficarem deprimidas. Trata-se de uma atitude compreensível (mas errada) nos tempos difíceis que correm. De facto, quem constrói Orçamento Familiar, consegue Tomar Consciência da Sua Situação Actual, estando com isso mais perto de empreender o caminho da sua independência financeira.
Identificar Padrões de Consumo e de Poupança
Por outro lado (não sei se tal também acontece com o leitor), por vezes parece que o dinheiro se some da nossa conta quando, na verdade, bem sabemos que o dinheiro não tem propriedades mágicas e que somos nós quem lhe dá destino. A este respeito, defendemos que Orçamento Familiar é muito importante, na medida que nos ajuda a Identificar os Nossos Padrões de Consumo e de Poupança, o que se traduz numa monitorização importante, sobretudo se nos levar a tomar medidas de ajuste nos nossos padrões de vida.
Definir e Implementar Objetivos de Poupança
A Estipulação de Objetivos de Poupança, é igualmente uma das mais-valias para quem faz Orçamento Familiar. Aqui, somos da opinião de que “poupar por poupar”, para além de não ser motivador, pode não fazer muito sentido. De facto, quando poupamos com vista a objetivos concretos (uma viagem, a educação dos filhos, a nossa reforma, etc.), tudo se torna mais fácil, passando o “pagamento a nós próprios” a ser visto como uma prioridade.
Identificar Fontes de Desperdício
Por outro lado, como vimos, quando fazemos Orçamento Familiar conseguimos mais facilmente Identificar Despesas Passíveis de Redução o que – mesmo podendo obrigar a ajustes no nosso consumo – leva geralmente a uma melhoria na nossa qualidade de vida.
Planear os Meses Seguintes
Por fim, o Planeamento do Consumo nos Meses Seguintes é talvez uma das principais vantagens do Orçamento Familiar. De facto, se sabemos, por exemplo, que dentro de meses iremos de férias ou teremos a pagamento o seguro do nosso carro, por que motivo não tomamos previamente medidas que nos levem a, nessa altura, ter dinheiro disponível para essas despesas? Se sabemos que o regresso às aulas é sempre em Setembro, por que motivo não começamos a poupar uns meses antes, evitando assim recorrer ao crédito fácil para fazer face à compra dos materiais escolares? De facto, só quem faz Orçamento Familiar consegue ter este planeamento face à Poupança e ao Consumo.


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