Nascemos com olhos, mas não com o olhar…
Temos, ouvidos, mas não sabemos escutar…
Podemos cheirar e gostar as coisas, mas nem sempre somos
capazes de desfrutar e saborear a vida…
Tocamos e abraçamos os outros, mas não nos comprometemos…
Ele é cego de nascimento. Nem ele nem os seus pais têm
qualquer culpa, mas o seu destino ficará marcado para sempre. Os discípulos de
Jesus perguntam-lhe se o pecado é do cego ou dos seus pais. As pessoas olham-no
como um pecador castigado por Deus.
Jesus é Aquele que vê
o interior
Jesus olha aquele homem de forma diferente. Desde que o viu,
só pensa em resgatá-lo daquela vida de mendigo, desprezado por todos como
pecador. Jesus sente o apelo de Deus para defender, acolher e curar
precisamente os que vivem excluídos e humilhados.
Jesus é Aquele que
faz ver a partir do interior
Mas a cura não acontece automaticamente. É trabalhosa. Jesus
unge os olhos do cego com barro. O termo ungir faz alusão ao Espírito Santo, que
transforma para sempre a vida daqueles em quem atua.
Por sua vez, o cego tem de aceitar a luz e optar livremente
por ela. Jesus não lhe
retira a liberdade: oferece-lhe uma oportunidade. A decisão de recuperar a
vista está nas mãos do cego: terá de ir à piscina de Siloé por sua própria iniciativa, caminhar
livremente, sair do seu lugar, lavar-se na piscina.
O cego de nascença vislumbra em Jesus um olhar encorajador,
compreensivo, que acredita nele e lhe inspira confiança. Por isso, vai e faz o que
lhe é pedido
E acontece a cura. O cego recebe a possibilidade de ver no
sentido literal da palavra: ver as pessoas, ver ao seu redor. Mas descobre também
pela primeira vez a luz, que o faz “ver” e acreditar em Jesus como o Filho do
Homem.
Jesus é Aquele que
tem a arte de fazer ver
O encontro com Jesus muda a vida do cego. Por fim pode
desfrutar de uma vida digna, sem temer envergonhar-se diante de ninguém. E o
mendigo curado torna-se missionário: confessa abertamente que foi Jesus quem o
curou.
Todavia, como acontece com qualquer anunciador do Evangelho,
o homem encontra oposição.
Então, Jesus procura o homem e pergunta-lhe se acredita no
Messias. E quando lhe diz «Já O viste: é quem está a falar contigo», o mendigo declara:
«Creio, Senhor».
Assim é Jesus. Ele vem sempre ao encontro daqueles que são marginalizados,
pois têm um lugar privilegiado no Seu coração.
Não esqueçamos, pois, quando alguém é rejeitado, também pelos
cristãos, esse alguém é sempre acolhido por Jesus.
E Jesus quer hoje curar a nossa cegueira, para podermos e
captar o mistério das coisas e das pessoas. Porque «um olhar desprovido de
sentimento, de imaginação, de profundidade, de horizontes... um olhar
reprimido, desviado, insensível, frio, duro, ríspido... um olhar supérfluo, imediatista,
narcisista, morno, sem vibração, sem brilho, sem assombro... nesses olhares não
há lugar para o acolhimento dos outros.» (P.e Adroaldo Palaoro sj)

"Dificuldade de aceitar a luz quando ela ilumina o que não queremos ver".
ResponderEliminarO Sr.nos leva mesmo a refletir com profundidade. Admiro demais sua originalidade. Que Deus o abençoe.