Dar bons conselhos a quem hesita ou duvida e por isso se sente
dividido é a primeira obra de misericórdia espiritual.
A arte de aconselhar
Todos nós passámos por momentos em que sentimos necessidade
de pedir conselho a alguém. Outras vezes, somos chamados a dar conselhos
àqueles que nos são próximos ou que estão ao nosso lado. Em ambos os casos,
trata-se de procurar uma luz, um sentido, um significado para decisões
importantes e que nos deixam indecisos ou confusos. Sabemos como é importante
nos momentos mais delicados da nossa vida poder contar com conselhos de pessoas
sábias e que nos amam.
Antes de dares ou receberes um conselho,
escuta atenta e humildemente aquele que to pede
ou aquele a quem o dás.
O conselho é uma ajuda concreta por parte de quem compreende
as dificuldades e as dúvidas do outro em lidar com os seus sentimentos, opções
e decisões de vida. Aconselhar é, antes de mais, olhar para o outro como um
irmão e (re)descobrir a necessidade de dar sentido, esperança, orientação e
plenitude à sua vida. Ao bom conselheiro pede-se capacidade de compreender a
situação do outro, imaginação, uma grande dose de humildade e um elevado grau
de confiança.
Não é preciso ser perito em matérias complicadas para dar um
parecer sobre um problema. Só é preciso ter amor à pessoa a quem aconselhamos.
Na relação entre as pessoas, há muitas formas de aconselhar, porém, o essencial
está em saber fazê-lo, para que as atitudes das pessoas, ajudadas por um
conselho, encontrem benefício na decisão que estão a tomar.
O melhor conselheiro
Por meio do conselho é o próprio Deus, com o seu Espírito,
que ilumina o nosso coração, fazendo com que compreendamos o modo justo de
falar e de nos comportarmos, e o caminho que devemos seguir.
O Espírito Santo é o melhor conselheiro: quando O recebemos
e O deixamos atuar, Ele começa imediatamente a tornar-nos sensíveis à sua voz e
a orientar os nossos pensamentos, sentimentos e intenções segundo o coração de
Deus. Ao mesmo tempo e progressivamente, O Espírito Santo dirige o nosso olhar
interior para Jesus, modelo do nosso modo de agir e de nos relacionarmos com
Deus Pai e com os nossos irmãos. Portanto, o conselho é o dom com o qual o
Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em
comunhão com Deus, segundo a lógica de Jesus e do seu Evangelho. Neste
contexto, um conselheiro é uma pessoa aberta à ação do Espírito Santo que o
leva a sentir empatia pelo outro, a escutar o outro em profundidade, a
apreender as suas potencialidades e debilidades, podendo assim ajudar a entrever
a melhor opção para o seu irmão em Cristo, disse o Papa Francisco na catequese
de 7 de maio de 2014.
É mediante a oração que ficamos sensíveis ao Espírito Santo,
que atua em nós e nos aconselha sobre o que devemos fazer e dizer. Na
intimidade com Deus e na escuta da sua Palavra, começamos a abandonar a nossa
lógica pessoal, ditada muitas vezes pelos nossos medos, preconceitos e
ambições, e podemos experimentar as palavras de Jesus apresentadas no Evangelho
de Mateus: «Não vos preocupeis com o que haveis de falar nem com o que haveis
de dizer; ser-vos-á inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar,
é o Espírito do vosso Pai que falará por vós.»
O Senhor fala-nos, também, pela voz e o testemunho dos
outros. É um dom poder contar com homens e mulheres de fé que, sobretudo nos
momentos mais complicados e importantes da nossa vida, nos ajudam a iluminar o
nosso coração e a reconhecer a vontade de Deus!
Abel Dias, em revista Audácia, outubro de 2016

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