Por vezes, somos tentados a
viver como nos apetece, a fazer somente o que queremos e, assim,
enveredamos por um caminho que, mais cedo ou mais tarde, levará ao insucesso e
ao fracasso. Várias vezes usamos o argumento de que somos livres, de que
ninguém nos deve dizer o que devemos fazer, para justificar a nossa apatia e
desinteresse pelo estudo e pela aprendizagem.
A liberdade é um valor fundamental da natureza humana.
Felizmente, vivemos num tempo que muito valoriza e defende a liberdade. São
várias as vozes que se levantam para a invocarem e a defenderem a todo o custo.
São, também, várias as pessoas que não se poupam a esforços, muitas das vezes
oferecendo a própria vida, para que outras pessoas a possam experimentar e viver.
O importante é ser livre de tudo aquilo que nos impede de ser verdadeiramente felizes,
é libertar-se.
é libertar-se.
Isto implica uma aprendizagem contínua e progressiva.
A liberdade é uma tarefa. Exige esforço.
É uma conquista de todos os dias.
Existe uma grande confusão acerca do que é ser livre e do
uso que se faz da liberdade. Várias são as pessoas que, diariamente, violam a
liberdade dos outros, escravizando-os ou instrumentalizando-os. Algumas pessoas
identificam a liberdade com a independência de tudo e de todos, em que
simplesmente se faz o que apetece; em que estão livres de responsabilidades, de
obrigações (sociais, familiares e escolares) e até de normas morais ou éticas.
Mas será essa a autêntica liberdade pela qual vale a pena lutar e até dar a
vida?
A liberdade, porque implica escolha e responsabilidade, é a expressão de poder escolher, de se comprometer, para um ideal de vida, não é um agir ao sabor dos caprichos.
Ser livre não é ser independente de tudo, pois a vida é sempre uma relação de dependências, mas escolher e seleccionar essas dependências, integrando-as no ideal e no sentido da vida.
Uma liberdade sem orientação nem conteúdo é vazia para nós e perigosa para os outros e transforma-se, rapidamente, em libertinagem, isto é, uma liberdade que ignora ou despreza a verdade e a responsabilidade.
Jesus Cristo viveu a sua vida humana como indivíduo profunda e
radicalmente livre, criador e difusor da liberdade. A grande liberdade de Jesus manifestou-se na vontade firme
de ser profundamente fiel à missão que o Pai lhe confiou. Jesus foi, também, o
grande libertador da humanidade ao exercer o seu ministério, libertando as
pessoas do medo, da angústia, do preconceito, da escravidão, do pecado. Toda a
sua missão foi uma profunda libertação. O momento alto desta libertação
operou-se no mistério pascal: a paixão, morte e ressurreição. Por tudo isto,
Jesus Cristo é o verdadeiro modelo de liberdade.
Abel Dias, em revista Audácia, outubro de 2008

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