Valores humanos e cristãos na Quaresma: 5 - LIBERDADE


Por vezes, somos tentados a viver como nos apetece, a fazer somente o que queremos e, assim, enveredamos por um caminho que, mais cedo ou mais tarde, levará ao insucesso e ao fracasso. Várias vezes usamos o argumento de que somos livres, de que ninguém nos deve dizer o que devemos fazer, para justificar a nossa apatia e desinteresse pelo estudo e pela aprendizagem.

A liberdade é um valor fundamental da natureza humana. Felizmente, vivemos num tempo que muito valoriza e defende a liberdade. São várias as vozes que se levantam para a invocarem e a defenderem a todo o custo. São, também, várias as pessoas que não se poupam a esforços, muitas das vezes oferecendo a própria vida, para que outras pessoas a possam experimentar e viver.

O importante é ser livre de tudo aquilo que nos impede de ser verdadeiramente felizes,
é libertar-se. 
Isto implica uma aprendizagem contínua e progressiva. 
A liberdade é uma tarefa. Exige esforço. 
É uma conquista de todos os dias. 

Existe uma grande confusão acerca do que é ser livre e do uso que se faz da liberdade. Várias são as pessoas que, diariamente, violam a liberdade dos outros, escravizando-os ou instrumentalizando-os. Algumas pessoas identificam a liberdade com a independência de tudo e de todos, em que simplesmente se faz o que apetece; em que estão livres de responsabilidades, de obrigações (sociais, familiares e escolares) e até de normas morais ou éticas. Mas será essa a autêntica liberdade pela qual vale a pena lutar e até dar a vida?

A liberdade, porque implica escolha e responsabilidade, é a expressão de poder escolher, de se comprometer, para um ideal de vida, não é um agir ao sabor dos caprichos. 

Ser livre não é ser independente de tudo, pois a vida é sempre uma relação de dependências, mas escolher e seleccionar essas dependências, integrando-as no ideal e no sentido da vida.

Uma liberdade sem orientação nem conteúdo é vazia para nós e perigosa para os outros e transforma-se, rapidamente, em libertinagem, isto é, uma liberdade que ignora ou despreza a verdade e a responsabilidade.

Jesus Cristo viveu a sua vida humana como indivíduo profunda e radicalmente livre, criador e difusor da liberdade. A grande liberdade de Jesus manifestou-se na vontade firme de ser profundamente fiel à missão que o Pai lhe confiou. Jesus foi, também, o grande libertador da humanidade ao exercer o seu ministério, libertando as pessoas do medo, da angústia, do preconceito, da escravidão, do pecado. Toda a sua missão foi uma profunda libertação. O momento alto desta libertação operou-se no mistério pascal: a paixão, morte e ressurreição. Por tudo isto, Jesus Cristo é o verdadeiro modelo de liberdade.


Abel Dias, em revista Audácia, outubro de 2008

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