O termo “humildade” vem da palavra latina humus, que quer
dizer terra fértil, rica em nutrientes e preparada para receber as sementes.
Neste contexto, uma pessoa humilde está sempre disposta a aprender e a deixar brotar no
solo fértil da sua pessoa as boas sementes. A verdadeira humildade está sempre
acompanhada de outros valores como a caridade, a misericórdia, o amor, a
verdade e a compaixão.
Graças à humildade, não nos pensamos nem julgamos superiores
aos outros, mas temos a noção exacta da nossa fraqueza, modéstia, respeito,
pobreza, reverência e submissão.
Todavia, a humildade não é desvalorização de
nós mesmos, falta de carácter ou inferiorização. Consiste em ter consciência,
não só das nossas fraquezas e limitações mas igualmente das nossas
potencialidades, valor e virtudes.
É reconhecer que as qualidades que possuímos
foram-nos dadas por Deus para as fazermos brotar e colocar ao serviço dos
outros, nossos irmãos. Ao confrontamo-nos com os nossos limites, não
desanimamos, mas esforçamo-nos para sermos melhores.
E, perante Deus, a pessoa humilde descobre a sua finitude e
a sua pequenez. Mas esta condição de criatura limitada e dependente faz-nos
capazes de dialogar com o nosso Criador e de aceitarmos – com completa
liberdade – a nossa dependência Dele.
É falsa humildade a atitude daquele que se rebaixa perante
os outros querendo parecer humilde, porém está cheio de ressentimentos, inveja
ou ambição. O oposto da humildade é o orgulho e a arrogância. Esta dificuldade
de submeter-se a outras vontades leva também a não aceitar a vontade de Deus.
Os que lutam para ser verdadeiramente humildes adquirem uma
personalidade atraente. Com o seu comportamento habitual, conseguem criar à sua
volta um ambiente de paz e de alegria, porque reconhecem o valor dos outros.
Para reflectir
Sabes qual é a razão da grandeza, da imensidão e do poder do mar? É porque foi suficientemente humilde para se colocar alguns centímetros abaixo de todos os rios.
Sabendo receber, tornou-se grande.
Se quisesse ser o primeiro, se quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha. E certamente estaria isolado.
Abel Dias, em revista Audácia, dezembro de 2008

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