Concluímos a série de reflexões sobre as 14 obras de
misericórdia com a necessidade de rezar a Deus por vivos e defuntos. Tal como o
amor, a oração também é uma tarefa. Habitualmente, quando nos aproximamos de
Deus, pedimos por nós, pelos nossos familiares e pelas nossas necessidades.
Porém, a oração obriga-nos a não pensar somente em nós, a orar por outras
pessoas e nações, até pelas desconhecidas.
A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO
Na oração expressamos a ligação que existe entre a relação
com Deus e a responsabilidade pelos outros, entre o amor a Deus e a
solidariedade para com os irmãos. Assim como nós vivemos com e pelos outros,
também rezamos com e pelos outros.
A oração, elevada a Deus, não nos dispensa de agir, mas ela
é uma força da esperança, uma expressão da fé no poder de Deus, que é amor e
não nos abandona. Etimologicamente, «interceder» significa «dar um passo
entre», «interpor-se», «colocar-se entre duas partes para tentar construir uma
ponte, uma comunicação entre elas». Foi isto que Jesus fez na cruz.
REZAR A DEUS POR VIVOS
Na oração, não pedimos a Deus que se lembre de alguém, mas,
diante Dele, recordamos, a nossa pessoa, outras pessoas, para que a nossa
relação com elas seja iluminada pela Palavra e Presença de Deus. Ao mesmo
tempo, enquanto invocamos o perdão ou a ajuda de Deus para quem deles
necessita, empenhamo-nos concretamente e fazemos tudo o que nos é possível em
favor dessas pessoas.
Neste sentido, pela oração, lutamos contra o esquecimento
que nos ameaça, purificamos a nossa relação com os outros e concebemos gestos
concretos em favor daqueles pelos quais rezamos. A oração de intercessão ou de
louvor retira-nos da solidão e compromete-nos na solidariedade. Foi o que
aprendemos com Jesus, que, mesmo rezando num lugar isolado, orou pelos seus
discípulos e Ele, agora, também nos pede a nós, seus discípulos, que rezemos
uns pelos outros.
REZAR A DEUS PELOS DEFUNTOS
A oração pelos defuntos é sustentada pela fé na
ressurreição. A comunhão experimentada em vida não é desfeita com a morte,
porque os crentes encontram a sua vida em Cristo. Ou seja, os que vivemos neste
mundo, estando em união com Cristo, permanecemos em comunhão com aqueles que
morreram e vivem com Cristo nos Céus.
Deste modo, ao rezarmos pelos defuntos, também rezamos com
eles. Rezar pelos outros e com eles é uma forma de lhes mostrar o bem que lhes
queremos, é tê-los presente, é integrá-los no nosso presente, na nossa vida.
ORAÇÃO NO SILENCIO
Rezar não é simples: o aborrecimento, a preguiça ou a
repetição podem torná-la difícil. A dificuldade aumenta diante do aparente
«silêncio» de Deus. Acresce ainda que, com frequência, o diálogo com Deus é
feito de e no silêncio, o que não é muito gratificante. Mas, como nos lembra
Santa Teresa de Ávila, é no silêncio que nos tornamos disponíveis, nos
abandonamos com confiança e nos aproximamos de Deus. Repetir uma oração,
meditá-la, saboreá-la, vibrar com ela, é construir um diálogo com Deus.
Abel Dias, em revista Audácia, abril de 2017

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