Misericórdia no quotidiano: Consolar os tristes


O nosso tempo, marcado pelo progresso e por tantas conquistas, não se livra de ser também um tempo propício à tristeza e ao desalento. Se estivermos atentos, encontraremos ao nosso lado muitas pessoas tristes. A vida, por vezes, confronta-nos com momentos difíceis, em que as lágrimas expressam uma tristeza imensa que nos pode deixar abalados e desorientados. É precisamente aí que esta obra de misericórdia se revela muito útil e consoladora.

TRISTEZA
A tristeza é um sentimento caracterizado pela falta da alegria e pode apresentar-se em diferentes graus de intensidade, variando desde a tristeza passageira, que normalmente dura alguns minutos ou horas, à tristeza profunda, que pode persistir por vários dias ou semanas. Vários podem ser os motivos que desencadeiam sentimentos de tristeza, como a falta de sentido para a vida, uma desilusão amorosa, a perda do emprego, a morte de um amigo ou familiar e outras situações que nos abalem... A tristeza não é apenas causada pela sensibilidade e fragilidade humanas, mas, também, pelas injustiças sociais que nos rodeiam e que nos deixam tristes e desolados.

A ARTE DE CONSOLAR
O verbo grego parakalein, que indica o ato de consolar, significa «chamar para junto de si», para exortar e consolar. Mediante a consolação tenta-se criar uma proximidade, fazer «presença junto de» quem está na desolação e na tristeza. Assim, a verdadeira consolação consiste numa presença capaz de escutar o sofrimento, deixar que seja o silêncio, o estado de espírito, a sugerir gestos, tempos, movimentos, silêncios, palavras, olhares, abraços, carícias, distâncias, para poder servir realmente de consolação. Assim a proximidade, permite a consolação que proporciona conforto em todas as necessidades, que ajuda a dar sentido ao sofrimento, que contribui para o passo seguinte, que alerta para a realidade que importa descobrir e viver. Uma tristeza dividida e partilhada torna-se mais leve e a escuta atenta e a palavra amiga contribuem para o alívio desejado.

A Igreja consoladora
Os cristãos são chamados a olhar as tristezas e mazelas do mundo e entrar nelas com a ação misericordiosa e consoladora de Deus, a fim de gerar a alegria da salvação. É isso que pedimos quando na missa, o sacerdote reza em nome de toda a comunidade: «Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs; inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles.»

Não deixemos de consolar aqueles que, perto de nós,
trazem um coração entristecido. 

Esta obra de misericórdia convida a disponibilizar tempo e vontade para acompanhar quem experimenta a fragilidade e a tristeza. Por isso, tem gestos misericordiosos para com os que andam mais tristes à tua volta: algum colega da tua turma, um amigo, alguém da tua família, um desconhecido com quem te cruzas na rua onde moras e que precisa do teu sorriso, palavra ou apenas da tua companhia.

 Abel Dias, em revista Audácia, janeiro de 2017

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